REPRESENTAÇÕES DE ENSINO PARA QUÊ?
Prof. Diogo Tobias Filho*
As representações de ensino da SEDUC se transformaram em monumentos de inutilidade no atual sistema educacional rondoniense. São órgãos perdulários e desnecessários, porém, nenhum governador tem coragem de extingui-las, sobretudo porque, lá se acoita os ungidos da politicalha local que sobrevivem às custas do dinheiro da educação. Alguns são inclusive, professores concursados, porém desde que tomaram posse na investidura da docência, jamais adentraram uma sala de aula para tomar pó de giz na cara ou se assim o fizeram, certamente foi por pouco tempo.
Enquanto impera a sinecura, nas escolas, a carência de professores efetivos toma proporções alarmantes. Os contratos temporários suprem em quantidade, mas não em qualidade, porque não se encontram profissionais das áreas críticas dispostos a enveredar numa carreira sem perspectivas financeiras. Na iminência do fracasso no processo de aprendizagem, existe uma sociedade omissa, calada com o silêncio da indiferença, optando por jogar injustamente sobre os professores, o elo mais fraco da corrente, a culpa pelo fiasco do ensino na era Cassol.
Nas chamadas REN’s, investe-se altas somas com passagens, gasolina, telefone, papel, água, energia, suprimentos de fundo para se gastar sabe-se lá com quê, além do entulho de servidores, que geralmente por favores políticos descolam uma “boquinha para gerenciar projetos, programas e outras invencionices” que nunca saem do abstrato. Imagine leitores, quanto se economizaria de dinheiro para os cofres públicos se alguém pusesse fim nesta farra de gastança?
O problema não consiste só em banir essas REN’s no mapa do desperdício. É fundamental dar autonomia às escolas para que resolvam seus problemas - inclusive de contratações emergenciais - diretos com a Secretaria de Educação. Mas para isso se faz necessário democratizá-la, coordenar a formação de conselhos com a participação de todos os setores de sua clientela, incentivar a autonomia para gerir recursos disponíveis, enfim, elaborar um projeto político-pedagógico autêntico, sem ser como os atuais que não passam de calhamaço de cópias sem nenhuma utilidade prática e desconhecidos da maioria dos educadores, alunos e pais. Afinal de contas para que serve as representações de ensino? Respondo! Serve tão-somente para ser o que é hoje: um valhacouto de cabos eleitorais para onde acorrem os capitães-do-mato de Ivo Cassol, interessados mais em fazer política para agradar o chefe e bem menos no bom funcionamento da educação. São úteis também como trampolim político para os ocupantes destes cargos nos municípios. Usa-se ainda para conspirar contra professores mais politizados que não falam aquilo que agrada o chefe do entourage cassolista e são vitimados pelos estafetas da bajulação.
Não creio em mudanças estruturais no atual governo. Assim como não nascia mais nada no chão pisado pelas patas do cavalo que conduzia Átila - o flagelo de Deus, também sob as rodas da Hilux que transporta Ivo Cassol - o flagelo da educação, não mais nascerá vida inteligente.
*O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná. (digtobfilho@hotmail.com)
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