segunda-feira, 5 de março de 2012

PUBLICADO NOS SITES GENTE DE OPINIÃO E TUDORONDÔNIA

EDUCAÇÃO: A REVOLUÇÃO QUE NÃO VIRÁ!


“Se um dia hei-de ser pó, cinza e nada/ que seja a minha noite uma alvorada,/ que me saiba perder... para me encontrar.” (Florbela Espanca (1895-1930), poeta portuguesa, autora de Charneca em Flor.)

Copiando o genial Euclides da Cunha, eu diria que o Professor de Rondônia é antes de tudo um forte! Se os números estão em baixa, se a educação vai mal, se os alunos não aprendem o satisfatório na escola pública, convenhamos, a culpa não é do mestre. O que se observa é que a classe política destruiu a educação do Estado. Agora, diante do processo irreversível da globalização, uma marcha inexorável para o domínio absoluto do globo pelas grandes corporações comerciais, industriais e financeiras, que relega aos recônditos periféricos do mundo que não domina o conhecimento tecnológico, a elite dirigente rondoniana resolveu acordar do seu sonho lerdo e buscar resultados imediatos.

O gargalo está no fato de que eles querem melhorar a educação sem investimentos e sem valorização dos docentes e funcionários de apoio. Como não há justificativas pra sociedade, jogam indiscriminadamente na fogueira da inquisição os professores, porquanto são os que estão cara a cara com o cidadão. Seria uma santa ingenuidade esperar de um grupo do poder dominante assumir sua parcela de culpa no fracasso da educação pública. Pelo contrário, seu discurso enfadonho se esforça para convencer que o Estado não pode arcar com mais despesas salariais em consequência da Lei de Responsabilidade Fiscal; que com a crise é melhor segurar o emprego, ou pior, se der um aumento melhor para o professor, outras classes vão exigir o mesmo tratamento. Argumentos esfarrapados não faltam ao vocabulário de tolices dos políticos locais.
Desde o início, o Governador Confúcio interagia com seus governados através do blog e suas declarações eram amplamente divulgadas pela mídia. Entre as últimas pérolas postadas, ele assim teclou: “Sobre a nossa Educação. Fraquinha nas pernas quase escorada na muleta. Ensino médio pra lá de Bagdá”.

Não é necessário ser expert em história da educação para analisar que os grandes pensadores que ousaram, desde os anos 50, inovar os métodos educacionais no Brasil foram ignorados, como Anísio Teixeira ou até mesmo expulsos como Paulo Freire. A classe aristocrática nunca se interessou em educar o povo. Confúcio deveria era reconhecer o contrário. Malgrado meio século de desmoralizações, roubalheiras, exploração de professores com cargas de trabalho pesadas, recursos didáticos ultrapassados, desconforto no ambiente escolar, status quo funcional jogado propositalmente na rua da pobreza, a escola pública ainda sobrevive, resiste de forma heroica aos suplícios impostos pela incompetência das sucessivas gestões. 

Confúcio Moura é um neoliberal, um tucano travestido de centro-esquerda. Sua ideologia se assenta numa visão de mundo adepta do individualismo, da competição, do Estado mínimo e da primazia do mercado. O sonho dos políticos neoliberais é privatizar praticamente tudo e se livrar de vez dos sindicatos que, ainda diante dos reveses das últimas décadas, resistem fortalecidos como representação de classe.
Politicamente, estamos entre a cruz e a espada. Excetuando-se os bois e plantadores de feijão, nenhum professor gostaria de ver Ivo Cassol e a república da roça de volta ao poder, sobretudo, pelos tormentos psicológicos infligidos aos educadores de sala de aula durante oito intermináveis anos. Mas, não se vê em Confúcio Moura nada de promissor de que realmente haverá investimentos nos recursos humanos. O salário continua miserável, a estrutura da maioria das escolas em estado lastimável e o fato de escolher um jornalista de colunas sociais para dirigir a secretaria nem merece comentários.

Azar dos milhares de professores que são obrigados a cultivar uma paciência de meio século sem nenhuma revolução digna de mudanças. Ademais, falta realmente aos docentes aprender com a própria história. Segundo Eduardo Galeano, Francisco Pizarro era analfabeto e criador de porcos. Entrou em Cajamarca com 180 soldados, 37 cavalos, e encontrou e venceu um exército de 100 mil índios. Educadores querem formar cidadãos críticos, mas não conseguem metade dos pares e lutar contra o governo, muito menos mobilizar os mais variados movimentos sociais em prol da escola pública. O que está ruim ainda tem a chance de ficar pior. A revolução necessária à educação não virá.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

PUBLICADO NO GENTE DE OPINIÃO EM 09/12/2011

A primavera dos policiais militares de Rondônia

  
A essencialidade da segurança pública é o fator preponderante dos imensos transtornos causados pela paralisação dos policiais militares no Estado, isto porque, não são os engravatados de gabinete, tampouco o oficialato que garante a segurança dos cidadãos, mas, sim, os soldados que estão patrulhando as ruas. Isto não subtrai o valor da causa justa: a luta ferrenha por melhores soldos para a corporação. Pelo contrário, o movimento das mulheres dos policiais é justíssimo conquanto o que se ganha para enfrentar a violência das cidades é ínfimo, imerecido e despe de dignidade inúmeras famílias de homens que saem para o trabalho carregando a incerteza da volta ao lar. Nada melhor do que suas companheiras para entender que o provento recebido não propicia vida digna nem fecha as contas no final do mês. Pelo veto da lei ao direito de greve da PM, elas assumem com coragem a luta pela valorização dos seus maridos fardados na expectativa de conseguir uma remuneração mais justa para o sustento dos seus.
 
Não é fácil lutar por melhorias salariais, sobremodo porque o Governador e seus secretários ganham muito bem e nunca sentiram na pele o que é sobreviver trinta dias com pouco dinheiro. Esta elite burguesa jamais aceitaria gerir suas responsabilidades com o salário de um policial, de um professor ou de um servidor das categorias mais “numerosas”. Soma-se ao cabedal de desfavores inerentes à profissão militar o fato das cidades maiores de Rondônia estarem com custos de vida nas alturas. Do lado da gestão do Estado, o sucateamento dos serviços públicos é desalentador. Saúde, educação e segurança pública percorrem o caminho inverso ao da arrecadação de impostos. O que o contribuinte retira do bolso para repassar ao Estado já estacionou no limite do insuportável. Os serviços públicos disponíveis também.
 
Há distorções salariais criadas por sucessivos governos ruins de gerenciamento e isto atualmente leva a estrutura social à bancarrota, sobretudo porque, paralelo ao aumento gigantesco da arrecadação de impostos, caminha a criação de cargos e funções gratificadas inúteis cujo fito é a acomodação de apadrinhados políticos de apoiadores de campanha. Os recentes escândalos de desvios dos recursos públicos comprovam a tese.
 
Que me perdoe a sociedade atingida pelo movimento dos policiais, mas eles têm a mais irrefutável das razões para protestar. Atividade de risco deve ser bem remunerada. Mas a mentalidade burguesa e egoísta dos medíocres políticos de Rondônia, os quais se julgam donos do dinheiro do contribuinte, impede a dignidade e a felicidade do justo soldo aos policiais.
 
Como diria o poeta Vinicius de Moraes: “A felicidade é como a pluma/ Que o vento vai levando pelo ar/ Voa tão leve/ Mas tem a vida breve/ Precisa que haja vento sem parar.” O movimento das mulheres dos soldados é o vento que tem coragem para soprar!


PUBLICADO NOS SITES TUDORONDONIA E GENTE DE OPINIÃO EM 21/12/2011

A PERGUNTA DOS DEMITIDOS DE 2000: E AGORA JOSÉ?

José Batista já é um velho conhecido do funcionalismo público rondoniense. Em janeiro de 2000 era o comandante-chefe da Secretaria de Administração do nefasto governo Bianco. Do seu banco de dados saiu a lista negra com os nomes de professores, técnicos, policiais, profissionais da área administrativa, médicos, enfim, quase dez mil pessoas demitidas indiscriminadamente, catapultados para rua da amargura. Uma atitude politicamente incorreta que deveria no mínimo ter proscrito José Bianco e sua comitiva de assessores da vida pública.

Se o problema era o excesso de funcionários que impedia o governo de deslanchar, a teoria não confirmou a prática porque José Bianc foi apenas mais um do reino da mediocridade, sem nada de extraordinário nas áreas estratégicas como saúde, educação e segurança pública, assim como medíocres também eram seus antecessores, Pianna e Raupp e o seu sucessor, Ivo Cassol, que aliás preferiu até cuidar melhor de boi do que do povo.

Mas o eleitor tem mesmo memória curta e graças a esta lamentável característica, José Bianco voltou. Isso aconteceu porque a maioria da população de Ji-Paraná resolveu resgatá-lo politicamente, dando-lhe dois mandatos de prefeito. Com ele, ressurgiu a controversa figura do José Batista, logo empregado às custas do contribuinte municipal em cargo e primeiro escalão. Com a vitória de Confúcio Moura, José migrou recentemente da secretaria de saúde municipal para ser o adjunto da saúde.

De repente, grata surpresa, o carrasco dos demitidos de 2000, um dos homens que provocou a depressão, o desespero, a ignomínia, e em certos casos até a morte de ex-funcionários, apareceu recentemente envolvido num dos maiores desvios de verbas públicas, juntamente com uma quadrilha chefiada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Valter Araújo.

Depois da operação Termópilas, José, quem diria, está mais do que demitido, está preso, acusado de corrupção e pelas evidências apresentadas pela mídia, já se pode considerá-lo mesmo um corrupto. Entretanto, como a roubalheira era imensa, será difícil dizer se José Batista está deprimido como os demitidos de 2000 ou se conseguiu amealhar seu pé-de-meia sugando nas tetas do propinoduto estadual, o que lhe daria folga após a tormenta.

E os demitidos? O que acharam do triste fim do seu algoz? Isso no mínimo merecia a reorganização daquela épica passeata de 2000, quando ao respingar de lágrimas e cassetetes, os ex-funcionários expuseram sua indignação mediante a exclusão em massa decidida por alguns funcionários temporários, todos bem empregados com bons salários, entre eles, os dois Josés, Bianco e Batista. Desta vez, a passeata pediria punição aos culpados.
 
Não acredito que Termópilas será apenas mais um caso entre tantos outros estarrecedores que não tiveram finais satisfatórios. Parece-me que, além das leis dos homens, existe realmente a lei do retorno, ou seja, tudo de mal que você faz ao seu semelhante voltará em dobro. Por esta ótica, talvez o castigo de Batista ainda não seja justo. Seria necessário que, além de todo dinheiro amealhado ilicitamente fosse devolvido aos cofres público, José Batista saísse sem lenço e sem documento pra sentir na pele o que é sobreviver sem trabalho, sem dinheiro para pagar as contas no final do mês, sem poder comprar uma mísera cesta básica, um pão para alimentar os filhos no café-da-manhã e sucedâneos. Esta seria uma expiação justa.

O povo rondoniano tem também outra marca registrada. A tudo perdoa, seguindo os bons costumes cristãos. Mesmo que tenha que entrar em longas filas de hospital, deitar seus enfermos em macas improvisadas pelo chão dos hospitais, não ter acesso aos medicamentos a não ser que tenha dinheiro no bolso e outras agruras mais. Todavia não é pecado perguntar a quem provocou tanto sofrimento e desemprego no funcionalismo, atualmente, enjaulado e demitido: e agora José?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

REGRAS BÁSICAS PARA SER UM EXCELENTE PROFESSOR

Para alcançar sucesso na educação rondoniense não há segredos. Conquistar popularidade na escola que você trabalha é o caminho das pedras. Basta seguir algumas regrinhas básicas. O desafio elementar para o sucesso é ser popular entre a comunidade escolar, principalmente entre os alunos. Deve-se adentrar o ambiente de trabalho cumprimentando todos, do simples funcionário até o graduado, não economizando elogios e apertos de mão porque na educação, fazer críticas, mesmo justas, cria uma amargura tão profunda nos nossos pares que sua presença passa a ser um incômodo digno da mais insensata aversão.

Lembre-se de elevar o moral da equipe gestora, sobretudo do diretor. Ele sempre tem algum projeto, às vezes mera nulidade, mas é útil elogiá-lo, aplaudir sua capacidade de por em prática “tamanha inovação” nunca dantes vista na história do colégio que dirige. Faça o mesmo com o supervisor e o orientador educacional, defenda-os em público, demonstre sua admiração com quem coordena aquela burocracia inútil de maneira que eles jamais possam adverti-lo e sim, defendê-lo exaustivamente em razão das suas benevolentes palavras.

Conta pontos demonstrar felicidade com cartazes que decoram a sala dos mestres. São penduricalhos de uma cafonice contumaz, mas finja que aquela pieguice pinçada dos cafundós da internet enche o seu coração de júbilo. Aos erros de grafia, dissimule porque quem o escreveu sempre vai jogar a culpa em algum funcionário desavisado que não cumpriu as ordens da equipe. Nas reuniões pedagógicas, discuta, emocione-se com a insuportável leitura compartilhada, mesmo que os temas sejam jargões ultrapassados, tipo, “formar cidadãos críticos, dar uma aula mais atrativa”, etc. Parabenize sem economizar palavras a capacidade intelectual de cada professor. Use termos como “falar a mesma língua”, “sua didática é excelente”, “seu método é nota dez” e por aí vai.

Apresente projetos que envolva música, dança ou futebol, mesmo que não seja lá grande coisa; faça seu marketing pessoal prevalecer. Inevitavelmente, sua carga horária em sala de aula diminuirá em razão da sua dedicação aos “projetos” postos em prática. Não se esqueça de envolver o representante de ensino em suas preleções, inflacionando-lhe sua importância, sua capacidade administrativa, sua humildade no trato com seus comandados, sem se importar que a nomeação seja resultante do peleguismo farejador de cargos públicos. Daí ser útil a sua presença na REN para sentir de perto o enorme apreço à causa educativa dos que ali labutam e que se pudessem “optariam pela sala de aula”.

Se quiser flanar pelos corredores da escola leve sempre à mão um livro, folhas de papel ou material de trabalho para que “os olhos e os ouvidos do rei” notem que você, apesar de temporariamente fora da escrivaninha, preocupa-se com seus afazeres e lê bastante. Seja presença constante nas festinhas da escola, deguste a fatia do bolo melequento, beba pelo menos um copinho de refrigerante barato. Participe das palestras, questione os temas. Não é difícil. O assunto é repetitivo como DST/AIDS, drogas e o tal de bullyng. Seja eloqüente na semana da cidadania, rodopie igual peru na festa junina, faça parte da comissão organizadora desses eventos.

Suas aulas devem ser programadas constantemente com visitas às instituições públicas, por exemplo, a Prefeitura e a Câmara Municipal. Exclua da sua disciplina assuntos triviais, privilegie os misteriosos, enigmáticos, atuais e caso seja indagado sobre o que você não sabe, responda de qualquer maneira, invente qualquer improviso. Entretanto, nada é mais vital para sua ascensão rumo à fama do que se dar bem com pais e alunos. Jamais critique o aluno na frente dos seus pais, pelo contrário, deixe sempre a perspectiva de melhora, comente nas reuniões afins sobre o fato dos discentes serem inteligentes e que apenas precisam de apoio para se convencer do próprio potencial intelectual.

Enalteça a religião, a família, a união da comunidade escolar. Você precisa fazer valer seu nome bem acima do seu conhecimento. Este é apenas um detalhe. E distribua fartamente boas notas de modo que o aluno leve para casa aquilo que os pais mais desejam: a aprovação no ano letivo. Logo seu trabalho será reconhecido, troféus de “melhor professor” serão rotineiros em suas mãos, terás o nome sempre lembrado para os cargos inúteis, mas que dão dinheiro e em pouco tempo estarás longe da sala de aula. E se você for habitante de uma pequena cidade, prepare-se porque num breve intervalo de tempo será Secretário Municipal de Educação.

PUBLICADO EM VÁRIOS SITES EM O8/11/2011

REDUÇÃO DAS REN’S: UMA ÓTIMA IDEIA!

"Pensar é fácil. Agir é difícil - e agir conforme pensamos, mais difícil ainda." Goethe

Confúcio Moura, após um início in medio virtus no timão estatal fez escolhas equivocadas para SEDUC. A insistência em repetir mesmices típicas dos governos anteriores, como recadastramento de servidores e o funcionamento feijão-com-arroz das unidades escolares deixou o céu das expectativas nublado. Mas, finalmente aparece sinais auspiciosos de algo diferente nos ares da educação.

A decisão de reduzir as REN’s, ao contrário do que se supõe, é um alívio para os cofres da Viúva, uma esperança para aumentar o combalido quadro funcional e docente das escolas e, poderá ser considerada o fim de uma era marcada pelo apadrinhamento político no preenchimento dos inumeráveis cargos predispostos nestas repartições espalhadas pelo Estado e custeadas pela dinheirama de impostos.

Mas, como já era de se esperar, muita gente começa a choramingar. Desconfio que o medo dos renitentes seja encarar a volta para a sala de aula, único lugar onde verdadeiramente mais se trabalha na educação. É provável que a REN não irá fazer falta ao contribuinte pois as escolas têm que aprender a caminhar com as próprias pernas. Pelo contrário, será até benéfico na conquista de mais autonomia administrativa e política, quiçá o início do fim da supremacia do famoso Q.I dos currais eleitoreiros sobre a competência e carreira técnica dentro dos quadros educacionais. O que não pode ser reduzido na educação é o investimento dentro da sala de aula, desde que o dinheiro sirva ao processo de ensino-aprendizagem.

As REN’S irão deixar saudades tão-somente para um público bem específico, constituído por aquelas figurinhas já carimbadas na sociedade em que vivem, donde se alternam entre estado e município no preenchimento de vagas em redutos eleitorais dos seus benfeitores. Vários destes servidores há dezenas de anos, não sabem o que é manusear um palito de giz sobre o quadro; outros sequer têm competência para lecionar e vivem fugindo da docência como o diabo foge da cruz.

Certo deputado estadual alegou o seguinte: “que os profissionais das representações de ensino ainda atuam na aquisição de material para as escolas, como a merenda, material didático e esportivo, kits escolares, além de acumularem a organização de jogos municipais, estaduais e regionais. Além da prestação de contas dos recursos utilizados em reformas e ampliações de escolas”. Argumento pífio, sobretudo porque a própria unidade educacional pode resolver tudo isto e muito mais, chamar ao trabalho as Associações de Pais e Professores para assumir seu papel nas questões administrativas e afins e despertar o cooperativismo entre seus agentes.

Grosso modo, o fim das REN’s já vem tarde. Entretanto, há outras medidas imprescindíveis para mudar a educação rondoniense e rumar para dias melhores: democracia ampla, geral e irrestrita nas eleições de gestores; participação mais efetiva da sociedade nas decisões de projetos e elaboração de currículos; escola integral, em especial para séries iniciais do ensino fundamental; capacitação e incentivo a pesquisa para os docentes; autonomia funcional, administrativa e financeira sem a interferência de políticos ou quaisquer outros sujeitos alheios ao processo de ensino.

Não custa lembrar que um projeto de mudança não pode abrir exceções nem cair por medo no retrocesso de ceder à pressões política já que para governar não basta ser homem, tem que ser um campo de batalha. Ou se muda de uma vez ou enfia a viola no saco e deixa tudo como está e vai ser blogueiro.

Publicado no TUDORONDONIA em 30/09/2011

DIVIDINDO O BOLO DO FRACASSO DA EDUCAÇÃO: A FATIA QUE CABE AOS ALUNOS!

As fatias do bolo recheadas de problemas crônicos que não desgrudam da educação são sempre divididas entre seus tradicionais convivas: as duas maiores fatias são entregues em pratinho de papelão para o governo e, não descartando certa postura injusta, para os professores. Ainda sobra um belo naco para a escola e outro bem menor tem que ser digerido pelos pais. Mas sobra uma fatia exposta à omissão de todos, e ninguém ainda teve coragem de entregá-la, talvez por tal missão ser nos tempos atuais, politicamente incorreta. Faço questão de oferecê-la, sem o menor pudor de ser contestado, a quem por direito merece, pois já é hora de um grupo numeroso sentar-se à mesa e assumir sua responsabilidade pela fatia de bolo com cobertura de fiasco no processo de ensino-aprendizagem: os alunos!

Com o advento da internet, grande parte dos discentes prefere usar a rede mundial de computadores para se divertir em games, conversar pelo msn ou similares, teclar nos sites de relacionamentos e sucedâneos. Enquanto desperdiça horas com mensagens inócuas refestelada por uma linguagem peculiarmente medíocre, são poucos que atinam a baixar e ler textos produtivos ou navegar em sites culturais. Sequer veem o novo tempo da educação, onde o mesmo computador que utiliza para a futilidade desmedida, por outro lado, representa uma poderosa ferramenta para auxiliá-lo na construção do saber, de uma forma prazerosa, divertida, e plena de alternativas de pesquisa se souber aproveitá-lo. A internet produz o veneno e o remédio ao mesmo tempo. Cabe ao usuário a opção!

Enquanto isso, na escola, numerosos discentes reclamam por não saber redigir um texto de vinte linhas como se o professor de português tivesse uma fórmula mágica de ensiná-los a colocar no papel o que pensam sobre determinando tema. Jamais farão isso porque a solução para escrever bem é se apropriar — através do excesso de leitura — da riqueza vocabular. E são poucos os que se interessam em dominar as técnicas. Quem vive a realidade cotidiana da sala de aula, defronta-se, não raras vezes, com dificuldades em superar a letargia dos alunos em ler o mínimo possível. Alguns, mal-alfabetizados, sequer conseguem decifrar as garatujas no papel. Dominam bem o celular, aparelhos de áudio, os jogos na net, as conversas paralelas e sucedâneos. Entretanto, fluência da língua, interpretação de textos, cálculos, etc., salvo exceções, não aprendem nem demonstram interesse.

Nada contra o atual contexto onde as novas tecnologias da informação e da comunicação ultrapassam o corpo físico, transformando-se em extensões do pensamento e dos sentidos, potencializando as ações humanas. Há anos, os professores gaúchos utilizam o computador como ferramenta auxiliar na alfabetização. Todavia, com o limiar do novo século marcado pelo incrível desenvolvimento tecnológico, onde alfabetizada será a criança que utilizar com destreza o computador em detrimento da escrita manual, questionamos se ainda há meios para pais e mestres reverterem esta situação de indiferença dos alunos, sobretudo porque, as escolas estão sucateadas, os investimentos escorrem pelo ralo da corrupção e os bons professores se tornaram uma espécie em extinção. Se não há solução em curto prazo, o bolo do fiasco educacional continuará a ser fatiado entre os convivas de sempre. Alunos, sentem-se à mesa e bom apetite!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

PUBLICADO NO SITE TUDORONDÔNIA EM 29/07/2011

A EDUCAÇÃO E O SANTO DE CASA QUE NÃO FAZ MILAGRE!

Se existe algo difícil de entender é como as secretarias de educação pretendem elevar o nível de conhecimento nas escolas públicas diante da situação precária das bibliotecas. Elas deveriam ser um centro de pesquisa integrada à internet como nos países desenvolvidos, não obstante, estão relegadas à condição de valhacouto de insetos. Pobres livros! Mereciam um destino melhor. Logo num país que se lê tão pouco. Observa-se acervos desatualizados, espaço exalando odores de mofo, amontoado de prateleiras improvisadas em saletas desconfortáveis.

Em Rondônia, o desrespeito maior dos gestores da educação é com nossos escritores que, mediante dificuldades financeiras para pesquisa e publicação das suas obras, não desistem de produzi-las, vencendo obstáculos para divulgá-las. Os livros existentes nas escolas de autores regionais são minguados, isso quando se tem alguma unidade. O Governo do Estado que deveria dar o exemplo aos municípios, é descompromissado na aquisição destas obras, a ponto do ensino médio só não estar em frangalhos por causa dos materiais didáticos enviados pelo Governo Federal.

E veja que nós temos excelentes escritores. Não tenho espaço para citar todos, mas honra-me enunciar alguns que deveriam ser leitura obrigatória para os estudantes de ensino fundamental e médio e presença constante nas improvisadas bibliotecas das escolas. Cito de início, o excelente escritor Matias Mendes, homem simples do Vale do Guaporé, dotado de inteligência acima da média que escreve de forma prazerosa. Seus livros exaltam a rica cultura da região, sua poesia é encantadora e denota um vasto conhecimento da nossa história.

O Prof. Dante Ribeiro da Fonseca publica trabalhos acadêmicos mais extensivos ao ensino médio além do já conhecido “História Regional”, em parceria com o Prof. Marco Antônio Teixeira, obra que é referência para concursos públicos; Francisco Matias escreve com profundo conhecimento da nossa historiografia; o livro do imortal Emanuel Pontes Pinto é essencial para uma visão histórica mais detalhada da formação de Rondônia; Yêda Borzacov é - por excelência - a dama da intelectualidade rondoniense; o saudoso mestre Paulo Saldanha Sobrinho conta histórias fantásticas do início da colonização do Estado.

Poderíamos citar ainda Manuel Rodrigues Ferreira e a saga da EFMM, Abnael Machado, Esron Menezes (in memorian), Ovídio Amélio, Antônio Cândido, um craque na nossa literatura, Flávio Lima e Odenildo Veloso, como expoentes da nossa produção geográfica entre outros. Eles merecem um vau de reconhecimento maior, mas, suas obras deviam ser adquiridas e expostas nas bibliotecas das escolas públicas. O Estado desperdiça dinheiro com tantas publicações duvidosas (quem não se lembra daquelas apostilas chinfrins do governo anterior?) por que não comprar os livros dos nossos autores?

As produções dos professores também não têm deixado a desejar. Por iniciativas individuais, estiveram vencendo prêmios importantes como o da Editora Abril. Algumas cidades têm projetos desenvolvidos por seus docentes cujo talento não encontra palco para divulgação, relegando-os ao anonimato. De imediato me lembrei das dificuldades dos “tios e tias” das séries iniciais em conseguir material didático para elaborar aulas de história regional para a criançada.

Esta desvalorização com a cultura, com os escritores e com os próprios alunos da escola pública ocorre diariamente em vários municípios. Nas escolas do Estado, seria até redundância falar do legado de má-qualidade de ensino do governo anterior e as poucas e nada alvissareiras mudanças do governo atual. Talvez, o baixo intelecto dos que gerem os recursos da educação de Rondônia o façam pensar que educação de qualidade se constrói apenas com reformas de prédios e não incluem uma biblioteca decente.

Livros então, quando adquiriem, geralmente privilegiam autores de fora. Como sentencia aquele velho provérbio, nossos bons escritores são santos de casa que não fazem milagres.