sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

PUBLICADO NO GENTE DE OPINIÃO EM 09/12/2011

A primavera dos policiais militares de Rondônia

  
A essencialidade da segurança pública é o fator preponderante dos imensos transtornos causados pela paralisação dos policiais militares no Estado, isto porque, não são os engravatados de gabinete, tampouco o oficialato que garante a segurança dos cidadãos, mas, sim, os soldados que estão patrulhando as ruas. Isto não subtrai o valor da causa justa: a luta ferrenha por melhores soldos para a corporação. Pelo contrário, o movimento das mulheres dos policiais é justíssimo conquanto o que se ganha para enfrentar a violência das cidades é ínfimo, imerecido e despe de dignidade inúmeras famílias de homens que saem para o trabalho carregando a incerteza da volta ao lar. Nada melhor do que suas companheiras para entender que o provento recebido não propicia vida digna nem fecha as contas no final do mês. Pelo veto da lei ao direito de greve da PM, elas assumem com coragem a luta pela valorização dos seus maridos fardados na expectativa de conseguir uma remuneração mais justa para o sustento dos seus.
 
Não é fácil lutar por melhorias salariais, sobremodo porque o Governador e seus secretários ganham muito bem e nunca sentiram na pele o que é sobreviver trinta dias com pouco dinheiro. Esta elite burguesa jamais aceitaria gerir suas responsabilidades com o salário de um policial, de um professor ou de um servidor das categorias mais “numerosas”. Soma-se ao cabedal de desfavores inerentes à profissão militar o fato das cidades maiores de Rondônia estarem com custos de vida nas alturas. Do lado da gestão do Estado, o sucateamento dos serviços públicos é desalentador. Saúde, educação e segurança pública percorrem o caminho inverso ao da arrecadação de impostos. O que o contribuinte retira do bolso para repassar ao Estado já estacionou no limite do insuportável. Os serviços públicos disponíveis também.
 
Há distorções salariais criadas por sucessivos governos ruins de gerenciamento e isto atualmente leva a estrutura social à bancarrota, sobretudo porque, paralelo ao aumento gigantesco da arrecadação de impostos, caminha a criação de cargos e funções gratificadas inúteis cujo fito é a acomodação de apadrinhados políticos de apoiadores de campanha. Os recentes escândalos de desvios dos recursos públicos comprovam a tese.
 
Que me perdoe a sociedade atingida pelo movimento dos policiais, mas eles têm a mais irrefutável das razões para protestar. Atividade de risco deve ser bem remunerada. Mas a mentalidade burguesa e egoísta dos medíocres políticos de Rondônia, os quais se julgam donos do dinheiro do contribuinte, impede a dignidade e a felicidade do justo soldo aos policiais.
 
Como diria o poeta Vinicius de Moraes: “A felicidade é como a pluma/ Que o vento vai levando pelo ar/ Voa tão leve/ Mas tem a vida breve/ Precisa que haja vento sem parar.” O movimento das mulheres dos soldados é o vento que tem coragem para soprar!


PUBLICADO NOS SITES TUDORONDONIA E GENTE DE OPINIÃO EM 21/12/2011

A PERGUNTA DOS DEMITIDOS DE 2000: E AGORA JOSÉ?

José Batista já é um velho conhecido do funcionalismo público rondoniense. Em janeiro de 2000 era o comandante-chefe da Secretaria de Administração do nefasto governo Bianco. Do seu banco de dados saiu a lista negra com os nomes de professores, técnicos, policiais, profissionais da área administrativa, médicos, enfim, quase dez mil pessoas demitidas indiscriminadamente, catapultados para rua da amargura. Uma atitude politicamente incorreta que deveria no mínimo ter proscrito José Bianco e sua comitiva de assessores da vida pública.

Se o problema era o excesso de funcionários que impedia o governo de deslanchar, a teoria não confirmou a prática porque José Bianc foi apenas mais um do reino da mediocridade, sem nada de extraordinário nas áreas estratégicas como saúde, educação e segurança pública, assim como medíocres também eram seus antecessores, Pianna e Raupp e o seu sucessor, Ivo Cassol, que aliás preferiu até cuidar melhor de boi do que do povo.

Mas o eleitor tem mesmo memória curta e graças a esta lamentável característica, José Bianco voltou. Isso aconteceu porque a maioria da população de Ji-Paraná resolveu resgatá-lo politicamente, dando-lhe dois mandatos de prefeito. Com ele, ressurgiu a controversa figura do José Batista, logo empregado às custas do contribuinte municipal em cargo e primeiro escalão. Com a vitória de Confúcio Moura, José migrou recentemente da secretaria de saúde municipal para ser o adjunto da saúde.

De repente, grata surpresa, o carrasco dos demitidos de 2000, um dos homens que provocou a depressão, o desespero, a ignomínia, e em certos casos até a morte de ex-funcionários, apareceu recentemente envolvido num dos maiores desvios de verbas públicas, juntamente com uma quadrilha chefiada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Valter Araújo.

Depois da operação Termópilas, José, quem diria, está mais do que demitido, está preso, acusado de corrupção e pelas evidências apresentadas pela mídia, já se pode considerá-lo mesmo um corrupto. Entretanto, como a roubalheira era imensa, será difícil dizer se José Batista está deprimido como os demitidos de 2000 ou se conseguiu amealhar seu pé-de-meia sugando nas tetas do propinoduto estadual, o que lhe daria folga após a tormenta.

E os demitidos? O que acharam do triste fim do seu algoz? Isso no mínimo merecia a reorganização daquela épica passeata de 2000, quando ao respingar de lágrimas e cassetetes, os ex-funcionários expuseram sua indignação mediante a exclusão em massa decidida por alguns funcionários temporários, todos bem empregados com bons salários, entre eles, os dois Josés, Bianco e Batista. Desta vez, a passeata pediria punição aos culpados.
 
Não acredito que Termópilas será apenas mais um caso entre tantos outros estarrecedores que não tiveram finais satisfatórios. Parece-me que, além das leis dos homens, existe realmente a lei do retorno, ou seja, tudo de mal que você faz ao seu semelhante voltará em dobro. Por esta ótica, talvez o castigo de Batista ainda não seja justo. Seria necessário que, além de todo dinheiro amealhado ilicitamente fosse devolvido aos cofres público, José Batista saísse sem lenço e sem documento pra sentir na pele o que é sobreviver sem trabalho, sem dinheiro para pagar as contas no final do mês, sem poder comprar uma mísera cesta básica, um pão para alimentar os filhos no café-da-manhã e sucedâneos. Esta seria uma expiação justa.

O povo rondoniano tem também outra marca registrada. A tudo perdoa, seguindo os bons costumes cristãos. Mesmo que tenha que entrar em longas filas de hospital, deitar seus enfermos em macas improvisadas pelo chão dos hospitais, não ter acesso aos medicamentos a não ser que tenha dinheiro no bolso e outras agruras mais. Todavia não é pecado perguntar a quem provocou tanto sofrimento e desemprego no funcionalismo, atualmente, enjaulado e demitido: e agora José?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

REGRAS BÁSICAS PARA SER UM EXCELENTE PROFESSOR

Para alcançar sucesso na educação rondoniense não há segredos. Conquistar popularidade na escola que você trabalha é o caminho das pedras. Basta seguir algumas regrinhas básicas. O desafio elementar para o sucesso é ser popular entre a comunidade escolar, principalmente entre os alunos. Deve-se adentrar o ambiente de trabalho cumprimentando todos, do simples funcionário até o graduado, não economizando elogios e apertos de mão porque na educação, fazer críticas, mesmo justas, cria uma amargura tão profunda nos nossos pares que sua presença passa a ser um incômodo digno da mais insensata aversão.

Lembre-se de elevar o moral da equipe gestora, sobretudo do diretor. Ele sempre tem algum projeto, às vezes mera nulidade, mas é útil elogiá-lo, aplaudir sua capacidade de por em prática “tamanha inovação” nunca dantes vista na história do colégio que dirige. Faça o mesmo com o supervisor e o orientador educacional, defenda-os em público, demonstre sua admiração com quem coordena aquela burocracia inútil de maneira que eles jamais possam adverti-lo e sim, defendê-lo exaustivamente em razão das suas benevolentes palavras.

Conta pontos demonstrar felicidade com cartazes que decoram a sala dos mestres. São penduricalhos de uma cafonice contumaz, mas finja que aquela pieguice pinçada dos cafundós da internet enche o seu coração de júbilo. Aos erros de grafia, dissimule porque quem o escreveu sempre vai jogar a culpa em algum funcionário desavisado que não cumpriu as ordens da equipe. Nas reuniões pedagógicas, discuta, emocione-se com a insuportável leitura compartilhada, mesmo que os temas sejam jargões ultrapassados, tipo, “formar cidadãos críticos, dar uma aula mais atrativa”, etc. Parabenize sem economizar palavras a capacidade intelectual de cada professor. Use termos como “falar a mesma língua”, “sua didática é excelente”, “seu método é nota dez” e por aí vai.

Apresente projetos que envolva música, dança ou futebol, mesmo que não seja lá grande coisa; faça seu marketing pessoal prevalecer. Inevitavelmente, sua carga horária em sala de aula diminuirá em razão da sua dedicação aos “projetos” postos em prática. Não se esqueça de envolver o representante de ensino em suas preleções, inflacionando-lhe sua importância, sua capacidade administrativa, sua humildade no trato com seus comandados, sem se importar que a nomeação seja resultante do peleguismo farejador de cargos públicos. Daí ser útil a sua presença na REN para sentir de perto o enorme apreço à causa educativa dos que ali labutam e que se pudessem “optariam pela sala de aula”.

Se quiser flanar pelos corredores da escola leve sempre à mão um livro, folhas de papel ou material de trabalho para que “os olhos e os ouvidos do rei” notem que você, apesar de temporariamente fora da escrivaninha, preocupa-se com seus afazeres e lê bastante. Seja presença constante nas festinhas da escola, deguste a fatia do bolo melequento, beba pelo menos um copinho de refrigerante barato. Participe das palestras, questione os temas. Não é difícil. O assunto é repetitivo como DST/AIDS, drogas e o tal de bullyng. Seja eloqüente na semana da cidadania, rodopie igual peru na festa junina, faça parte da comissão organizadora desses eventos.

Suas aulas devem ser programadas constantemente com visitas às instituições públicas, por exemplo, a Prefeitura e a Câmara Municipal. Exclua da sua disciplina assuntos triviais, privilegie os misteriosos, enigmáticos, atuais e caso seja indagado sobre o que você não sabe, responda de qualquer maneira, invente qualquer improviso. Entretanto, nada é mais vital para sua ascensão rumo à fama do que se dar bem com pais e alunos. Jamais critique o aluno na frente dos seus pais, pelo contrário, deixe sempre a perspectiva de melhora, comente nas reuniões afins sobre o fato dos discentes serem inteligentes e que apenas precisam de apoio para se convencer do próprio potencial intelectual.

Enalteça a religião, a família, a união da comunidade escolar. Você precisa fazer valer seu nome bem acima do seu conhecimento. Este é apenas um detalhe. E distribua fartamente boas notas de modo que o aluno leve para casa aquilo que os pais mais desejam: a aprovação no ano letivo. Logo seu trabalho será reconhecido, troféus de “melhor professor” serão rotineiros em suas mãos, terás o nome sempre lembrado para os cargos inúteis, mas que dão dinheiro e em pouco tempo estarás longe da sala de aula. E se você for habitante de uma pequena cidade, prepare-se porque num breve intervalo de tempo será Secretário Municipal de Educação.

PUBLICADO EM VÁRIOS SITES EM O8/11/2011

REDUÇÃO DAS REN’S: UMA ÓTIMA IDEIA!

"Pensar é fácil. Agir é difícil - e agir conforme pensamos, mais difícil ainda." Goethe

Confúcio Moura, após um início in medio virtus no timão estatal fez escolhas equivocadas para SEDUC. A insistência em repetir mesmices típicas dos governos anteriores, como recadastramento de servidores e o funcionamento feijão-com-arroz das unidades escolares deixou o céu das expectativas nublado. Mas, finalmente aparece sinais auspiciosos de algo diferente nos ares da educação.

A decisão de reduzir as REN’s, ao contrário do que se supõe, é um alívio para os cofres da Viúva, uma esperança para aumentar o combalido quadro funcional e docente das escolas e, poderá ser considerada o fim de uma era marcada pelo apadrinhamento político no preenchimento dos inumeráveis cargos predispostos nestas repartições espalhadas pelo Estado e custeadas pela dinheirama de impostos.

Mas, como já era de se esperar, muita gente começa a choramingar. Desconfio que o medo dos renitentes seja encarar a volta para a sala de aula, único lugar onde verdadeiramente mais se trabalha na educação. É provável que a REN não irá fazer falta ao contribuinte pois as escolas têm que aprender a caminhar com as próprias pernas. Pelo contrário, será até benéfico na conquista de mais autonomia administrativa e política, quiçá o início do fim da supremacia do famoso Q.I dos currais eleitoreiros sobre a competência e carreira técnica dentro dos quadros educacionais. O que não pode ser reduzido na educação é o investimento dentro da sala de aula, desde que o dinheiro sirva ao processo de ensino-aprendizagem.

As REN’S irão deixar saudades tão-somente para um público bem específico, constituído por aquelas figurinhas já carimbadas na sociedade em que vivem, donde se alternam entre estado e município no preenchimento de vagas em redutos eleitorais dos seus benfeitores. Vários destes servidores há dezenas de anos, não sabem o que é manusear um palito de giz sobre o quadro; outros sequer têm competência para lecionar e vivem fugindo da docência como o diabo foge da cruz.

Certo deputado estadual alegou o seguinte: “que os profissionais das representações de ensino ainda atuam na aquisição de material para as escolas, como a merenda, material didático e esportivo, kits escolares, além de acumularem a organização de jogos municipais, estaduais e regionais. Além da prestação de contas dos recursos utilizados em reformas e ampliações de escolas”. Argumento pífio, sobretudo porque a própria unidade educacional pode resolver tudo isto e muito mais, chamar ao trabalho as Associações de Pais e Professores para assumir seu papel nas questões administrativas e afins e despertar o cooperativismo entre seus agentes.

Grosso modo, o fim das REN’s já vem tarde. Entretanto, há outras medidas imprescindíveis para mudar a educação rondoniense e rumar para dias melhores: democracia ampla, geral e irrestrita nas eleições de gestores; participação mais efetiva da sociedade nas decisões de projetos e elaboração de currículos; escola integral, em especial para séries iniciais do ensino fundamental; capacitação e incentivo a pesquisa para os docentes; autonomia funcional, administrativa e financeira sem a interferência de políticos ou quaisquer outros sujeitos alheios ao processo de ensino.

Não custa lembrar que um projeto de mudança não pode abrir exceções nem cair por medo no retrocesso de ceder à pressões política já que para governar não basta ser homem, tem que ser um campo de batalha. Ou se muda de uma vez ou enfia a viola no saco e deixa tudo como está e vai ser blogueiro.

Publicado no TUDORONDONIA em 30/09/2011

DIVIDINDO O BOLO DO FRACASSO DA EDUCAÇÃO: A FATIA QUE CABE AOS ALUNOS!

As fatias do bolo recheadas de problemas crônicos que não desgrudam da educação são sempre divididas entre seus tradicionais convivas: as duas maiores fatias são entregues em pratinho de papelão para o governo e, não descartando certa postura injusta, para os professores. Ainda sobra um belo naco para a escola e outro bem menor tem que ser digerido pelos pais. Mas sobra uma fatia exposta à omissão de todos, e ninguém ainda teve coragem de entregá-la, talvez por tal missão ser nos tempos atuais, politicamente incorreta. Faço questão de oferecê-la, sem o menor pudor de ser contestado, a quem por direito merece, pois já é hora de um grupo numeroso sentar-se à mesa e assumir sua responsabilidade pela fatia de bolo com cobertura de fiasco no processo de ensino-aprendizagem: os alunos!

Com o advento da internet, grande parte dos discentes prefere usar a rede mundial de computadores para se divertir em games, conversar pelo msn ou similares, teclar nos sites de relacionamentos e sucedâneos. Enquanto desperdiça horas com mensagens inócuas refestelada por uma linguagem peculiarmente medíocre, são poucos que atinam a baixar e ler textos produtivos ou navegar em sites culturais. Sequer veem o novo tempo da educação, onde o mesmo computador que utiliza para a futilidade desmedida, por outro lado, representa uma poderosa ferramenta para auxiliá-lo na construção do saber, de uma forma prazerosa, divertida, e plena de alternativas de pesquisa se souber aproveitá-lo. A internet produz o veneno e o remédio ao mesmo tempo. Cabe ao usuário a opção!

Enquanto isso, na escola, numerosos discentes reclamam por não saber redigir um texto de vinte linhas como se o professor de português tivesse uma fórmula mágica de ensiná-los a colocar no papel o que pensam sobre determinando tema. Jamais farão isso porque a solução para escrever bem é se apropriar — através do excesso de leitura — da riqueza vocabular. E são poucos os que se interessam em dominar as técnicas. Quem vive a realidade cotidiana da sala de aula, defronta-se, não raras vezes, com dificuldades em superar a letargia dos alunos em ler o mínimo possível. Alguns, mal-alfabetizados, sequer conseguem decifrar as garatujas no papel. Dominam bem o celular, aparelhos de áudio, os jogos na net, as conversas paralelas e sucedâneos. Entretanto, fluência da língua, interpretação de textos, cálculos, etc., salvo exceções, não aprendem nem demonstram interesse.

Nada contra o atual contexto onde as novas tecnologias da informação e da comunicação ultrapassam o corpo físico, transformando-se em extensões do pensamento e dos sentidos, potencializando as ações humanas. Há anos, os professores gaúchos utilizam o computador como ferramenta auxiliar na alfabetização. Todavia, com o limiar do novo século marcado pelo incrível desenvolvimento tecnológico, onde alfabetizada será a criança que utilizar com destreza o computador em detrimento da escrita manual, questionamos se ainda há meios para pais e mestres reverterem esta situação de indiferença dos alunos, sobretudo porque, as escolas estão sucateadas, os investimentos escorrem pelo ralo da corrupção e os bons professores se tornaram uma espécie em extinção. Se não há solução em curto prazo, o bolo do fiasco educacional continuará a ser fatiado entre os convivas de sempre. Alunos, sentem-se à mesa e bom apetite!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

PUBLICADO NO SITE TUDORONDÔNIA EM 29/07/2011

A EDUCAÇÃO E O SANTO DE CASA QUE NÃO FAZ MILAGRE!

Se existe algo difícil de entender é como as secretarias de educação pretendem elevar o nível de conhecimento nas escolas públicas diante da situação precária das bibliotecas. Elas deveriam ser um centro de pesquisa integrada à internet como nos países desenvolvidos, não obstante, estão relegadas à condição de valhacouto de insetos. Pobres livros! Mereciam um destino melhor. Logo num país que se lê tão pouco. Observa-se acervos desatualizados, espaço exalando odores de mofo, amontoado de prateleiras improvisadas em saletas desconfortáveis.

Em Rondônia, o desrespeito maior dos gestores da educação é com nossos escritores que, mediante dificuldades financeiras para pesquisa e publicação das suas obras, não desistem de produzi-las, vencendo obstáculos para divulgá-las. Os livros existentes nas escolas de autores regionais são minguados, isso quando se tem alguma unidade. O Governo do Estado que deveria dar o exemplo aos municípios, é descompromissado na aquisição destas obras, a ponto do ensino médio só não estar em frangalhos por causa dos materiais didáticos enviados pelo Governo Federal.

E veja que nós temos excelentes escritores. Não tenho espaço para citar todos, mas honra-me enunciar alguns que deveriam ser leitura obrigatória para os estudantes de ensino fundamental e médio e presença constante nas improvisadas bibliotecas das escolas. Cito de início, o excelente escritor Matias Mendes, homem simples do Vale do Guaporé, dotado de inteligência acima da média que escreve de forma prazerosa. Seus livros exaltam a rica cultura da região, sua poesia é encantadora e denota um vasto conhecimento da nossa história.

O Prof. Dante Ribeiro da Fonseca publica trabalhos acadêmicos mais extensivos ao ensino médio além do já conhecido “História Regional”, em parceria com o Prof. Marco Antônio Teixeira, obra que é referência para concursos públicos; Francisco Matias escreve com profundo conhecimento da nossa historiografia; o livro do imortal Emanuel Pontes Pinto é essencial para uma visão histórica mais detalhada da formação de Rondônia; Yêda Borzacov é - por excelência - a dama da intelectualidade rondoniense; o saudoso mestre Paulo Saldanha Sobrinho conta histórias fantásticas do início da colonização do Estado.

Poderíamos citar ainda Manuel Rodrigues Ferreira e a saga da EFMM, Abnael Machado, Esron Menezes (in memorian), Ovídio Amélio, Antônio Cândido, um craque na nossa literatura, Flávio Lima e Odenildo Veloso, como expoentes da nossa produção geográfica entre outros. Eles merecem um vau de reconhecimento maior, mas, suas obras deviam ser adquiridas e expostas nas bibliotecas das escolas públicas. O Estado desperdiça dinheiro com tantas publicações duvidosas (quem não se lembra daquelas apostilas chinfrins do governo anterior?) por que não comprar os livros dos nossos autores?

As produções dos professores também não têm deixado a desejar. Por iniciativas individuais, estiveram vencendo prêmios importantes como o da Editora Abril. Algumas cidades têm projetos desenvolvidos por seus docentes cujo talento não encontra palco para divulgação, relegando-os ao anonimato. De imediato me lembrei das dificuldades dos “tios e tias” das séries iniciais em conseguir material didático para elaborar aulas de história regional para a criançada.

Esta desvalorização com a cultura, com os escritores e com os próprios alunos da escola pública ocorre diariamente em vários municípios. Nas escolas do Estado, seria até redundância falar do legado de má-qualidade de ensino do governo anterior e as poucas e nada alvissareiras mudanças do governo atual. Talvez, o baixo intelecto dos que gerem os recursos da educação de Rondônia o façam pensar que educação de qualidade se constrói apenas com reformas de prédios e não incluem uma biblioteca decente.

Livros então, quando adquiriem, geralmente privilegiam autores de fora. Como sentencia aquele velho provérbio, nossos bons escritores são santos de casa que não fazem milagres.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A EXPLORAÇÃO DOS BANCOS

O governo perdeu por completo o controle sobre os bancos. Na mídia escrita e televisiva me deparo com a divulgação de balanços semestrais que nos informam os bilhões de reais dos lucros auferidos nestas instituições em razão dos juros exorbitantes cobrados sobre empréstimos pessoais, de dezenas de tarifas e taxas de prestação de serviços pagas pelo cliente. Até os bancos estatais consomem vorazmente da conta até o último mísero centavo dos próprios patrões (o povo brasileiro em tese) correntistas.

Veja o caso do Banco do Brasil, “patrimônio do povo”, só para citar como exemplo: depois de um pequeno número de saques nos terminais eletrônicos, esse Banco cobra para cada retirada de dinheiro, independente do valor da quantia, tarifas altas caso o cidadão não possa ou não queira comprar o pacote de serviços mensal. No saque do cartão de crédito a tarifa ainda é maior. Pode até ser legal, porém é abusiva demais. Quem já viu a pessoa física, principalmente o simples trabalhador, ter a obrigação de pagar essa taxa para retirar o próprio dinheiro? Já não bastam os lucros gigantescos?

Parece-me até que a visão do Banco sobre o pequeno correntista é de que a Instituição está fazendo enorme favor em dispor a agência para depósito do seu parco dinheirinho. E cada tarifa-saque cobrada é um pouco de comida a menos que o trabalhador deixa de por na mesa em casa, ou então, fica sem o pão para tomar café cedinho, antes de ir à labuta.

O mais grave é que ninguém faz absolutamente nada contra esta imoralidade. Nenhum representante do povo no Congresso Nacional se manifesta. Algumas pessoas ainda reclamam que não sabem o que está sendo descontado, pois o extrato é igual ao livro universitário de matemática, só tem números e códigos ininteligíveis para o cidadão humilde. Outros reclamam que o serviço é péssimo, lento, burocrático com filas que andam tão rápidas como o carro de Barrichello na fórmula um. Em relação às falhas, a culpa não é mais do gerente nem dos funcionários e sim, do tal de “sistema”. Desconto indevido? Culpa do “sistema”! Empréstimo não saiu? Culpa do “sistema”! Cheque especial não renovou? O “sistema” está exigindo recadastramento! O caixa eletrônico não funciona? O “sistema” está fora do ar. Ninguém merece!

Na conta-corrente de pobre, geralmente ficam dezoito reais. Dois dias depois só tem R$ 17,20; dez dias se passam e aparece R$ 11,00 e assim se sucede, pelo menos é a reclamação que mais escuto quando fico na fila dos caixas-eletrônicos. Sugiro ao povo brasileiro que - em tese - é o proprietário do Banco do Brasil, a venda para a iniciativa privada de todas as ações. Vamos investir o dinheiro na melhoria dos hospitais públicos, na informatização das escolas de cidades com maiores índices de pobreza, no saneamento básico, etc.

Afinal de contas eu sempre me pergunto, que serventia tem o país com bancos? Se depender de mim, pode vender tudo. Entretanto, advirto: não entregue o dinheiro arrecadado nas mãos de prefeitos ou de alguns governadores porque a grana vai sumir. E aí, a culpa não será do tal “sistema”.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

PUBLICADO NO TUDORONDONIA.COM EM 18/06/2011

REGRAS BÁSICAS PARA SER UM EXCELENTE PROFESSOR

Para alcançar sucesso na educação rondoniense não há segredos. Conquistar popularidade na escola que você trabalha é o caminho das pedras. Basta seguir algumas regrinhas básicas. O desafio elementar para o sucesso é ser popular entre a comunidade escolar, principalmente entre os alunos. Deve-se adentrar o ambiente de trabalho cumprimentando todos, do simples funcionário até o graduado, não economizando elogios e apertos de mão porque na educação, fazer críticas, mesmo justas, cria uma amargura tão profunda nos nossos pares que sua presença passa a ser um incômodo digno da mais insensata aversão.

Lembre-se de elevar o moral da equipe gestora, sobretudo do diretor. Ele sempre tem algum projeto, às vezes mera nulidade, mas é útil elogiá-lo, aplaudir sua capacidade de por em prática “tamanha inovação” nunca dantes vista na história do colégio que dirige. Faça o mesmo com o supervisor e o orientador educacional, defenda-os em público, demonstre sua admiração com quem coordena aquela burocracia inútil de maneira que eles jamais possam adverti-lo e sim, defendê-lo exaustivamente em razão das suas benevolentes palavras.

Conta pontos demonstrar felicidade com cartazes que decoram a sala dos mestres. São penduricalhos de uma cafonice contumaz, mas finja que aquela pieguice pinçada dos cafundós da internet enche o seu coração de júbilo. Aos erros de grafia, dissimule porque quem o escreveu sempre vai jogar a culpa em algum funcionário desavisado que não cumpriu as ordens da equipe. Nas reuniões pedagógicas, discuta, emocione-se com a insuportável leitura compartilhada, mesmo que os temas sejam jargões ultrapassados, tipo, “formar cidadãos críticos, dar uma aula mais atrativa”, etc. Parabenize sem economizar palavras a capacidade intelectual de cada professor. Use termos como “falar a mesma língua”, “sua didática é excelente”, “seu método é nota dez” e por aí vai.

Apresente projetos que envolva música, dança ou futebol, mesmo que não seja lá grande coisa; faça seu marketing pessoal prevalecer. Inevitavelmente, sua carga horária em sala de aula diminuirá em razão da sua dedicação aos “projetos” postos em prática. Não se esqueça de envolver o representante de ensino em suas preleções, inflacionando-lhe sua importância, sua capacidade administrativa, sua humildade no trato com seus comandados, sem se importar que a nomeação seja resultante do peleguismo farejador de cargos públicos. Daí ser útil a sua presença na REN para sentir de perto o enorme apreço à causa educativa dos que ali labutam e que se pudessem “optariam pela sala de aula”.

Se quiser flanar pelos corredores da escola leve sempre à mão um livro, folhas de papel ou material de trabalho para que “os olhos e os ouvidos do rei” notem que você, apesar de temporariamente fora da escrivaninha, preocupa-se com seus afazeres e lê bastante. Seja presença constante nas festinhas da escola, deguste a fatia do bolo melequento, beba pelo menos um copinho de refrigerante barato. Participe das palestras, questione os temas. Não é difícil. O assunto é repetitivo como DST/AIDS, drogas e o tal de bullyng. Seja eloqüente na semana da cidadania, rodopie igual peru na festa junina, faça parte da comissão organizadora desses eventos.

Suas aulas devem ser programadas constantemente com visitas às instituições públicas, por exemplo, a Prefeitura e a Câmara Municipal. Exclua da sua disciplina assuntos triviais, privilegie os misteriosos, enigmáticos, atuais e caso seja indagado sobre o que você não sabe, responda de qualquer maneira, invente qualquer improviso. Entretanto, nada é mais vital para sua ascensão rumo à fama do que se dar bem com pais e alunos. Jamais critique o aluno na frente dos seus pais, pelo contrário, deixe sempre a perspectiva de melhora, comente nas reuniões afins sobre o fato dos discentes serem inteligentes e que apenas precisam de apoio para se convencer do próprio potencial intelectual.

Enalteça a religião, a família, a união da comunidade escolar. Você precisa fazer valer seu nome bem acima do seu conhecimento. Este é apenas um detalhe. E distribua fartamente boas notas de modo que o aluno leve para casa aquilo que os pais mais desejam: a aprovação no ano letivo. Logo seu trabalho será reconhecido, troféus de “melhor professor” serão rotineiros em suas mãos, terás o nome sempre lembrado para os cargos inúteis, mas que dão dinheiro e em pouco tempo estarás longe da sala de aula. E se você for habitante de uma pequena cidade, prepare-se porque num breve intervalo de tempo será Secretário Municipal de Educação.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

PUBLICADO NO GENTE DE OPINIÃO EM 25/04/2011

O OVO DE PÁSCOA DO REI

Páscoa é tempo de orações, jejuns e atos similares para os rondonienses seguidores da tradição cristã ocidental. É também tempo de faturamento do comércio com propagandas rebuscadas exibindo múltiplas variedades de produtos, mormente ovos de páscoa, nem sempre acessíveis às camadas populares. Dentre elas, uma parcela significativa de funcionários públicos.

Aconteceu que num destes grandes supermercados presenciei uma cena triste, melancólica, mas enternecedora. Uma seção inteira exibia uma variedade de ovos de chocolate, chamativa, colorida, de marcas famosas e de forte apelo consumista aos infantes presentes. São os pecados irresistíveis do capitalismo globalizado que nos oferece o que não se pode comprar.

A minoria mais abastada elevava seus filhos às gondolas para escolha daquelas finas iguarias e saíam todos sorridentes. Cada pimpolho com seu troféu sob os braços, rejubilados pelo regalo concedido pelos pais. Quanta bonança.

Entre tantos consumidores, apenas um senhor baixo, roupa simples, olhar melindroso, chamou-me a atenção. Segurando o bracinho do seu neto que insistia em apontar-lhe a direção dos ovos de páscoa. Diante da negativa, chorava copiosamente, irredutível, sem querer ouvir as explicações do avô, já encabulado, de que aquele produto era caro e não cabia no seu orçamento.

Ao me aproximar, indaguei-lhe sobre a saia justa e ele, sensível e constrangido, confirmou que o seu rebento era duma teimosia medonha, mas não podia realizar seu desejo, sobretudo porque, o preço do produto era maior do que as taxas de água e energia da sua modesta casa.

Por curiosidade consultei-o sobre seu trabalho, sua profissão. Era servidor de apoio da educação, fazia serviços gerais na escola e lidava há mais de trinta anos como funcionário público. Lembrava-me saudoso que se fosse à época do Coronel Jorge Teixeira, não estaria passando por aquela humilhação. Longos anos de dedicação lhe retribuíam na atualidade pouco mais de seiscentos reais, o que o obrigava a uma vida limitada, digna somente de sacrifícios.

Alguns burgueses presentes ouviam nossa prosa na mais enfadonha omissão. Assim como omisso está o Rei, seus auxiliares, seus potentados de apoio, todos se refestelando com fartura e graça, mesa cheia de guloseimas, pois tiveram seus salários largamente recheados de chocolate à custa dos contribuintes. Orçamento e justificativa para isso, o Rei tem de sobra.

Não tive dúvidas, tive atitude. Saquei da carteira o dinheiro que deveria também ser o passaporte para minha primeira páscoa depois que abandonei a carreira de professor e presenteei o pirralho com um ovo da melhor qualidade sob o olhar de incredulidade do avô.

Voltei pra casa sem comprar nada, carregando apenas um coração repleto de alegria por ter praticado aquela inesperada boa ação: dar a uma criança pobre o mesmo ovo de chocolate servido na mesa do Rei.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

PUBLICADO NO TUDORONDONIA EM 15/O4/2011

EDUCAÇÃO NA ERA CONFÚCIO: 100 DIAS DE BLABLABLÁ!

Prof. Diogo Tobias Filho*

Se relembrarmos o programa eleitoral do então candidato Confúcio Moura em 15 de outubro de 2010 no dia alusivo aos professores poderemos inferir que se trata realmente de propaganda enganosa, um caso inequívoco de leviandade política digna de ser levada ao Procon. Nem de longe o discurso prometido passou próximo dos atos praticados até agora.

A decepção mais uma vez venceu a esperança e o mais grave, após sobrevivermos oito longos anos de espoliações, perseguições e desrespeito impetrados pelo medievalismo do flagelo da educação, Ivo Cassol que até hoje se refestela com privilégios adquiridos à custa do contribuinte.

Até na fatia da esmola que o novo governo insiste em cognominar de aumento salarial, o filósofo de Ariquemes perdeu feio para Cassol, conquanto os dois primeiros reajustes concedidos pela república da roça rolimourense tiveram percentuais mais elevados: dez e sete por cento. Caímos ingenuamente noutro engodo.

Observe-se que há diferenças culturais gritantes entre Confúcio e seus antecessores. O atual governador é dialógico, olhar matreiro, conversador e usa seu blog para diagnosticar os problemas da educação rondonienses apontando inclusive soluções. Para quem antes da posse viajou o Brasil para copiar projetos bem sucedidos, importou secretários com “vasta experiência” para algumas áreas carentes de intelectuais, imprimiu uma nomeação com a cara do setor privado na Secretaria de Educação e sucedâneos, o início de governo é relativamente pífio. Até na hora de sapecar dinheiro no pobre bolso dos funcionários, deu demais para os napoleões da burocracia que já ganham bem e uma gorjeta aos barnabés.

Cá com meus botões, penso eu: a sabedoria popular não erra, todo político calça mesmo o número 40. Se em 500 anos nenhum governante resolveu melhorar as condições da escola pública, mormente os soldos dos seus soldados-docentes, não é um cidadão, só porque tem nome de filósofo chinês, que fará alguma diferença. Em Ariquemes os professores passaram pelas mesmas agruras e desilusões durante a gestão de Confúcio.

Desiludido, resolvi por um ponto final na minha carreira de professor. Cansei de esperar o dia de felicidade que nunca virá. Passar longos anos queimando as pestanas numa universidade pra valer menos que um auxílio-moradia de um zé ruela qualquer foi um golpe duro demais pra quem já vive às turras com as adversidades do trabalho docente. Lamento que a saída não seja uma decisão coletiva da categoria. Surtiria mais efeito que qualquer greve. Quanto a mim, não sei se é um pedido de demissão ou um grito de liberdade.

Eu não preciso da docência. Quem necessita dela é a sociedade que tem de educar seus consanguíneos. Professor precisa de dinheiro no bolso para compensar a vida conturbada que leva. Se discordarem de mim, observem a maioria dos docentes de uma escola. Estão envelhecidos, cabelos enxertados de tintura, faces não mais risonhas, olhares bisonhos, à beira da depressão, corolários do efeito avassalador de uma faina desgastante.

Diante da humilhação de ter 6% a mais no raquítico contracheque, abandonei o barco da educação e juro, estou me sentindo mais leve, livre da hipocrisia de reuniões pedagógicas, liberto daquelas comemorações insuportáveis tipo festa junina, dia do professor, semana da cidadania e outras enrolações. Agora vou preencher meu ócio lendo o Confúcio chinês ao invés de perder tempo com o blablablá do Confúcio de Ariquemes que por sinal, já ultrapassou cem dias.

22/06/2010 - Artigos PUBLICAÇÃO/gentedeopiniao.com

OPINIÃO: A EDUCAÇÃO ESTADUAL E AS ELEIÇÕES DE 2010

22/06/2010 - [08:31] - Artigos


Prof. Diogo Tobias Filho*

Parece estar começando com o ano eleitoral a temporada de promessas e soluções mágicas para os problemas de Rondônia. Estão no palco das ilusões os quatro possíveis candidatos a governador. Mais uma vez, a educação é o carro-chefe das campanhas e, pasmem, anunciam-se intenções de valorização do professor, embora esse papo furado, de tão manjado por ser repetitivo em eleições anteriores, ninguém dá mais crédito.

A pergunta que faz o professor é se realmente algo vai mudar? A certeza sobre o futuro é que pior não pode ficar principalmente depois que os trabalhadores em educação sobreviveram sete anos sendo humilhados, enfrentando as agruras financeiras provocadas pelo flagelo da educação, Ivo Cassol, que se despediu dos subservientes deputados enquanto lá fora, os cassetetes do proletariado armado deixavam em destroços a linha de frente dos bravos servidores que lutavam por suas carreiras no magistério laboral. Todavia, foram tão unidos, algo nunca d’antes visto em greves anteriores, que o próprio sindicato da categoria teve dificuldades em acabar o movimento.

Mas qual o limite que separa a teoria da prática dos possíveis candidatos nos seus esforços em captar votos? Como analisá-los? João Cahulla dispensa comentários por representar a continuidade do pior governo da história para a educação. Ademais, sequer cumpriu o acordado para final da greve sonegando míseros tostões de uma atualização funcional de direito. Confúcio Moura teve seus problemas com professores municipais e isso é um mau presságio. Discorda da carga horária de 60 h e disse que pedagogos sabem tudo de Paulo Freire, porém não sabem dar aulas, mesmo sem ser nenhuma autoridade na área. Eduardo Valverde se destacou mais pela defesa do fim da estabilidade do funcionalismo (ideia típica de neoliberais) e na gafe de assinar documento do CQC sem ler, enquanto Expedito Júnior, carrega o peso de ajudar eleger ao governo um entregador de feijões odiado pelos trabalhadores em educação e amado pelos comissionados e pilotos de carrões importados.

A verdade é que não há no momento empolgação dos educadores de sala de aula e do pessoal de apoio, porquanto a resolução de parte dos problemas passa necessariamente pela obrigatoriedade de colocar dinheiro no bolso do professor e dos outros servidores. Sem esta ação, jamais adiantará projetos pomposos, encontro em hotéis de luxo e outras invenções casuísticas. Só vai servir para jogar fora o dinheiro da educação, como fizeram os “intelectuais” cassolistas.

Como diria Karl Marx, de nada adianta boas ideias sem homens para pô-las em prática. Na atual conjuntura política rondoniense não há nenhuma coisa nem outra!

PUBLICAÇÃO:22/06/2010 - Artigo/gentedeopiniao.com

OPINIÃO: A EDUCAÇÃO ESTADUAL E AS ELEIÇÕES DE 2010


Prof. Diogo Tobias Filho*

Parece estar começando com o ano eleitoral a temporada de promessas e soluções mágicas para os problemas de Rondônia. Estão no palco das ilusões os quatro possíveis candidatos a governador. Mais uma vez, a educação é o carro-chefe das campanhas e, pasmem, anunciam-se intenções de valorização do professor, embora esse papo furado, de tão manjado por ser repetitivo em eleições anteriores, ninguém dá mais crédito.

A pergunta que faz o professor é se realmente algo vai mudar? A certeza sobre o futuro é que pior não pode ficar principalmente depois que os trabalhadores em educação sobreviveram sete anos sendo humilhados, enfrentando as agruras financeiras provocadas pelo flagelo da educação, Ivo Cassol, que se despediu dos subservientes deputados enquanto lá fora, os cassetetes do proletariado armado deixavam em destroços a linha de frente dos bravos servidores que lutavam por suas carreiras no magistério laboral. Todavia, foram tão unidos, algo nunca d’antes visto em greves anteriores, que o próprio sindicato da categoria teve dificuldades em acabar o movimento.

Mas qual o limite que separa a teoria da prática dos possíveis candidatos nos seus esforços em captar votos? Como analisá-los? João Cahulla dispensa comentários por representar a continuidade do pior governo da história para a educação. Ademais, sequer cumpriu o acordado para final da greve sonegando míseros tostões de uma atualização funcional de direito. Confúcio Moura teve seus problemas com professores municipais e isso é um mau presságio. Discorda da carga horária de 60 h e disse que pedagogos sabem tudo de Paulo Freire, porém não sabem dar aulas, mesmo sem ser nenhuma autoridade na área. Eduardo Valverde se destacou mais pela defesa do fim da estabilidade do funcionalismo (ideia típica de neoliberais) e na gafe de assinar documento do CQC sem ler, enquanto Expedito Júnior, carrega o peso de ajudar eleger ao governo um entregador de feijões odiado pelos trabalhadores em educação e amado pelos comissionados e pilotos de carrões importados.

A verdade é que não há no momento empolgação dos educadores de sala de aula e do pessoal de apoio, porquanto a resolução de parte dos problemas passa necessariamente pela obrigatoriedade de colocar dinheiro no bolso do professor e dos outros servidores. Sem esta ação, jamais adiantará projetos pomposos, encontro em hotéis de luxo e outras invenções casuísticas. Só vai servir para jogar fora o dinheiro da educação, como fizeram os “intelectuais” cassolistas.

Como diria Karl Marx, de nada adianta boas ideias sem homens para pô-las em prática. Na atual conjuntura política rondoniense não há nenhuma coisa nem outra!

24/02/2011 - PUBLICAÇÃO - Artigos/gentedeopiniao.com

CONFÚCIO MOURA E AS REPRESENTAÇÕES DE ENSINO


O governador escreveu no seu blog que está um tanto quanto desconfiado ante o excesso de funcionários lotados nas representações de ensino. E esse fato, por acaso é novidade? Confúcio não sabe da missa nem a metade. Quem lida no cotidiano da educação conhece de perto essas mazelas de desvio de função. Em algumas REN’s do interior há casos não raros de professores recém-concursados que estão lotados em funções meramente burocráticas ou assumindo vagas de pedagogos (gerências pedagógicas, por exemplo), enquanto as escolas se excedem nas sacudidelas para suprir a falta crônica de professores em sala de aula.

Esses vícios são antigos. Não é fácil reverter essa situação do dia para noite, pois se trata duma prática assaz arraigada nos grupelhos partidários e cinicamente planejada durante a campanha eletiva. E só existe uma forma de combatê-la com o rigor que a situação exige: extinguir as REN’s, esses órgãos perdulários, ineficazes e que só são úteis para acomodar apadrinhados políticos dos chefes locais. Mas para o sucesso desta corajosa empreitada, também é indispensável que se dê autonomia às escolas assim como ocorre nas universidades e institutos federais, tanto no campo gerencial como no setor financeiro, descentralizando certas decisões de gabinete, sobretudo porque, é o grupo gestor e não o representante de ensino que lida com os múltiplos problemas elementares do dia-a-dia de uma instituição escolar.

As REN’s nada mais significam que um modelo ultrapassado de gerenciar o nada, um cabide grosso de funções gratificadas, onde alguns professores e funcionários são recompensados pela opção política vencedora que fizeram tendo o usufruto de ficar distante do trabalho cansativo e mal remunerado de sala de aula. Há casos de docentes formados em áreas distintas às atividades de organização pedagógica, porém estão lá, exercendo gerência, coordenando supostos projetos, sabe-se lá de quê, executando prestação de contas ou até montados em cargos de gestão, mesmo havendo em certos casos, especialistas para área. São os que mais viajam para cursos inócuos e dispendiosos que se apresentassem resultados profícuos, o governo Cassol teria elevado Rondônia aos patamares do primeiro mundo em apropriação de conhecimento.

Ainda se utiliza no staff dos bambambãs das REN’s, motoristas, vigilantes, auxiliares de serviços gerais, profissionais da área administrativa e sucedâneos, malgrado a estrutura de algumas escolas pulular para conseguir cumprir suas jornadas na base da gambiarra funcional. O mais grave é quando se utiliza nestas ações pífias, profissionais das áreas críticas tipo química, biologia, matemática, inglês, física, etc., deixando alunos à mingua e o ensino à beira da bancarrota.

Então entra em cena a figura daquele lobo em pele de cordeiro que é o representante de ensino, comumente, alguém envolvido em política partidária, com perfil de professor que sequer se recorda mais qual foi o último dia em que lecionou na profissão. De posse dum pacote de contratos emergenciais destinados aos futuros fazedores de bico, o cidadão anuncia o pregão de contratações. Contrata-se muitas vezes alguém completamente despreparado ou de formação oposta à docência e o resultado todos sabem: fiasco na hora da avaliação oficial, notas ruins que generalizam o baixo desempenho da educação. Na hora de escolher os culpados pelo fracasso, a corda arrebenta nas costas dos professores titulares, deixando ilesos de culpabilidades, os sem-compromisso com o processo de ensino-aprendizagem.

Se o governador Confúcio quiser realmente começar a inovar na educação, deve ser radical e extinguir todas as REN’s, instituir a democracia plena na rede, livrando-a do jugo político em que se encontra refém. Entendo que as coisas não são tão simples assim. Tudo é consequência. Mas para todos os atos de inovação existe sempre o dia seguinte. E ele chegará com uma grande quantidade de servidores buscando lotação nas escolas, oriundos das representações de ensino. Finalmente teremos aquele prazer de ver um ex-representante de ensino trabalhar de verdade em sala de aula. E a carência de mão-de-obra diminuir com a chegada de antigos novos professores.