O OVO DE PÁSCOA DO REI
Páscoa é tempo de orações, jejuns e atos similares para os rondonienses seguidores da tradição cristã ocidental. É também tempo de faturamento do comércio com propagandas rebuscadas exibindo múltiplas variedades de produtos, mormente ovos de páscoa, nem sempre acessíveis às camadas populares. Dentre elas, uma parcela significativa de funcionários públicos.
Aconteceu que num destes grandes supermercados presenciei uma cena triste, melancólica, mas enternecedora. Uma seção inteira exibia uma variedade de ovos de chocolate, chamativa, colorida, de marcas famosas e de forte apelo consumista aos infantes presentes. São os pecados irresistíveis do capitalismo globalizado que nos oferece o que não se pode comprar.
A minoria mais abastada elevava seus filhos às gondolas para escolha daquelas finas iguarias e saíam todos sorridentes. Cada pimpolho com seu troféu sob os braços, rejubilados pelo regalo concedido pelos pais. Quanta bonança.
Entre tantos consumidores, apenas um senhor baixo, roupa simples, olhar melindroso, chamou-me a atenção. Segurando o bracinho do seu neto que insistia em apontar-lhe a direção dos ovos de páscoa. Diante da negativa, chorava copiosamente, irredutível, sem querer ouvir as explicações do avô, já encabulado, de que aquele produto era caro e não cabia no seu orçamento.
Ao me aproximar, indaguei-lhe sobre a saia justa e ele, sensível e constrangido, confirmou que o seu rebento era duma teimosia medonha, mas não podia realizar seu desejo, sobretudo porque, o preço do produto era maior do que as taxas de água e energia da sua modesta casa.
Por curiosidade consultei-o sobre seu trabalho, sua profissão. Era servidor de apoio da educação, fazia serviços gerais na escola e lidava há mais de trinta anos como funcionário público. Lembrava-me saudoso que se fosse à época do Coronel Jorge Teixeira, não estaria passando por aquela humilhação. Longos anos de dedicação lhe retribuíam na atualidade pouco mais de seiscentos reais, o que o obrigava a uma vida limitada, digna somente de sacrifícios.
Alguns burgueses presentes ouviam nossa prosa na mais enfadonha omissão. Assim como omisso está o Rei, seus auxiliares, seus potentados de apoio, todos se refestelando com fartura e graça, mesa cheia de guloseimas, pois tiveram seus salários largamente recheados de chocolate à custa dos contribuintes. Orçamento e justificativa para isso, o Rei tem de sobra.
Não tive dúvidas, tive atitude. Saquei da carteira o dinheiro que deveria também ser o passaporte para minha primeira páscoa depois que abandonei a carreira de professor e presenteei o pirralho com um ovo da melhor qualidade sob o olhar de incredulidade do avô.
Voltei pra casa sem comprar nada, carregando apenas um coração repleto de alegria por ter praticado aquela inesperada boa ação: dar a uma criança pobre o mesmo ovo de chocolate servido na mesa do Rei.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
PUBLICADO NO TUDORONDONIA EM 15/O4/2011
EDUCAÇÃO NA ERA CONFÚCIO: 100 DIAS DE BLABLABLÁ!
Prof. Diogo Tobias Filho*
Se relembrarmos o programa eleitoral do então candidato Confúcio Moura em 15 de outubro de 2010 no dia alusivo aos professores poderemos inferir que se trata realmente de propaganda enganosa, um caso inequívoco de leviandade política digna de ser levada ao Procon. Nem de longe o discurso prometido passou próximo dos atos praticados até agora.
A decepção mais uma vez venceu a esperança e o mais grave, após sobrevivermos oito longos anos de espoliações, perseguições e desrespeito impetrados pelo medievalismo do flagelo da educação, Ivo Cassol que até hoje se refestela com privilégios adquiridos à custa do contribuinte.
Até na fatia da esmola que o novo governo insiste em cognominar de aumento salarial, o filósofo de Ariquemes perdeu feio para Cassol, conquanto os dois primeiros reajustes concedidos pela república da roça rolimourense tiveram percentuais mais elevados: dez e sete por cento. Caímos ingenuamente noutro engodo.
Observe-se que há diferenças culturais gritantes entre Confúcio e seus antecessores. O atual governador é dialógico, olhar matreiro, conversador e usa seu blog para diagnosticar os problemas da educação rondonienses apontando inclusive soluções. Para quem antes da posse viajou o Brasil para copiar projetos bem sucedidos, importou secretários com “vasta experiência” para algumas áreas carentes de intelectuais, imprimiu uma nomeação com a cara do setor privado na Secretaria de Educação e sucedâneos, o início de governo é relativamente pífio. Até na hora de sapecar dinheiro no pobre bolso dos funcionários, deu demais para os napoleões da burocracia que já ganham bem e uma gorjeta aos barnabés.
Cá com meus botões, penso eu: a sabedoria popular não erra, todo político calça mesmo o número 40. Se em 500 anos nenhum governante resolveu melhorar as condições da escola pública, mormente os soldos dos seus soldados-docentes, não é um cidadão, só porque tem nome de filósofo chinês, que fará alguma diferença. Em Ariquemes os professores passaram pelas mesmas agruras e desilusões durante a gestão de Confúcio.
Desiludido, resolvi por um ponto final na minha carreira de professor. Cansei de esperar o dia de felicidade que nunca virá. Passar longos anos queimando as pestanas numa universidade pra valer menos que um auxílio-moradia de um zé ruela qualquer foi um golpe duro demais pra quem já vive às turras com as adversidades do trabalho docente. Lamento que a saída não seja uma decisão coletiva da categoria. Surtiria mais efeito que qualquer greve. Quanto a mim, não sei se é um pedido de demissão ou um grito de liberdade.
Eu não preciso da docência. Quem necessita dela é a sociedade que tem de educar seus consanguíneos. Professor precisa de dinheiro no bolso para compensar a vida conturbada que leva. Se discordarem de mim, observem a maioria dos docentes de uma escola. Estão envelhecidos, cabelos enxertados de tintura, faces não mais risonhas, olhares bisonhos, à beira da depressão, corolários do efeito avassalador de uma faina desgastante.
Diante da humilhação de ter 6% a mais no raquítico contracheque, abandonei o barco da educação e juro, estou me sentindo mais leve, livre da hipocrisia de reuniões pedagógicas, liberto daquelas comemorações insuportáveis tipo festa junina, dia do professor, semana da cidadania e outras enrolações. Agora vou preencher meu ócio lendo o Confúcio chinês ao invés de perder tempo com o blablablá do Confúcio de Ariquemes que por sinal, já ultrapassou cem dias.
Prof. Diogo Tobias Filho*
Se relembrarmos o programa eleitoral do então candidato Confúcio Moura em 15 de outubro de 2010 no dia alusivo aos professores poderemos inferir que se trata realmente de propaganda enganosa, um caso inequívoco de leviandade política digna de ser levada ao Procon. Nem de longe o discurso prometido passou próximo dos atos praticados até agora.
A decepção mais uma vez venceu a esperança e o mais grave, após sobrevivermos oito longos anos de espoliações, perseguições e desrespeito impetrados pelo medievalismo do flagelo da educação, Ivo Cassol que até hoje se refestela com privilégios adquiridos à custa do contribuinte.
Até na fatia da esmola que o novo governo insiste em cognominar de aumento salarial, o filósofo de Ariquemes perdeu feio para Cassol, conquanto os dois primeiros reajustes concedidos pela república da roça rolimourense tiveram percentuais mais elevados: dez e sete por cento. Caímos ingenuamente noutro engodo.
Observe-se que há diferenças culturais gritantes entre Confúcio e seus antecessores. O atual governador é dialógico, olhar matreiro, conversador e usa seu blog para diagnosticar os problemas da educação rondonienses apontando inclusive soluções. Para quem antes da posse viajou o Brasil para copiar projetos bem sucedidos, importou secretários com “vasta experiência” para algumas áreas carentes de intelectuais, imprimiu uma nomeação com a cara do setor privado na Secretaria de Educação e sucedâneos, o início de governo é relativamente pífio. Até na hora de sapecar dinheiro no pobre bolso dos funcionários, deu demais para os napoleões da burocracia que já ganham bem e uma gorjeta aos barnabés.
Cá com meus botões, penso eu: a sabedoria popular não erra, todo político calça mesmo o número 40. Se em 500 anos nenhum governante resolveu melhorar as condições da escola pública, mormente os soldos dos seus soldados-docentes, não é um cidadão, só porque tem nome de filósofo chinês, que fará alguma diferença. Em Ariquemes os professores passaram pelas mesmas agruras e desilusões durante a gestão de Confúcio.
Desiludido, resolvi por um ponto final na minha carreira de professor. Cansei de esperar o dia de felicidade que nunca virá. Passar longos anos queimando as pestanas numa universidade pra valer menos que um auxílio-moradia de um zé ruela qualquer foi um golpe duro demais pra quem já vive às turras com as adversidades do trabalho docente. Lamento que a saída não seja uma decisão coletiva da categoria. Surtiria mais efeito que qualquer greve. Quanto a mim, não sei se é um pedido de demissão ou um grito de liberdade.
Eu não preciso da docência. Quem necessita dela é a sociedade que tem de educar seus consanguíneos. Professor precisa de dinheiro no bolso para compensar a vida conturbada que leva. Se discordarem de mim, observem a maioria dos docentes de uma escola. Estão envelhecidos, cabelos enxertados de tintura, faces não mais risonhas, olhares bisonhos, à beira da depressão, corolários do efeito avassalador de uma faina desgastante.
Diante da humilhação de ter 6% a mais no raquítico contracheque, abandonei o barco da educação e juro, estou me sentindo mais leve, livre da hipocrisia de reuniões pedagógicas, liberto daquelas comemorações insuportáveis tipo festa junina, dia do professor, semana da cidadania e outras enrolações. Agora vou preencher meu ócio lendo o Confúcio chinês ao invés de perder tempo com o blablablá do Confúcio de Ariquemes que por sinal, já ultrapassou cem dias.
22/06/2010 - Artigos PUBLICAÇÃO/gentedeopiniao.com
OPINIÃO: A EDUCAÇÃO ESTADUAL E AS ELEIÇÕES DE 2010
22/06/2010 - [08:31] - Artigos
Prof. Diogo Tobias Filho*
Parece estar começando com o ano eleitoral a temporada de promessas e soluções mágicas para os problemas de Rondônia. Estão no palco das ilusões os quatro possíveis candidatos a governador. Mais uma vez, a educação é o carro-chefe das campanhas e, pasmem, anunciam-se intenções de valorização do professor, embora esse papo furado, de tão manjado por ser repetitivo em eleições anteriores, ninguém dá mais crédito.
A pergunta que faz o professor é se realmente algo vai mudar? A certeza sobre o futuro é que pior não pode ficar principalmente depois que os trabalhadores em educação sobreviveram sete anos sendo humilhados, enfrentando as agruras financeiras provocadas pelo flagelo da educação, Ivo Cassol, que se despediu dos subservientes deputados enquanto lá fora, os cassetetes do proletariado armado deixavam em destroços a linha de frente dos bravos servidores que lutavam por suas carreiras no magistério laboral. Todavia, foram tão unidos, algo nunca d’antes visto em greves anteriores, que o próprio sindicato da categoria teve dificuldades em acabar o movimento.
Mas qual o limite que separa a teoria da prática dos possíveis candidatos nos seus esforços em captar votos? Como analisá-los? João Cahulla dispensa comentários por representar a continuidade do pior governo da história para a educação. Ademais, sequer cumpriu o acordado para final da greve sonegando míseros tostões de uma atualização funcional de direito. Confúcio Moura teve seus problemas com professores municipais e isso é um mau presságio. Discorda da carga horária de 60 h e disse que pedagogos sabem tudo de Paulo Freire, porém não sabem dar aulas, mesmo sem ser nenhuma autoridade na área. Eduardo Valverde se destacou mais pela defesa do fim da estabilidade do funcionalismo (ideia típica de neoliberais) e na gafe de assinar documento do CQC sem ler, enquanto Expedito Júnior, carrega o peso de ajudar eleger ao governo um entregador de feijões odiado pelos trabalhadores em educação e amado pelos comissionados e pilotos de carrões importados.
A verdade é que não há no momento empolgação dos educadores de sala de aula e do pessoal de apoio, porquanto a resolução de parte dos problemas passa necessariamente pela obrigatoriedade de colocar dinheiro no bolso do professor e dos outros servidores. Sem esta ação, jamais adiantará projetos pomposos, encontro em hotéis de luxo e outras invenções casuísticas. Só vai servir para jogar fora o dinheiro da educação, como fizeram os “intelectuais” cassolistas.
Como diria Karl Marx, de nada adianta boas ideias sem homens para pô-las em prática. Na atual conjuntura política rondoniense não há nenhuma coisa nem outra!
22/06/2010 - [08:31] - Artigos
Prof. Diogo Tobias Filho*
Parece estar começando com o ano eleitoral a temporada de promessas e soluções mágicas para os problemas de Rondônia. Estão no palco das ilusões os quatro possíveis candidatos a governador. Mais uma vez, a educação é o carro-chefe das campanhas e, pasmem, anunciam-se intenções de valorização do professor, embora esse papo furado, de tão manjado por ser repetitivo em eleições anteriores, ninguém dá mais crédito.
A pergunta que faz o professor é se realmente algo vai mudar? A certeza sobre o futuro é que pior não pode ficar principalmente depois que os trabalhadores em educação sobreviveram sete anos sendo humilhados, enfrentando as agruras financeiras provocadas pelo flagelo da educação, Ivo Cassol, que se despediu dos subservientes deputados enquanto lá fora, os cassetetes do proletariado armado deixavam em destroços a linha de frente dos bravos servidores que lutavam por suas carreiras no magistério laboral. Todavia, foram tão unidos, algo nunca d’antes visto em greves anteriores, que o próprio sindicato da categoria teve dificuldades em acabar o movimento.
Mas qual o limite que separa a teoria da prática dos possíveis candidatos nos seus esforços em captar votos? Como analisá-los? João Cahulla dispensa comentários por representar a continuidade do pior governo da história para a educação. Ademais, sequer cumpriu o acordado para final da greve sonegando míseros tostões de uma atualização funcional de direito. Confúcio Moura teve seus problemas com professores municipais e isso é um mau presságio. Discorda da carga horária de 60 h e disse que pedagogos sabem tudo de Paulo Freire, porém não sabem dar aulas, mesmo sem ser nenhuma autoridade na área. Eduardo Valverde se destacou mais pela defesa do fim da estabilidade do funcionalismo (ideia típica de neoliberais) e na gafe de assinar documento do CQC sem ler, enquanto Expedito Júnior, carrega o peso de ajudar eleger ao governo um entregador de feijões odiado pelos trabalhadores em educação e amado pelos comissionados e pilotos de carrões importados.
A verdade é que não há no momento empolgação dos educadores de sala de aula e do pessoal de apoio, porquanto a resolução de parte dos problemas passa necessariamente pela obrigatoriedade de colocar dinheiro no bolso do professor e dos outros servidores. Sem esta ação, jamais adiantará projetos pomposos, encontro em hotéis de luxo e outras invenções casuísticas. Só vai servir para jogar fora o dinheiro da educação, como fizeram os “intelectuais” cassolistas.
Como diria Karl Marx, de nada adianta boas ideias sem homens para pô-las em prática. Na atual conjuntura política rondoniense não há nenhuma coisa nem outra!
PUBLICAÇÃO:22/06/2010 - Artigo/gentedeopiniao.com
OPINIÃO: A EDUCAÇÃO ESTADUAL E AS ELEIÇÕES DE 2010
Prof. Diogo Tobias Filho*
Parece estar começando com o ano eleitoral a temporada de promessas e soluções mágicas para os problemas de Rondônia. Estão no palco das ilusões os quatro possíveis candidatos a governador. Mais uma vez, a educação é o carro-chefe das campanhas e, pasmem, anunciam-se intenções de valorização do professor, embora esse papo furado, de tão manjado por ser repetitivo em eleições anteriores, ninguém dá mais crédito.
A pergunta que faz o professor é se realmente algo vai mudar? A certeza sobre o futuro é que pior não pode ficar principalmente depois que os trabalhadores em educação sobreviveram sete anos sendo humilhados, enfrentando as agruras financeiras provocadas pelo flagelo da educação, Ivo Cassol, que se despediu dos subservientes deputados enquanto lá fora, os cassetetes do proletariado armado deixavam em destroços a linha de frente dos bravos servidores que lutavam por suas carreiras no magistério laboral. Todavia, foram tão unidos, algo nunca d’antes visto em greves anteriores, que o próprio sindicato da categoria teve dificuldades em acabar o movimento.
Mas qual o limite que separa a teoria da prática dos possíveis candidatos nos seus esforços em captar votos? Como analisá-los? João Cahulla dispensa comentários por representar a continuidade do pior governo da história para a educação. Ademais, sequer cumpriu o acordado para final da greve sonegando míseros tostões de uma atualização funcional de direito. Confúcio Moura teve seus problemas com professores municipais e isso é um mau presságio. Discorda da carga horária de 60 h e disse que pedagogos sabem tudo de Paulo Freire, porém não sabem dar aulas, mesmo sem ser nenhuma autoridade na área. Eduardo Valverde se destacou mais pela defesa do fim da estabilidade do funcionalismo (ideia típica de neoliberais) e na gafe de assinar documento do CQC sem ler, enquanto Expedito Júnior, carrega o peso de ajudar eleger ao governo um entregador de feijões odiado pelos trabalhadores em educação e amado pelos comissionados e pilotos de carrões importados.
A verdade é que não há no momento empolgação dos educadores de sala de aula e do pessoal de apoio, porquanto a resolução de parte dos problemas passa necessariamente pela obrigatoriedade de colocar dinheiro no bolso do professor e dos outros servidores. Sem esta ação, jamais adiantará projetos pomposos, encontro em hotéis de luxo e outras invenções casuísticas. Só vai servir para jogar fora o dinheiro da educação, como fizeram os “intelectuais” cassolistas.
Como diria Karl Marx, de nada adianta boas ideias sem homens para pô-las em prática. Na atual conjuntura política rondoniense não há nenhuma coisa nem outra!
Prof. Diogo Tobias Filho*
Parece estar começando com o ano eleitoral a temporada de promessas e soluções mágicas para os problemas de Rondônia. Estão no palco das ilusões os quatro possíveis candidatos a governador. Mais uma vez, a educação é o carro-chefe das campanhas e, pasmem, anunciam-se intenções de valorização do professor, embora esse papo furado, de tão manjado por ser repetitivo em eleições anteriores, ninguém dá mais crédito.
A pergunta que faz o professor é se realmente algo vai mudar? A certeza sobre o futuro é que pior não pode ficar principalmente depois que os trabalhadores em educação sobreviveram sete anos sendo humilhados, enfrentando as agruras financeiras provocadas pelo flagelo da educação, Ivo Cassol, que se despediu dos subservientes deputados enquanto lá fora, os cassetetes do proletariado armado deixavam em destroços a linha de frente dos bravos servidores que lutavam por suas carreiras no magistério laboral. Todavia, foram tão unidos, algo nunca d’antes visto em greves anteriores, que o próprio sindicato da categoria teve dificuldades em acabar o movimento.
Mas qual o limite que separa a teoria da prática dos possíveis candidatos nos seus esforços em captar votos? Como analisá-los? João Cahulla dispensa comentários por representar a continuidade do pior governo da história para a educação. Ademais, sequer cumpriu o acordado para final da greve sonegando míseros tostões de uma atualização funcional de direito. Confúcio Moura teve seus problemas com professores municipais e isso é um mau presságio. Discorda da carga horária de 60 h e disse que pedagogos sabem tudo de Paulo Freire, porém não sabem dar aulas, mesmo sem ser nenhuma autoridade na área. Eduardo Valverde se destacou mais pela defesa do fim da estabilidade do funcionalismo (ideia típica de neoliberais) e na gafe de assinar documento do CQC sem ler, enquanto Expedito Júnior, carrega o peso de ajudar eleger ao governo um entregador de feijões odiado pelos trabalhadores em educação e amado pelos comissionados e pilotos de carrões importados.
A verdade é que não há no momento empolgação dos educadores de sala de aula e do pessoal de apoio, porquanto a resolução de parte dos problemas passa necessariamente pela obrigatoriedade de colocar dinheiro no bolso do professor e dos outros servidores. Sem esta ação, jamais adiantará projetos pomposos, encontro em hotéis de luxo e outras invenções casuísticas. Só vai servir para jogar fora o dinheiro da educação, como fizeram os “intelectuais” cassolistas.
Como diria Karl Marx, de nada adianta boas ideias sem homens para pô-las em prática. Na atual conjuntura política rondoniense não há nenhuma coisa nem outra!
24/02/2011 - PUBLICAÇÃO - Artigos/gentedeopiniao.com
CONFÚCIO MOURA E AS REPRESENTAÇÕES DE ENSINO
O governador escreveu no seu blog que está um tanto quanto desconfiado ante o excesso de funcionários lotados nas representações de ensino. E esse fato, por acaso é novidade? Confúcio não sabe da missa nem a metade. Quem lida no cotidiano da educação conhece de perto essas mazelas de desvio de função. Em algumas REN’s do interior há casos não raros de professores recém-concursados que estão lotados em funções meramente burocráticas ou assumindo vagas de pedagogos (gerências pedagógicas, por exemplo), enquanto as escolas se excedem nas sacudidelas para suprir a falta crônica de professores em sala de aula.
Esses vícios são antigos. Não é fácil reverter essa situação do dia para noite, pois se trata duma prática assaz arraigada nos grupelhos partidários e cinicamente planejada durante a campanha eletiva. E só existe uma forma de combatê-la com o rigor que a situação exige: extinguir as REN’s, esses órgãos perdulários, ineficazes e que só são úteis para acomodar apadrinhados políticos dos chefes locais. Mas para o sucesso desta corajosa empreitada, também é indispensável que se dê autonomia às escolas assim como ocorre nas universidades e institutos federais, tanto no campo gerencial como no setor financeiro, descentralizando certas decisões de gabinete, sobretudo porque, é o grupo gestor e não o representante de ensino que lida com os múltiplos problemas elementares do dia-a-dia de uma instituição escolar.
As REN’s nada mais significam que um modelo ultrapassado de gerenciar o nada, um cabide grosso de funções gratificadas, onde alguns professores e funcionários são recompensados pela opção política vencedora que fizeram tendo o usufruto de ficar distante do trabalho cansativo e mal remunerado de sala de aula. Há casos de docentes formados em áreas distintas às atividades de organização pedagógica, porém estão lá, exercendo gerência, coordenando supostos projetos, sabe-se lá de quê, executando prestação de contas ou até montados em cargos de gestão, mesmo havendo em certos casos, especialistas para área. São os que mais viajam para cursos inócuos e dispendiosos que se apresentassem resultados profícuos, o governo Cassol teria elevado Rondônia aos patamares do primeiro mundo em apropriação de conhecimento.
Ainda se utiliza no staff dos bambambãs das REN’s, motoristas, vigilantes, auxiliares de serviços gerais, profissionais da área administrativa e sucedâneos, malgrado a estrutura de algumas escolas pulular para conseguir cumprir suas jornadas na base da gambiarra funcional. O mais grave é quando se utiliza nestas ações pífias, profissionais das áreas críticas tipo química, biologia, matemática, inglês, física, etc., deixando alunos à mingua e o ensino à beira da bancarrota.
Então entra em cena a figura daquele lobo em pele de cordeiro que é o representante de ensino, comumente, alguém envolvido em política partidária, com perfil de professor que sequer se recorda mais qual foi o último dia em que lecionou na profissão. De posse dum pacote de contratos emergenciais destinados aos futuros fazedores de bico, o cidadão anuncia o pregão de contratações. Contrata-se muitas vezes alguém completamente despreparado ou de formação oposta à docência e o resultado todos sabem: fiasco na hora da avaliação oficial, notas ruins que generalizam o baixo desempenho da educação. Na hora de escolher os culpados pelo fracasso, a corda arrebenta nas costas dos professores titulares, deixando ilesos de culpabilidades, os sem-compromisso com o processo de ensino-aprendizagem.
Se o governador Confúcio quiser realmente começar a inovar na educação, deve ser radical e extinguir todas as REN’s, instituir a democracia plena na rede, livrando-a do jugo político em que se encontra refém. Entendo que as coisas não são tão simples assim. Tudo é consequência. Mas para todos os atos de inovação existe sempre o dia seguinte. E ele chegará com uma grande quantidade de servidores buscando lotação nas escolas, oriundos das representações de ensino. Finalmente teremos aquele prazer de ver um ex-representante de ensino trabalhar de verdade em sala de aula. E a carência de mão-de-obra diminuir com a chegada de antigos novos professores.
O governador escreveu no seu blog que está um tanto quanto desconfiado ante o excesso de funcionários lotados nas representações de ensino. E esse fato, por acaso é novidade? Confúcio não sabe da missa nem a metade. Quem lida no cotidiano da educação conhece de perto essas mazelas de desvio de função. Em algumas REN’s do interior há casos não raros de professores recém-concursados que estão lotados em funções meramente burocráticas ou assumindo vagas de pedagogos (gerências pedagógicas, por exemplo), enquanto as escolas se excedem nas sacudidelas para suprir a falta crônica de professores em sala de aula.
Esses vícios são antigos. Não é fácil reverter essa situação do dia para noite, pois se trata duma prática assaz arraigada nos grupelhos partidários e cinicamente planejada durante a campanha eletiva. E só existe uma forma de combatê-la com o rigor que a situação exige: extinguir as REN’s, esses órgãos perdulários, ineficazes e que só são úteis para acomodar apadrinhados políticos dos chefes locais. Mas para o sucesso desta corajosa empreitada, também é indispensável que se dê autonomia às escolas assim como ocorre nas universidades e institutos federais, tanto no campo gerencial como no setor financeiro, descentralizando certas decisões de gabinete, sobretudo porque, é o grupo gestor e não o representante de ensino que lida com os múltiplos problemas elementares do dia-a-dia de uma instituição escolar.
As REN’s nada mais significam que um modelo ultrapassado de gerenciar o nada, um cabide grosso de funções gratificadas, onde alguns professores e funcionários são recompensados pela opção política vencedora que fizeram tendo o usufruto de ficar distante do trabalho cansativo e mal remunerado de sala de aula. Há casos de docentes formados em áreas distintas às atividades de organização pedagógica, porém estão lá, exercendo gerência, coordenando supostos projetos, sabe-se lá de quê, executando prestação de contas ou até montados em cargos de gestão, mesmo havendo em certos casos, especialistas para área. São os que mais viajam para cursos inócuos e dispendiosos que se apresentassem resultados profícuos, o governo Cassol teria elevado Rondônia aos patamares do primeiro mundo em apropriação de conhecimento.
Ainda se utiliza no staff dos bambambãs das REN’s, motoristas, vigilantes, auxiliares de serviços gerais, profissionais da área administrativa e sucedâneos, malgrado a estrutura de algumas escolas pulular para conseguir cumprir suas jornadas na base da gambiarra funcional. O mais grave é quando se utiliza nestas ações pífias, profissionais das áreas críticas tipo química, biologia, matemática, inglês, física, etc., deixando alunos à mingua e o ensino à beira da bancarrota.
Então entra em cena a figura daquele lobo em pele de cordeiro que é o representante de ensino, comumente, alguém envolvido em política partidária, com perfil de professor que sequer se recorda mais qual foi o último dia em que lecionou na profissão. De posse dum pacote de contratos emergenciais destinados aos futuros fazedores de bico, o cidadão anuncia o pregão de contratações. Contrata-se muitas vezes alguém completamente despreparado ou de formação oposta à docência e o resultado todos sabem: fiasco na hora da avaliação oficial, notas ruins que generalizam o baixo desempenho da educação. Na hora de escolher os culpados pelo fracasso, a corda arrebenta nas costas dos professores titulares, deixando ilesos de culpabilidades, os sem-compromisso com o processo de ensino-aprendizagem.
Se o governador Confúcio quiser realmente começar a inovar na educação, deve ser radical e extinguir todas as REN’s, instituir a democracia plena na rede, livrando-a do jugo político em que se encontra refém. Entendo que as coisas não são tão simples assim. Tudo é consequência. Mas para todos os atos de inovação existe sempre o dia seguinte. E ele chegará com uma grande quantidade de servidores buscando lotação nas escolas, oriundos das representações de ensino. Finalmente teremos aquele prazer de ver um ex-representante de ensino trabalhar de verdade em sala de aula. E a carência de mão-de-obra diminuir com a chegada de antigos novos professores.
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