O governo perdeu por completo o controle sobre os bancos. Na mídia escrita e televisiva me deparo com a divulgação de balanços semestrais que nos informam os bilhões de reais dos lucros auferidos nestas instituições em razão dos juros exorbitantes cobrados sobre empréstimos pessoais, de dezenas de tarifas e taxas de prestação de serviços pagas pelo cliente. Até os bancos estatais consomem vorazmente da conta até o último mísero centavo dos próprios patrões (o povo brasileiro em tese) correntistas.
Veja o caso do Banco do Brasil, “patrimônio do povo”, só para citar como exemplo: depois de um pequeno número de saques nos terminais eletrônicos, esse Banco cobra para cada retirada de dinheiro, independente do valor da quantia, tarifas altas caso o cidadão não possa ou não queira comprar o pacote de serviços mensal. No saque do cartão de crédito a tarifa ainda é maior. Pode até ser legal, porém é abusiva demais. Quem já viu a pessoa física, principalmente o simples trabalhador, ter a obrigação de pagar essa taxa para retirar o próprio dinheiro? Já não bastam os lucros gigantescos?
Parece-me até que a visão do Banco sobre o pequeno correntista é de que a Instituição está fazendo enorme favor em dispor a agência para depósito do seu parco dinheirinho. E cada tarifa-saque cobrada é um pouco de comida a menos que o trabalhador deixa de por na mesa em casa, ou então, fica sem o pão para tomar café cedinho, antes de ir à labuta.
O mais grave é que ninguém faz absolutamente nada contra esta imoralidade. Nenhum representante do povo no Congresso Nacional se manifesta. Algumas pessoas ainda reclamam que não sabem o que está sendo descontado, pois o extrato é igual ao livro universitário de matemática, só tem números e códigos ininteligíveis para o cidadão humilde. Outros reclamam que o serviço é péssimo, lento, burocrático com filas que andam tão rápidas como o carro de Barrichello na fórmula um. Em relação às falhas, a culpa não é mais do gerente nem dos funcionários e sim, do tal de “sistema”. Desconto indevido? Culpa do “sistema”! Empréstimo não saiu? Culpa do “sistema”! Cheque especial não renovou? O “sistema” está exigindo recadastramento! O caixa eletrônico não funciona? O “sistema” está fora do ar. Ninguém merece!
Na conta-corrente de pobre, geralmente ficam dezoito reais. Dois dias depois só tem R$ 17,20; dez dias se passam e aparece R$ 11,00 e assim se sucede, pelo menos é a reclamação que mais escuto quando fico na fila dos caixas-eletrônicos. Sugiro ao povo brasileiro que - em tese - é o proprietário do Banco do Brasil, a venda para a iniciativa privada de todas as ações. Vamos investir o dinheiro na melhoria dos hospitais públicos, na informatização das escolas de cidades com maiores índices de pobreza, no saneamento básico, etc.
Afinal de contas eu sempre me pergunto, que serventia tem o país com bancos? Se depender de mim, pode vender tudo. Entretanto, advirto: não entregue o dinheiro arrecadado nas mãos de prefeitos ou de alguns governadores porque a grana vai sumir. E aí, a culpa não será do tal “sistema”.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
quarta-feira, 22 de junho de 2011
PUBLICADO NO TUDORONDONIA.COM EM 18/06/2011
REGRAS BÁSICAS PARA SER UM EXCELENTE PROFESSOR
Para alcançar sucesso na educação rondoniense não há segredos. Conquistar popularidade na escola que você trabalha é o caminho das pedras. Basta seguir algumas regrinhas básicas. O desafio elementar para o sucesso é ser popular entre a comunidade escolar, principalmente entre os alunos. Deve-se adentrar o ambiente de trabalho cumprimentando todos, do simples funcionário até o graduado, não economizando elogios e apertos de mão porque na educação, fazer críticas, mesmo justas, cria uma amargura tão profunda nos nossos pares que sua presença passa a ser um incômodo digno da mais insensata aversão.
Lembre-se de elevar o moral da equipe gestora, sobretudo do diretor. Ele sempre tem algum projeto, às vezes mera nulidade, mas é útil elogiá-lo, aplaudir sua capacidade de por em prática “tamanha inovação” nunca dantes vista na história do colégio que dirige. Faça o mesmo com o supervisor e o orientador educacional, defenda-os em público, demonstre sua admiração com quem coordena aquela burocracia inútil de maneira que eles jamais possam adverti-lo e sim, defendê-lo exaustivamente em razão das suas benevolentes palavras.
Conta pontos demonstrar felicidade com cartazes que decoram a sala dos mestres. São penduricalhos de uma cafonice contumaz, mas finja que aquela pieguice pinçada dos cafundós da internet enche o seu coração de júbilo. Aos erros de grafia, dissimule porque quem o escreveu sempre vai jogar a culpa em algum funcionário desavisado que não cumpriu as ordens da equipe. Nas reuniões pedagógicas, discuta, emocione-se com a insuportável leitura compartilhada, mesmo que os temas sejam jargões ultrapassados, tipo, “formar cidadãos críticos, dar uma aula mais atrativa”, etc. Parabenize sem economizar palavras a capacidade intelectual de cada professor. Use termos como “falar a mesma língua”, “sua didática é excelente”, “seu método é nota dez” e por aí vai.
Apresente projetos que envolva música, dança ou futebol, mesmo que não seja lá grande coisa; faça seu marketing pessoal prevalecer. Inevitavelmente, sua carga horária em sala de aula diminuirá em razão da sua dedicação aos “projetos” postos em prática. Não se esqueça de envolver o representante de ensino em suas preleções, inflacionando-lhe sua importância, sua capacidade administrativa, sua humildade no trato com seus comandados, sem se importar que a nomeação seja resultante do peleguismo farejador de cargos públicos. Daí ser útil a sua presença na REN para sentir de perto o enorme apreço à causa educativa dos que ali labutam e que se pudessem “optariam pela sala de aula”.
Se quiser flanar pelos corredores da escola leve sempre à mão um livro, folhas de papel ou material de trabalho para que “os olhos e os ouvidos do rei” notem que você, apesar de temporariamente fora da escrivaninha, preocupa-se com seus afazeres e lê bastante. Seja presença constante nas festinhas da escola, deguste a fatia do bolo melequento, beba pelo menos um copinho de refrigerante barato. Participe das palestras, questione os temas. Não é difícil. O assunto é repetitivo como DST/AIDS, drogas e o tal de bullyng. Seja eloqüente na semana da cidadania, rodopie igual peru na festa junina, faça parte da comissão organizadora desses eventos.
Suas aulas devem ser programadas constantemente com visitas às instituições públicas, por exemplo, a Prefeitura e a Câmara Municipal. Exclua da sua disciplina assuntos triviais, privilegie os misteriosos, enigmáticos, atuais e caso seja indagado sobre o que você não sabe, responda de qualquer maneira, invente qualquer improviso. Entretanto, nada é mais vital para sua ascensão rumo à fama do que se dar bem com pais e alunos. Jamais critique o aluno na frente dos seus pais, pelo contrário, deixe sempre a perspectiva de melhora, comente nas reuniões afins sobre o fato dos discentes serem inteligentes e que apenas precisam de apoio para se convencer do próprio potencial intelectual.
Enalteça a religião, a família, a união da comunidade escolar. Você precisa fazer valer seu nome bem acima do seu conhecimento. Este é apenas um detalhe. E distribua fartamente boas notas de modo que o aluno leve para casa aquilo que os pais mais desejam: a aprovação no ano letivo. Logo seu trabalho será reconhecido, troféus de “melhor professor” serão rotineiros em suas mãos, terás o nome sempre lembrado para os cargos inúteis, mas que dão dinheiro e em pouco tempo estarás longe da sala de aula. E se você for habitante de uma pequena cidade, prepare-se porque num breve intervalo de tempo será Secretário Municipal de Educação.
Para alcançar sucesso na educação rondoniense não há segredos. Conquistar popularidade na escola que você trabalha é o caminho das pedras. Basta seguir algumas regrinhas básicas. O desafio elementar para o sucesso é ser popular entre a comunidade escolar, principalmente entre os alunos. Deve-se adentrar o ambiente de trabalho cumprimentando todos, do simples funcionário até o graduado, não economizando elogios e apertos de mão porque na educação, fazer críticas, mesmo justas, cria uma amargura tão profunda nos nossos pares que sua presença passa a ser um incômodo digno da mais insensata aversão.
Lembre-se de elevar o moral da equipe gestora, sobretudo do diretor. Ele sempre tem algum projeto, às vezes mera nulidade, mas é útil elogiá-lo, aplaudir sua capacidade de por em prática “tamanha inovação” nunca dantes vista na história do colégio que dirige. Faça o mesmo com o supervisor e o orientador educacional, defenda-os em público, demonstre sua admiração com quem coordena aquela burocracia inútil de maneira que eles jamais possam adverti-lo e sim, defendê-lo exaustivamente em razão das suas benevolentes palavras.
Conta pontos demonstrar felicidade com cartazes que decoram a sala dos mestres. São penduricalhos de uma cafonice contumaz, mas finja que aquela pieguice pinçada dos cafundós da internet enche o seu coração de júbilo. Aos erros de grafia, dissimule porque quem o escreveu sempre vai jogar a culpa em algum funcionário desavisado que não cumpriu as ordens da equipe. Nas reuniões pedagógicas, discuta, emocione-se com a insuportável leitura compartilhada, mesmo que os temas sejam jargões ultrapassados, tipo, “formar cidadãos críticos, dar uma aula mais atrativa”, etc. Parabenize sem economizar palavras a capacidade intelectual de cada professor. Use termos como “falar a mesma língua”, “sua didática é excelente”, “seu método é nota dez” e por aí vai.
Apresente projetos que envolva música, dança ou futebol, mesmo que não seja lá grande coisa; faça seu marketing pessoal prevalecer. Inevitavelmente, sua carga horária em sala de aula diminuirá em razão da sua dedicação aos “projetos” postos em prática. Não se esqueça de envolver o representante de ensino em suas preleções, inflacionando-lhe sua importância, sua capacidade administrativa, sua humildade no trato com seus comandados, sem se importar que a nomeação seja resultante do peleguismo farejador de cargos públicos. Daí ser útil a sua presença na REN para sentir de perto o enorme apreço à causa educativa dos que ali labutam e que se pudessem “optariam pela sala de aula”.
Se quiser flanar pelos corredores da escola leve sempre à mão um livro, folhas de papel ou material de trabalho para que “os olhos e os ouvidos do rei” notem que você, apesar de temporariamente fora da escrivaninha, preocupa-se com seus afazeres e lê bastante. Seja presença constante nas festinhas da escola, deguste a fatia do bolo melequento, beba pelo menos um copinho de refrigerante barato. Participe das palestras, questione os temas. Não é difícil. O assunto é repetitivo como DST/AIDS, drogas e o tal de bullyng. Seja eloqüente na semana da cidadania, rodopie igual peru na festa junina, faça parte da comissão organizadora desses eventos.
Suas aulas devem ser programadas constantemente com visitas às instituições públicas, por exemplo, a Prefeitura e a Câmara Municipal. Exclua da sua disciplina assuntos triviais, privilegie os misteriosos, enigmáticos, atuais e caso seja indagado sobre o que você não sabe, responda de qualquer maneira, invente qualquer improviso. Entretanto, nada é mais vital para sua ascensão rumo à fama do que se dar bem com pais e alunos. Jamais critique o aluno na frente dos seus pais, pelo contrário, deixe sempre a perspectiva de melhora, comente nas reuniões afins sobre o fato dos discentes serem inteligentes e que apenas precisam de apoio para se convencer do próprio potencial intelectual.
Enalteça a religião, a família, a união da comunidade escolar. Você precisa fazer valer seu nome bem acima do seu conhecimento. Este é apenas um detalhe. E distribua fartamente boas notas de modo que o aluno leve para casa aquilo que os pais mais desejam: a aprovação no ano letivo. Logo seu trabalho será reconhecido, troféus de “melhor professor” serão rotineiros em suas mãos, terás o nome sempre lembrado para os cargos inúteis, mas que dão dinheiro e em pouco tempo estarás longe da sala de aula. E se você for habitante de uma pequena cidade, prepare-se porque num breve intervalo de tempo será Secretário Municipal de Educação.
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