quarta-feira, 10 de novembro de 2010

PUBLICADO NO TUDORONDONIA EM 11/2010

EDUCAÇÃO 2011: HAVERÃO CHEFES OU LÍDERES?
O Império da roça ruiu mas nas esferas educacionais rondoniana, o ano de 2010 morreu de inanição, sem avanços significativos, sem resultados agradáveis, sem força que o retirasse do marasmo avassalador no ambiente de mediocridade que nos assolou durante oito longos e enfastiados anos.
Num ano acabrunhado para os trabalhadores em educação, excetuando-se os lampejos empoeirados dos luxuosos carros dos chefes cassolistas, 2010 se encerrou bem antes do seu término. Quiçá, deixou como marca registrada as agressões sofridas pelos docentes durante uma manifestação contra o governo em frente ao palácio Getúlio Vargas. Ordens típicas de chefias contaminadas pelos resquícios do coronelismo arcaico, pasmem!, ainda presentes no serviço público em pleno século XXI.
Quando assumir o novo governante nas calendas de 2011, será de bom grado ter a moderação como companheira, sobretudo porque uma desmedida expectativa nos remete de maneira célere ao abismo da decepção. Agora, é inevitável imaginar: o que nos espera 2011? Quando Confúcio Moura começar a trabalhar, a observação do educador, o olho clínico do professor mediante a escolha daqueles que comandarão a educação pode nos certificar do que virá nos dias seguintes.
Conceituá-los como chefes ou lideres é uma praxe ainda pouco usual, mas esta classificação deveria ser adotada pelos funcionários públicos. Nada mais globalizado, contemporâneo, em consonância com a eficiência tão apregoada nos meios midiáticos e políticos como caracterizar seus superiores pelo perfil propalado pelo manual de autoajuda, posto que, eles o fazem conosco - sem dó - seguindo os preceitos neoliberais.
E qual a diferença entre ser chefe e ser líder? Literalmente, entre o abismo profundo, há comportamentos e ações que separam os dois conceitos. Em resumo, vejamos:
a)Chefe: manda, não pede; sente-se o rei da cocada preta só por que foi indicado pelo protetor; tem crises sucessivas de autoritarismo quando suas ordens são questionadas; gosta de ser bajulado e detesta pessoas inteligentes ao seu lado, mormente quando um destas mentes brilhantes se torna, pelo curso natural das ideias, um concorrente em potencial na admiração dos colegas de repartição; chefe exige, não dialoga; tem pavio curto e tem encanto pelo abuso no exercício do poder; só se torna risível quando recebe a visita do protetor, envaidecendo-se e contando a pujança da sua própria competência mesmo que tudo não passe de fantasias abstratas, desde que os integrantes da tribo confirmem que as façanhas do chefe são reais. São numerosos no serviço público.
b)Líder: delega responsabilidades aos seus auxiliares; trata-os com respeito, sabedoria e dialoga sobre o cumprimento de metas definidas pelo grupo; oportuniza o crescimento individual sem deteriorar o coletivo; seu poder reside nas relações democráticas, no compromisso na boa prestação de serviços à população, na autoavaliação, no charme crítico de reconhecer os erros na mesma proporção que comemora os acertos, no incentivo contínuo para que todos tenham chance de apresentar projetos inteligentes.
O chefe dissemina o medo, a insegurança; o líder dissemina o encanto em via dupla e compartilha o sucesso com os seus comandados. Aliás, há anos não passa uma grande liderança educacional por essas plagas, entretanto, seria inútil a estada duma inteligência humana pelas burocráticas secretarias da Farqhuar, até porque, com o que se paga atualmente aos educadores, não haveria ânimo, senão, sonolência e opacidade.
Jean Jacques Rousseau (1712 – 1778) disse certa vez: “a reforma da educação é que possibilitaria uma reforma do sistema político e social. A educação não somente mudaria as pessoas particulares, mas também a toda a sociedade, pois trata-se de educar o cidadão para que ele ajude a forjar uma nova sociedade”. Mas com as qualidades dos chefes e a escassez de lideres disponíveis no mercado, nem Rousseau se animaria a repetir o que disse. E você aí, professor! Vai preferir ter um chefe ou um líder?

sábado, 10 de abril de 2010

PUBLICADO NO GENTE DE OPINIÃO EM 10/04/2010

PROFISSÃO PROFESSOR: ENTRE O PESSISSISMO E A ESPERANÇA!

Prof. Diogo Tobias Filho*

Pensei por sucessivos momentos em abandonar definitivamente a carreira de educador. Mas esta decisão sempre começar a ruir quando adentro a sala de aula. Ver aqueles rostos carregados de ingenuidade durante quatro horas, diariamente expressando as mais variadas emoções, trava-me quaisquer posturas radicais neste sentido. Ademais, divirto-me no pleno exercício da docência, zombando das contextualidades sócio-políticas inferindo referências entre o conteúdo ensinado e a vida real.
Deduzo como ficariam aqueles educandos que me olham com o olhar de lince, os que ainda estão em formação do senso crítico, os mais próximos, os mais distanciados, sem a presença de um professor com ponderações críticas. Aprendi a lidar até com os que não demonstram muito afeto pela aprendizagem. O segredo é filosofar associando as contradições da pobre educação pública às boas doses de humor dentro da escola. Só rindo pra espantar todos os males do cotidiano cansativo da escola.

Neste caldeirão de diversidade passo 365 dias mediando e construindo conhecimentos. Daí, mesmo sabendo que a ninharia do final de mês não me possibilita usufruir o melhor da vida material, afinal de contas, o salário mal dar pra pagar água, luz e comer o feijão-com-arroz de cada dia, as razões do coração que minha mente desconhece me traem e acabo por adiar eternamente a decisão de esconder o diploma no fundo do baú e ir vender espetinho com mandioca numa esquina qualquer.
Tenho que admitir: ser professor é ser um agregado de várias famílias simultaneamente. Gente que precisa de você, que se envolve diretamente na sua alma, que convive bem mais conosco do que com seus consanguíneos e alguns dos mais corajosos educandos, arriscar-se-iam a tomar balas de borrachas e jatos de gás de pimenta pelo puro sentimento de defender seu professor em protesto por condições mais dignas de vida, sobretudo porque quem é humanista não turva a própria existência sendo omisso com a exclusão, a intolerância e a intransigência.

Talvez por isso, o meu dilema entre desistir da carreira e esperar por dias faustosos seja pendente à esperança! Sei que é difícil suportar governantes cínicos, subprodutos da mediocridade que a humanidade produz aos montes no Brasil, com escolas arcaicas, sem ferramentas tecnológicas, sem bibliotecas atualizadas, sem professores especialistas para todas as disciplinas, sem alegrias, sem reconhecimento profissional das múltiplas esferas de poder. Entretanto, quando pego firme o palito de giz, rabisco o conteúdo do dia naquele velho quadro empoeirado e começo a divagar no conhecimento, o respaldo daquela platéia de educandos que sonha um dia em ter uma profissão que lhes dê o sustento e a independência de vida, convenço-me que não estou ali à toa.

Sei que posso regar aquelas pequenas árvores e construir no futuro um jardim de sonhos, um porto seguro, um modesto altar de esperança onde cada pai e cada mãe de cada arvorezinha sentada numa carteira remendada, com a simplicidade do lápis, borracha, do caderninho dos mais baratos, lendo o livro doado pelo governo, tem a certeza de ser aquele momento, a herança mais valiosa deixada aos filhos. A banca para venda de espetinho com mandioca vai esperar por mim um pouco mais!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O ARTIGO QUE FOI GRANDE SUCESSO NO TUDORONDONIA.COM

JÁ VAI TARDE, IVO CASSOL!

Finalmente, Ivo Cassol toma uma atitude que agradará todos os funcionários públicos que trabalham com sofreguidão e sofrem no bolso o maior arrocho salarial da história de Rondônia depois do famigerado governo de Oswaldo Pianna: o flagelo da educação deixa o comando do executivo para se candidatar ao Senado. Capitaneados pelos trabalhadores da educação, o momento da saída não poderia ser mais conturbado com professores e os funcionários de apoio em greve, saliente-se, deveras justa, em virtude da situação de miséria que perpassa a classe, tendo que recorrer aos empréstimos descontados em folha na ilusão de sanar as agruras pela sobrevivência, agravadas desmesuradamente nos dois mandatos do Sr. Ivo Cassol.

Para os educadores, excetuando-se os nababos dos cargos de confiança que estão longe da sala de aula, Ivo Cassol já vai tarde. Que sua partida não seja sinônimo apenas de um “até breve” e se consolide num irreversível “adeus” no comando do executivo. Apesar do título de “doutor honoris causa”, o flagelo da educação não é lá esta maravilha, mormente se achar expert em administração pública. Uma análise acurada do seu governo mostra claramente que, diferente dos seus antecessores, herdou de José Bianco uma máquina mais equilibrada dentro do contexto de crescimento econômico e controle fiscal do país nos anos de FHC. Bianco “pagou o pato” e Cassol levou a boa-fama de uma herança que não lhe pertencia. Ainda teve a sorte de Rondônia receber a maior injeção de dinheiro do Governo Lula em obras do PAC. No âmbito de uma carga de impostos sufocante, entendo sua administração como fraca, pífia. Nenhum projeto de vulto na segurança, saúde em coma, apenas se dedicou a distribuir feijão, construir prédios do Idaron, jogar futebol com seu staff de pernas-de-pau e assentar camadas de piche em alguns parcos estradões de barro onde existe concentrações de votos. Criou com o dinheiro público uma teia de cargos para lhe servir de base, acomodando seus arrogantes cabos eleitorais, independente do quesito competência. A educação foi praticamente aniquilada durante sete anos sem alvissareiros avanços, nenhum projeto nobre, nada além do que esbanjamento de dinheiro público num hotel de luxo da capital em cursos inócuos. É lastimável para uma legião de homens e mulheres portadores de diplomas, ostentando os títulos de professor e técnico, perder sucessivas batalhas numa guerra de feijão e piche contra o império cassolista.

Entretanto, como não há bem que sempre dure e nem mal que nunca se acabe, grande parte do funcionalismo público renova a partir de abril, suas exíguas esperanças, perdidas em razão do arrocho salarial, das humilhações e sucedâneos porque o que recebem não lhes dá um sustento digno como tipifica a cidadania social. Oxalá, a cena final desta administração marcada pelo conflito dos desiguais, entre a nobreza da roça e camadas proletárias urbanas, resuma-se no cortejo do Sr. Ivo Cassol e seus áulicos, numa chegada suntuosa à dócil e subserviente Assembléia Legislativa, destacada pela fila indiana de carros importados, na frente dos quais rugirão raivosamente centenas de professores e funcionários de apoio, gritando emocionados como palavras de ordem: “adeus, flagelo da educação!”

*O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná – (Email: digtobfilho@hotmail.com)

TESTAMENTO DO GOVERNADOR IVO CASSOL

DEIXO PARA CAHULA 8.5OO CARGOS COMISSIONADOS. ALÉM DISSO, MANDEI MEUS OBEDIENTES DEPUTADOS APROVAREM MAIS 300 CARGOS PARA AUMENTAR O NÚMERO DE MEUS CABOS ELEITORAIS. SAIO DE CABEÇA ERGUIDA, COM MEU DEVER CUMPRIDO, TENDO A CERTEZA QUE O MEU GOVERNO FOI UM DOS PIORES DA HISTÓRIA DE RONDÔNIA. DEIXO A SAÚDE DOENTE, A EDUCAÇÃO DESMORALIZADA, A SEGURANÇA DESGASTADA, ESTRADAS ESBURACADAS, AGRICULTURA ENGANADA, FUNCIONALISMO DESESPERADOS E PARA O POVO, NADA!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

QUEM QUER SER UM PROFESSOR?

Nunca imaginei ver tanta procura por profissionais da docência como no início do ano letivo de 2010. Praticamente todos os estados da federação estão realizando concursos públicos para preencher vagas no ensino regular, isso sem contar os municípios, que se encontram em semelhante situação. No estado de São Paulo são mais de dez mil vagas. Somando-se capital e municípios os números podem ultrapassar a casa das 50.000 vagas. O Brasil agoniza com a falta de professores em seus quadros funcionais. A razão é simples: a profissão não motiva jovens por inexistir perspectivas financeiras na carreira, não ser reconhecida pela sociedade como suprassumo do desenvolvimento social. Grosso modo, o status quo do mestre desceu pelo ralo abaixo.

De quem é a culpa? Indubitavelmente, dos políticos brasileiros que preferem construir, pintar ou reformar escolas ou gastar a dinheirama da educação com investimentos materiais, carros de luxo para o deleite dos bajuladores ocupantes de cargos comissionados, combustíveis em excesso para lavagem e corrupção, cursos inúteis em hotéis de luxo e sucedâneos, sempre com o escuso propósito de descolar a prebenda através de caixa 2.

Em Rondônia a situação não poderia ser diferente, após sete anos sob o bastião dos capiaus de Rolim de Moura. Ivo Cassol, o flagelo da educação, fez e refez concursos sem conseguir atrair profissionais necessários para suprir vagas, hoje ocupadas por qualquer pessoa portadora de diploma superior, desde advogados até os despreparados do ensino virtual. Os prefeitos rondonienses acompanham Cassol na enrolação e mediocridade. Ao apagar das luzes de 2009, as câmaras municipais receberam a toque de caixa, os planos de cargos e salários do município com adaptações para o FUNDEB. O cenário era desolador: uma correria para aprovar tudo de última hora, prova irrefutável do desprezo com o setor. A maioria de vereadores aprovou o que nunca leu, os professores foram excluídos do processo de discussão até porque, grande parte destes projetos é mera cópia adaptada de outros lugares. Tudo se transformou numa ineficiência escandalosa, típico de gestores cafonas eleitos para gerir a coisa pública sem o menor preparo intelectual para o cargo.

O governo federal, por seu turno, não fez sua parte. Discutiram por longevos meses o FUNDEB para se chegar ao piso ridículo de 950 reais, que ainda não se concretizou por causa das ações impetradas nos STF pelos congêneres de seita de Cassol, governadores medíocres, interessados apenas no balaio de dinheiro repassado dos impostos. Aliás, como prêmio pela violência surda desferida contra os educadores de Rondônia, tristemente, o flagelo da educação deverá ganhar a cadeira de senador. O que ele vai fazer lá eu não sei, posto que legislar necessita muito mais que um diploma de “Doutor honoris causa”. É essencial a apropriação mais acurada de como teorizar a prática em prol das camadas sociais. Ivo Cassol jamais fará isso porque sua cultura é limitada, seu pensamento político é retrógrado, formado no tirocínio da demagogia.

Mas, ao menos no senado, vamos ter o sossego de saber que o flagelo da educação não vai mais nos incomodar com aquele assistencialismo barato, distribuindo cestas básicas de material escolar, muito menos as intragáveis festanças para distribuir um saco de feijão aos incautos que aplaudem, porém pagam a conta das diárias através de impostos. Além do mais, ouviremos menos seus erros crassos de português que podem dar vazão aos conteúdos didáticos do ano inteiros só com correções por parte dos bons professores de língua portuguesa.