EDUCAÇÃO 2011: HAVERÃO CHEFES OU LÍDERES?
O Império da roça ruiu mas nas esferas educacionais rondoniana, o ano de 2010 morreu de inanição, sem avanços significativos, sem resultados agradáveis, sem força que o retirasse do marasmo avassalador no ambiente de mediocridade que nos assolou durante oito longos e enfastiados anos.
Num ano acabrunhado para os trabalhadores em educação, excetuando-se os lampejos empoeirados dos luxuosos carros dos chefes cassolistas, 2010 se encerrou bem antes do seu término. Quiçá, deixou como marca registrada as agressões sofridas pelos docentes durante uma manifestação contra o governo em frente ao palácio Getúlio Vargas. Ordens típicas de chefias contaminadas pelos resquícios do coronelismo arcaico, pasmem!, ainda presentes no serviço público em pleno século XXI.
Quando assumir o novo governante nas calendas de 2011, será de bom grado ter a moderação como companheira, sobretudo porque uma desmedida expectativa nos remete de maneira célere ao abismo da decepção. Agora, é inevitável imaginar: o que nos espera 2011? Quando Confúcio Moura começar a trabalhar, a observação do educador, o olho clínico do professor mediante a escolha daqueles que comandarão a educação pode nos certificar do que virá nos dias seguintes.
Conceituá-los como chefes ou lideres é uma praxe ainda pouco usual, mas esta classificação deveria ser adotada pelos funcionários públicos. Nada mais globalizado, contemporâneo, em consonância com a eficiência tão apregoada nos meios midiáticos e políticos como caracterizar seus superiores pelo perfil propalado pelo manual de autoajuda, posto que, eles o fazem conosco - sem dó - seguindo os preceitos neoliberais.
E qual a diferença entre ser chefe e ser líder? Literalmente, entre o abismo profundo, há comportamentos e ações que separam os dois conceitos. Em resumo, vejamos:
a)Chefe: manda, não pede; sente-se o rei da cocada preta só por que foi indicado pelo protetor; tem crises sucessivas de autoritarismo quando suas ordens são questionadas; gosta de ser bajulado e detesta pessoas inteligentes ao seu lado, mormente quando um destas mentes brilhantes se torna, pelo curso natural das ideias, um concorrente em potencial na admiração dos colegas de repartição; chefe exige, não dialoga; tem pavio curto e tem encanto pelo abuso no exercício do poder; só se torna risível quando recebe a visita do protetor, envaidecendo-se e contando a pujança da sua própria competência mesmo que tudo não passe de fantasias abstratas, desde que os integrantes da tribo confirmem que as façanhas do chefe são reais. São numerosos no serviço público.
b)Líder: delega responsabilidades aos seus auxiliares; trata-os com respeito, sabedoria e dialoga sobre o cumprimento de metas definidas pelo grupo; oportuniza o crescimento individual sem deteriorar o coletivo; seu poder reside nas relações democráticas, no compromisso na boa prestação de serviços à população, na autoavaliação, no charme crítico de reconhecer os erros na mesma proporção que comemora os acertos, no incentivo contínuo para que todos tenham chance de apresentar projetos inteligentes.
O chefe dissemina o medo, a insegurança; o líder dissemina o encanto em via dupla e compartilha o sucesso com os seus comandados. Aliás, há anos não passa uma grande liderança educacional por essas plagas, entretanto, seria inútil a estada duma inteligência humana pelas burocráticas secretarias da Farqhuar, até porque, com o que se paga atualmente aos educadores, não haveria ânimo, senão, sonolência e opacidade.
Jean Jacques Rousseau (1712 – 1778) disse certa vez: “a reforma da educação é que possibilitaria uma reforma do sistema político e social. A educação não somente mudaria as pessoas particulares, mas também a toda a sociedade, pois trata-se de educar o cidadão para que ele ajude a forjar uma nova sociedade”. Mas com as qualidades dos chefes e a escassez de lideres disponíveis no mercado, nem Rousseau se animaria a repetir o que disse. E você aí, professor! Vai preferir ter um chefe ou um líder?
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