PROFESSOR QUALIFICADO: ESPÉCIE AMEAÇADA DE EXTINÇÃO
Prof. Diogo Tobias Filho*
“Existe esperança, esperança infinita – mas não para nós! (Franz Kafka – Escritor Tcheco)
É cada vez mais visível a escassez de bons professores no mercado de trabalho. Em parte dos Estados e Municípios as escolas só funcionam no improviso, via contratos emergenciais, onde se pega a laço qualquer profissional, de zootecnista à advogado, de bioquímico a médico veterinário e quando não tem, contrata-se até pessoas de nível médio, cuja função primordial é “tapar buraco” nas salas de aula. O aprendizado é apenas mero detalhe, afinal de contas, eles estão fazendo “bico” sem compromisso. O salário ruim serve para complementar a renda, pagar algumas taxas de água, luz, telefone e sucedâneos. Professor diplomado para atuar na área correspondente a sua formação está na listas de espécies em extinção. Seus principais predadores são os dirigentes políticos do país que insistem em pagar-lhes esmolas, tratá-los da maneira vil, impor-lhes cargas horárias estafantes, obrigando-os a lecionar em duas, três ou até quatro escolas diferentes para elevar o nível de renda e dar mais dignidade aos seus familiares. Quem tem o hábito de acompanhar na mídia escrita ou televisiva o que vem ocorrendo no Brasil, depara-se frequentemente com escândalos e situações grotescas no setor educacional a ponto do Governo Federal ter que obrigar na forma da lei a pagar no mínimo 950 reais de piso salarial para os professores, sob pena da estrutura da educação brasileira, que já é periférica no setor público, ruir de vez. Ao invés de investir um pouco mais na mão-de-obra docente, alguns políticos brasileiros preferem inaugurar ou reformar escolas, pagar cursos inócuos de dois ou três dias em hotéis de luxo, terceirizar serviços de transporte escolar ou fazer negociatas com postos de combustíveis para desviar recursos e fazer caixa dois para fins escusos. Não creio que todo político é assim, entretanto tenho a singular convicção que se prendesse todos que praticam esses atos delituosos, lotaria presídios. Sem solução para esse problema secular que é o salário do professor, e isso toda a sociedade reconhece, um naco dos cursos de licenciatura está fechando suas portas ou funcionando de forma deficitária, até porque, há poucos interessados, além da concorrência dos cursos virtuais que são ruins e formam profissionais de péssima qualidade. Em Rondônia não é diferente. A “professorada” do quadro efetivo - como se refere desdenhosamente os “intelectuais” da roça cassolista – não supre mais as necessidades das instituições. Ninguém mais entre os jovens sonha em ser professor. E haja concurso, e haja teste seletivo, mas salário atraente, nada, exceto para cargos comissionados, criados e aumentados indiscriminadamente todos os anos. O número de contratos emergenciais no atual governo é alarmante. E o pior é que o “Doutor honoris causa” que dirige o Estado não está nem aí para o funcionalismo, muito menos para a escola pública. Nas cidades, funcionários públicos ganham somente o suficiente para se alimentar. Como educador, considero Ivo Cassol o pior da história para os trabalhadores da educação na pós-redemocratização política do Estado. É o mais cínico, capaz de dar publicidade a mera obrigação de pagar em dia a folha salarial defasada contrastada à arrecadação crescente. Despreocupado, este flagelo da educação espera a desacreditada cassação, enquanto urde sua candidatura ao Senado. Deveria ser o inverso. Faria um bem enorme ao povo se abandonasse a vida pública haja vista que a única coisa que o seu governo faz é construir prédio do IDARON, distribuir sementes de feijão e asfaltar estradas onde lhe rende votos. Por isso, quando se divulgar a próxima lista de bichos em risco de desaparecer, entre araras, tartarugas, onças e outros, as ONGs ambientalistas não podem se esquecer do mais ilustre dentre os animais racionais, aquele que praticamente fabrica todos os outros profissionais, desde a singela secretária ao mais arrogante juiz, do gari ao médico: sua excelência o professor, em plena extinção predatória, vítima das atrocidades políticas no Brasil.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Publicado no tudorondonia.com em 06/11/2008
A CASSAÇÃO DE IVO CASSOL: UMA ESPERANÇA PARA EDUCAÇÃO!
*Prof. Diogo Tobias Filho
“A verdade é uma tocha, mas uma tocha formidável: é por isso que todos procuramos passar diante dela piscando os olhos e com medo de nos queimarmos!” (JOHANN WOLFGANG VON GOETHE)
No ambiente das escolas, a sensação que tenho é que professores e funcionários de apoio respiram aliviados como se vislumbrassem uma ínfima luz de esperança por dias melhores na educação rondoniense. Para todos, simplesmente Ivo Cassol já vai tarde.
Nenhum governador os humilhou tanto, com palavras ferinas, esmolas travestidas de aumento salarial, medidas traiçoeiras contra professores aprovadas pela Assembléia Legislativa na calada da noite, salários vis, perseguições aos que pensam diferente ou contestam as atitudes dos seus capitães-do-mato, estes sim, sobrevalorizados com aumentos generosos, indicados aos cargos por aliados políticos, carregando como mérito, a fidelidade em trabalhar como cabos eleitorais para que a turma de roceiros de Rolim de Moura se perpetue no poder.
Enfim, a Justiça tarda, mas não falha. A compra de votos na eleição talvez tenha sido o menor dos males. Há fatos piores como os processos e escândalos que mancham o governo, sempre visitado pela Polícia Federal. E, ao invés da transparência ante às autoridades, Ivo Cassol e seus asseclas respondem com arrogância, ataques pessoais e tentativas de desmoralizar moralmente quem se atreve a se tornar uma pedra em seu caminho, como recentes, o Procurador Reginaldo Trindade e a ex-ministra Marina Silva. Humilhou policiais cujas mulheres lutavam por melhores salários que dignificassem o risco à vida, enfrentou os religiosos, ONGs, tentou mascarar o campo de concentração que é o Urso Branco, etc.
Em relação aos educadores, refiro-me especialmente àqueles que estão trabalhando em salas de aulas superlotadas, sem condições favoráveis, sem reconhecimento justo da sociedade, Cassol se impôs como um grande flagelo. Aos funcionários de apoio, sequer sente a comiseração de ganhar pouco mais de um salário mínimo, parte dele já comprometida com empréstimos em folha, sobretudo porque o poder aquisitivo não supre mais as despesas domésticas. Para estes trabalhadores, a destituição desse político energúmeno faz nascer uma luz tênue de esperança, mesmo que as brechas das leis venham a apagá-la.
O anseio dos professores será por dias melhores, que o próximo governante não os valorize somente em cima de palanques eleitorais, afinal de contas malgrado às adversidades impostas à classe, a maioria dos professores conscientes nunca deixa “a peteca cair”. Isto está claro quando duas professoras da rede pública de Vilhena e Presidente Médici chegaram à final do Concurso Professor Nota 10 da Editora Abril, ressalvando-se que a professora Andréia Silva Brito de Médici trouxe o título para Rondônia.
A professora Andréia talvez ganhe menos do que uma hospedagem semanal de um educador no Hotel Rondon naquelas dezenas de “cursos de formação” que ligam o nada a lugar nenhum e servem para dilapidar os recursos da Seduc que poderiam melhorar e muito se fosse investido nas escolas.
Quanto ao Ivo Cassol, se depender dos educadores que realmente trabalham, a mensagem é: “até logo, nunca mais!
*O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná – E-mail: digtobfilho@hotmail.com
*Prof. Diogo Tobias Filho
“A verdade é uma tocha, mas uma tocha formidável: é por isso que todos procuramos passar diante dela piscando os olhos e com medo de nos queimarmos!” (JOHANN WOLFGANG VON GOETHE)
No ambiente das escolas, a sensação que tenho é que professores e funcionários de apoio respiram aliviados como se vislumbrassem uma ínfima luz de esperança por dias melhores na educação rondoniense. Para todos, simplesmente Ivo Cassol já vai tarde.
Nenhum governador os humilhou tanto, com palavras ferinas, esmolas travestidas de aumento salarial, medidas traiçoeiras contra professores aprovadas pela Assembléia Legislativa na calada da noite, salários vis, perseguições aos que pensam diferente ou contestam as atitudes dos seus capitães-do-mato, estes sim, sobrevalorizados com aumentos generosos, indicados aos cargos por aliados políticos, carregando como mérito, a fidelidade em trabalhar como cabos eleitorais para que a turma de roceiros de Rolim de Moura se perpetue no poder.
Enfim, a Justiça tarda, mas não falha. A compra de votos na eleição talvez tenha sido o menor dos males. Há fatos piores como os processos e escândalos que mancham o governo, sempre visitado pela Polícia Federal. E, ao invés da transparência ante às autoridades, Ivo Cassol e seus asseclas respondem com arrogância, ataques pessoais e tentativas de desmoralizar moralmente quem se atreve a se tornar uma pedra em seu caminho, como recentes, o Procurador Reginaldo Trindade e a ex-ministra Marina Silva. Humilhou policiais cujas mulheres lutavam por melhores salários que dignificassem o risco à vida, enfrentou os religiosos, ONGs, tentou mascarar o campo de concentração que é o Urso Branco, etc.
Em relação aos educadores, refiro-me especialmente àqueles que estão trabalhando em salas de aulas superlotadas, sem condições favoráveis, sem reconhecimento justo da sociedade, Cassol se impôs como um grande flagelo. Aos funcionários de apoio, sequer sente a comiseração de ganhar pouco mais de um salário mínimo, parte dele já comprometida com empréstimos em folha, sobretudo porque o poder aquisitivo não supre mais as despesas domésticas. Para estes trabalhadores, a destituição desse político energúmeno faz nascer uma luz tênue de esperança, mesmo que as brechas das leis venham a apagá-la.
O anseio dos professores será por dias melhores, que o próximo governante não os valorize somente em cima de palanques eleitorais, afinal de contas malgrado às adversidades impostas à classe, a maioria dos professores conscientes nunca deixa “a peteca cair”. Isto está claro quando duas professoras da rede pública de Vilhena e Presidente Médici chegaram à final do Concurso Professor Nota 10 da Editora Abril, ressalvando-se que a professora Andréia Silva Brito de Médici trouxe o título para Rondônia.
A professora Andréia talvez ganhe menos do que uma hospedagem semanal de um educador no Hotel Rondon naquelas dezenas de “cursos de formação” que ligam o nada a lugar nenhum e servem para dilapidar os recursos da Seduc que poderiam melhorar e muito se fosse investido nas escolas.
Quanto ao Ivo Cassol, se depender dos educadores que realmente trabalham, a mensagem é: “até logo, nunca mais!
*O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná – E-mail: digtobfilho@hotmail.com
Publicado no Tudorondonia em 19/11/2007 - Continua atualíssimo!
REPRESENTAÇÕES DE ENSINO PARA QUÊ?
Prof. Diogo Tobias Filho*
As representações de ensino da SEDUC se transformaram em monumentos de inutilidade no atual sistema educacional rondoniense. São órgãos perdulários e desnecessários, porém, nenhum governador tem coragem de extingui-las, sobretudo porque, lá se acoita os ungidos da politicalha local que sobrevivem às custas do dinheiro da educação. Alguns são inclusive, professores concursados, porém desde que tomaram posse na investidura da docência, jamais adentraram uma sala de aula para tomar pó de giz na cara ou se assim o fizeram, certamente foi por pouco tempo.
Enquanto impera a sinecura, nas escolas, a carência de professores efetivos toma proporções alarmantes. Os contratos temporários suprem em quantidade, mas não em qualidade, porque não se encontram profissionais das áreas críticas dispostos a enveredar numa carreira sem perspectivas financeiras. Na iminência do fracasso no processo de aprendizagem, existe uma sociedade omissa, calada com o silêncio da indiferença, optando por jogar injustamente sobre os professores, o elo mais fraco da corrente, a culpa pelo fiasco do ensino na era Cassol.
Nas chamadas REN’s, investe-se altas somas com passagens, gasolina, telefone, papel, água, energia, suprimentos de fundo para se gastar sabe-se lá com quê, além do entulho de servidores, que geralmente por favores políticos descolam uma “boquinha para gerenciar projetos, programas e outras invencionices” que nunca saem do abstrato. Imagine leitores, quanto se economizaria de dinheiro para os cofres públicos se alguém pusesse fim nesta farra de gastança?
O problema não consiste só em banir essas REN’s no mapa do desperdício. É fundamental dar autonomia às escolas para que resolvam seus problemas - inclusive de contratações emergenciais - diretos com a Secretaria de Educação. Mas para isso se faz necessário democratizá-la, coordenar a formação de conselhos com a participação de todos os setores de sua clientela, incentivar a autonomia para gerir recursos disponíveis, enfim, elaborar um projeto político-pedagógico autêntico, sem ser como os atuais que não passam de calhamaço de cópias sem nenhuma utilidade prática e desconhecidos da maioria dos educadores, alunos e pais. Afinal de contas para que serve as representações de ensino? Respondo! Serve tão-somente para ser o que é hoje: um valhacouto de cabos eleitorais para onde acorrem os capitães-do-mato de Ivo Cassol, interessados mais em fazer política para agradar o chefe e bem menos no bom funcionamento da educação. São úteis também como trampolim político para os ocupantes destes cargos nos municípios. Usa-se ainda para conspirar contra professores mais politizados que não falam aquilo que agrada o chefe do entourage cassolista e são vitimados pelos estafetas da bajulação.
Não creio em mudanças estruturais no atual governo. Assim como não nascia mais nada no chão pisado pelas patas do cavalo que conduzia Átila - o flagelo de Deus, também sob as rodas da Hilux que transporta Ivo Cassol - o flagelo da educação, não mais nascerá vida inteligente.
*O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná. (digtobfilho@hotmail.com)
Prof. Diogo Tobias Filho*
As representações de ensino da SEDUC se transformaram em monumentos de inutilidade no atual sistema educacional rondoniense. São órgãos perdulários e desnecessários, porém, nenhum governador tem coragem de extingui-las, sobretudo porque, lá se acoita os ungidos da politicalha local que sobrevivem às custas do dinheiro da educação. Alguns são inclusive, professores concursados, porém desde que tomaram posse na investidura da docência, jamais adentraram uma sala de aula para tomar pó de giz na cara ou se assim o fizeram, certamente foi por pouco tempo.
Enquanto impera a sinecura, nas escolas, a carência de professores efetivos toma proporções alarmantes. Os contratos temporários suprem em quantidade, mas não em qualidade, porque não se encontram profissionais das áreas críticas dispostos a enveredar numa carreira sem perspectivas financeiras. Na iminência do fracasso no processo de aprendizagem, existe uma sociedade omissa, calada com o silêncio da indiferença, optando por jogar injustamente sobre os professores, o elo mais fraco da corrente, a culpa pelo fiasco do ensino na era Cassol.
Nas chamadas REN’s, investe-se altas somas com passagens, gasolina, telefone, papel, água, energia, suprimentos de fundo para se gastar sabe-se lá com quê, além do entulho de servidores, que geralmente por favores políticos descolam uma “boquinha para gerenciar projetos, programas e outras invencionices” que nunca saem do abstrato. Imagine leitores, quanto se economizaria de dinheiro para os cofres públicos se alguém pusesse fim nesta farra de gastança?
O problema não consiste só em banir essas REN’s no mapa do desperdício. É fundamental dar autonomia às escolas para que resolvam seus problemas - inclusive de contratações emergenciais - diretos com a Secretaria de Educação. Mas para isso se faz necessário democratizá-la, coordenar a formação de conselhos com a participação de todos os setores de sua clientela, incentivar a autonomia para gerir recursos disponíveis, enfim, elaborar um projeto político-pedagógico autêntico, sem ser como os atuais que não passam de calhamaço de cópias sem nenhuma utilidade prática e desconhecidos da maioria dos educadores, alunos e pais. Afinal de contas para que serve as representações de ensino? Respondo! Serve tão-somente para ser o que é hoje: um valhacouto de cabos eleitorais para onde acorrem os capitães-do-mato de Ivo Cassol, interessados mais em fazer política para agradar o chefe e bem menos no bom funcionamento da educação. São úteis também como trampolim político para os ocupantes destes cargos nos municípios. Usa-se ainda para conspirar contra professores mais politizados que não falam aquilo que agrada o chefe do entourage cassolista e são vitimados pelos estafetas da bajulação.
Não creio em mudanças estruturais no atual governo. Assim como não nascia mais nada no chão pisado pelas patas do cavalo que conduzia Átila - o flagelo de Deus, também sob as rodas da Hilux que transporta Ivo Cassol - o flagelo da educação, não mais nascerá vida inteligente.
*O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná. (digtobfilho@hotmail.com)
Publicado no TUDORONDONIA EM 19/05/2009
Artigo: ATÉ TU, PROFESSOR PASCOAL?
Prof. Diogo Tobias Filho*
A semana que passou me reservou dois momentos distintos. Num primeiro momento, ao navegar nos sites, deparei-me com o Professor Pardal e relembrei meus tempos de infância quando lia gibis todos os dias. Este era o nome do cientista do bem que, junto com “Lampadinha”, criava soluções inteligentes para enfrentar com sucesso a turma do mal, em aventuras mirabolantes nos quadrinhos. No segundo e infeliz momento, li uma notícia de um nome semelhante: Professor Pascoal, citado no noticiário dos sites rondonienses e que me causou profunda decepção.
O que me estarreceu não foi o projeto enviado pelo Governo Cassol, que propunha alterações na Lei 420/2008 e a revogação do artigo 68, conspirando contra educadores que sofrem há 500 anos com os péssimos salários, condições adversas de trabalho e todo tipo de espoliação, sobretudo porque Ivo Cassol já demonstrou que não pretende amarrar a boca do seu saco de maldades enquanto estiver no comando do governo. O título “Flagelo da educação” conquistado com méritos é dele e ninguém põe as mãos. A minha indignação consiste em ler que um professor universitário é a eminência parda de tamanha indecência contra seus colegas de profissão. É aceitável que o Pascoal Aguiar esteja deslumbrado com os meandros do poder. Ser Secretário-adjunto provavelmente lhe confere uma polpuda remuneração, viagens para encontros importantes, hospedagens em luxuosos hotéis, um contato mais próximo com a elite dirigente da educação no país. Este lado glamoroso é inconcebível para o professor comum.
Se Pascoal pertencesse ao quadro efetivo do Estado, estaria exaurido com 30 aulas semanais; se trabalhasse na periferia das cidades maiores, sofreria com a falta de estrutura ou recursos pedagógicos nas escolas; sem carro próprio ficaria temeroso em tomar o coletivo no fim do expediente, receoso de ser assaltado ao chegar em casa; se morasse em alguma cidade da esburacada 429, sentiria na pele o fardo de viver num lugar de difícil acesso em todos os sentidos. Mas Pascoal sabe que quando a farra da roça acabar ele voltará ao seu emprego federal, bom salário, sala de aula bem mais estruturada e uma aposentadoria confiável, e isso sem precisar andar no “buzão”, de parada em parada. A pedra que atirou para o alto não cairá sobre sua cabeça. Quando vejo alguém da mesma profissão armando uma cilada deste naipe, o nosso sentimento é de frustração. Deduzo que nossa classe se assemelha mesmo ao elefante: grande, forte, mas sem nenhum poder de reação. Sequer temos a humildade de agradecer ao SINTERO por estar alerta e evitar um prejuízo ainda maior. Aliás, se não fosse o Sindicato dos educadores, tão odiado por Cassol, o absolutismo típico do século XVIII, seria o regime oficial no atual governo.
Caso o que li seja verdadeiro, lamento que o Professor Pascoal não tenha tido uma ideia melhor. Poderia disfarçadamente, inserir no projeto, algo como incentivo para cursos de mestrado ou doutorado, quem sabe, programar para o estado fornecer computadores portáteis aos professores, ou ainda, algum tipo de bônus para quem se destacasse no processo de ensino-aprendizagem, como fazem outros Estados.
A aprovação seria “favas contadas”, posto que, os deputados não leem os projetos que aprovam. O Professor Pascoal, mesmo que fosse sumariamente demitido, sairia consagrado pelos seus pares. Ele preferiu o lado inverso. Compactuar com mais um cálice envenenado servido nos escaninhos da Assembléia Legislativa a ponto de assustar a própria base aliada, acompanhar a educação da era Cassol em sua irreversível caminhada rumo à lata de lixo da história e o pior, fazer parte do seleto grupo onde já se encontram Judas, Brutus, Calabar e Joaquim Silvério dos Reis.
*O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná/RO – digtobfilho@hotmail.com
Prof. Diogo Tobias Filho*
A semana que passou me reservou dois momentos distintos. Num primeiro momento, ao navegar nos sites, deparei-me com o Professor Pardal e relembrei meus tempos de infância quando lia gibis todos os dias. Este era o nome do cientista do bem que, junto com “Lampadinha”, criava soluções inteligentes para enfrentar com sucesso a turma do mal, em aventuras mirabolantes nos quadrinhos. No segundo e infeliz momento, li uma notícia de um nome semelhante: Professor Pascoal, citado no noticiário dos sites rondonienses e que me causou profunda decepção.
O que me estarreceu não foi o projeto enviado pelo Governo Cassol, que propunha alterações na Lei 420/2008 e a revogação do artigo 68, conspirando contra educadores que sofrem há 500 anos com os péssimos salários, condições adversas de trabalho e todo tipo de espoliação, sobretudo porque Ivo Cassol já demonstrou que não pretende amarrar a boca do seu saco de maldades enquanto estiver no comando do governo. O título “Flagelo da educação” conquistado com méritos é dele e ninguém põe as mãos. A minha indignação consiste em ler que um professor universitário é a eminência parda de tamanha indecência contra seus colegas de profissão. É aceitável que o Pascoal Aguiar esteja deslumbrado com os meandros do poder. Ser Secretário-adjunto provavelmente lhe confere uma polpuda remuneração, viagens para encontros importantes, hospedagens em luxuosos hotéis, um contato mais próximo com a elite dirigente da educação no país. Este lado glamoroso é inconcebível para o professor comum.
Se Pascoal pertencesse ao quadro efetivo do Estado, estaria exaurido com 30 aulas semanais; se trabalhasse na periferia das cidades maiores, sofreria com a falta de estrutura ou recursos pedagógicos nas escolas; sem carro próprio ficaria temeroso em tomar o coletivo no fim do expediente, receoso de ser assaltado ao chegar em casa; se morasse em alguma cidade da esburacada 429, sentiria na pele o fardo de viver num lugar de difícil acesso em todos os sentidos. Mas Pascoal sabe que quando a farra da roça acabar ele voltará ao seu emprego federal, bom salário, sala de aula bem mais estruturada e uma aposentadoria confiável, e isso sem precisar andar no “buzão”, de parada em parada. A pedra que atirou para o alto não cairá sobre sua cabeça. Quando vejo alguém da mesma profissão armando uma cilada deste naipe, o nosso sentimento é de frustração. Deduzo que nossa classe se assemelha mesmo ao elefante: grande, forte, mas sem nenhum poder de reação. Sequer temos a humildade de agradecer ao SINTERO por estar alerta e evitar um prejuízo ainda maior. Aliás, se não fosse o Sindicato dos educadores, tão odiado por Cassol, o absolutismo típico do século XVIII, seria o regime oficial no atual governo.
Caso o que li seja verdadeiro, lamento que o Professor Pascoal não tenha tido uma ideia melhor. Poderia disfarçadamente, inserir no projeto, algo como incentivo para cursos de mestrado ou doutorado, quem sabe, programar para o estado fornecer computadores portáteis aos professores, ou ainda, algum tipo de bônus para quem se destacasse no processo de ensino-aprendizagem, como fazem outros Estados.
A aprovação seria “favas contadas”, posto que, os deputados não leem os projetos que aprovam. O Professor Pascoal, mesmo que fosse sumariamente demitido, sairia consagrado pelos seus pares. Ele preferiu o lado inverso. Compactuar com mais um cálice envenenado servido nos escaninhos da Assembléia Legislativa a ponto de assustar a própria base aliada, acompanhar a educação da era Cassol em sua irreversível caminhada rumo à lata de lixo da história e o pior, fazer parte do seleto grupo onde já se encontram Judas, Brutus, Calabar e Joaquim Silvério dos Reis.
*O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná/RO – digtobfilho@hotmail.com
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
O CAMPEÃO DE ACESSOS - PUBLICADO EM 13/04/2008 EM VÁRIOS SITES
ARTIGO - Ivo Cassol: O Flagelo da Educação (Por: Prof. Diogo Tobias Filho)
Conta a história que Átila, rei do hunos, personificou a violência e arrogância de tal maneira demasiadas que sob a pata do seu cavalo jamais germinava qualquer grão. Perseguidor implacável dos justos e dos que considerava inimigos, acabou se eternizando na história pelo epíteto “Flagelo de Deus”.
O Sr. Ivo Cassol almeja o mesmo título de Átila para se entronizar na História Regional cuja transmissão é em parte, responsabilidade dos educadores. Por incrível que pareça, está conseguindo tal gesta a passos largos. No início do seu primeiro mandato prometeu eleição direta para gestores escolares, causando euforia n’alguns, mas, comedimento em outros, principalmente nos professores de Rolim de Moura, acostumados aos salários de fome e arroubos de arrogância do então prefeito Cassol.
As eleições prometidas para as escolas do Estado tornaram-se retumbantes fiascos e logo em seguida, o decreto foi revogado para a alegria dos cabos eleitorais do governador, que voltaram a indicar seus protegidos como bons paus-mandado. Alguém conhece se algum governante no mundo civilizado já instituiu gestão democrática na escola por decreto? O Sr. Ivo Cassol tem essa primazia.
Na mídia escrita e televisa lê-se constantemente sobre invasões de colégios por supostos elementos ligados ao seu staff, censura prévia aos professores que usam o instrumento da crítica em sala de aula, ameaça de demissão aos renitentes, aos grevistas, aos que não suportam ouvir seus erros crassos de português e por aí vai.
O Sintero passou a ser alvo predileto haja vista, durante o processo eletivo para presidência do sindicato, Cassol não conseguiu emplacar sua candidata. O poderoso político sente-se deveras incomodado pelas ações que o Sintero move na justiça, única esperança de se conseguir algum benefício para a classe. O abismo entre a concessão de aumentos para funcionários (4% parcelado) e para os cargos de confiança (até 116% aos diretores de escolas) é avassalador.
A retirada da gratificação do magistério pela simples falta no trabalho é um ato terrorista contra todos professores e me leva a inferir o seguinte: o Sr. Ivo Cassol porta algum trauma da época em que raríssimas vezes freqüentou a escola. Se tivesse consideradas lembranças sobre sua primeira professora, celebraria o ato de educar como a mais nobre virtude, via única para a cidadania, para a ascensão social digna e pela universalização da cultura entre as pessoas.
Outros fatos desastrosos para educação podem ser enumerados, não obstante apenas citarmos alguns: o fim do Proafí, que afetará o bom funcionamento das escolas do interior, mormente nas cidades distantes da capital; a escolha de um policial civil para chefiar a Secretaria da Educação; o insosso plano de cargos e salários (?); o escândalo de desvio de dinheiros do Joer; terceirização desnecessária nas escolas das pequenas cidades; desprezo pelo pessoal de apoio que em breve, deverá receber apenas um salário-mínimo.
A suposta transparência alegada há muito foi maculada pelos marmitex de Miguel Sena ou pelas prisões de figurões ligados ao governo nas incursões da Polícia Federal por aqui.
Caso ocorra um encontro casual na eternidade entre Átila e Ivo Cassol, deverá ser muitíssimo interessante o diálogo entre os dois: o rei dos hunos se vangloriará da destruição de cidadelas inteiras com perseguição violenta aos povos, inimigos ou não. Cassol, o rei de Rondônia, contar-lhe-á como destruiu a educação do Estado e, sobretudo, de que modo levou seus professores e funcionários de apoio a mais humilhante ruína financeira. O lugar do encontro entre o flagelo de Deus e o flagelo da educação será provavelmente no purgatório.
*O autor é professor de filosofia em Jí-Paraná.
E-mail – digtobfilho@hotmail.com
Conta a história que Átila, rei do hunos, personificou a violência e arrogância de tal maneira demasiadas que sob a pata do seu cavalo jamais germinava qualquer grão. Perseguidor implacável dos justos e dos que considerava inimigos, acabou se eternizando na história pelo epíteto “Flagelo de Deus”.
O Sr. Ivo Cassol almeja o mesmo título de Átila para se entronizar na História Regional cuja transmissão é em parte, responsabilidade dos educadores. Por incrível que pareça, está conseguindo tal gesta a passos largos. No início do seu primeiro mandato prometeu eleição direta para gestores escolares, causando euforia n’alguns, mas, comedimento em outros, principalmente nos professores de Rolim de Moura, acostumados aos salários de fome e arroubos de arrogância do então prefeito Cassol.
As eleições prometidas para as escolas do Estado tornaram-se retumbantes fiascos e logo em seguida, o decreto foi revogado para a alegria dos cabos eleitorais do governador, que voltaram a indicar seus protegidos como bons paus-mandado. Alguém conhece se algum governante no mundo civilizado já instituiu gestão democrática na escola por decreto? O Sr. Ivo Cassol tem essa primazia.
Na mídia escrita e televisa lê-se constantemente sobre invasões de colégios por supostos elementos ligados ao seu staff, censura prévia aos professores que usam o instrumento da crítica em sala de aula, ameaça de demissão aos renitentes, aos grevistas, aos que não suportam ouvir seus erros crassos de português e por aí vai.
O Sintero passou a ser alvo predileto haja vista, durante o processo eletivo para presidência do sindicato, Cassol não conseguiu emplacar sua candidata. O poderoso político sente-se deveras incomodado pelas ações que o Sintero move na justiça, única esperança de se conseguir algum benefício para a classe. O abismo entre a concessão de aumentos para funcionários (4% parcelado) e para os cargos de confiança (até 116% aos diretores de escolas) é avassalador.
A retirada da gratificação do magistério pela simples falta no trabalho é um ato terrorista contra todos professores e me leva a inferir o seguinte: o Sr. Ivo Cassol porta algum trauma da época em que raríssimas vezes freqüentou a escola. Se tivesse consideradas lembranças sobre sua primeira professora, celebraria o ato de educar como a mais nobre virtude, via única para a cidadania, para a ascensão social digna e pela universalização da cultura entre as pessoas.
Outros fatos desastrosos para educação podem ser enumerados, não obstante apenas citarmos alguns: o fim do Proafí, que afetará o bom funcionamento das escolas do interior, mormente nas cidades distantes da capital; a escolha de um policial civil para chefiar a Secretaria da Educação; o insosso plano de cargos e salários (?); o escândalo de desvio de dinheiros do Joer; terceirização desnecessária nas escolas das pequenas cidades; desprezo pelo pessoal de apoio que em breve, deverá receber apenas um salário-mínimo.
A suposta transparência alegada há muito foi maculada pelos marmitex de Miguel Sena ou pelas prisões de figurões ligados ao governo nas incursões da Polícia Federal por aqui.
Caso ocorra um encontro casual na eternidade entre Átila e Ivo Cassol, deverá ser muitíssimo interessante o diálogo entre os dois: o rei dos hunos se vangloriará da destruição de cidadelas inteiras com perseguição violenta aos povos, inimigos ou não. Cassol, o rei de Rondônia, contar-lhe-á como destruiu a educação do Estado e, sobretudo, de que modo levou seus professores e funcionários de apoio a mais humilhante ruína financeira. O lugar do encontro entre o flagelo de Deus e o flagelo da educação será provavelmente no purgatório.
*O autor é professor de filosofia em Jí-Paraná.
E-mail – digtobfilho@hotmail.com
PUBLICADO EM VÁRIOS SITES - 17/02/2009
IVO CASSOL E O ANO LETIVO DE 2009: INÍCIO PÍFIO.
Autor: Prof. Diogo Tobias Filho
Fonte: destaquerondonia.com
Octávio Paz, escritor mexicano e prêmio Nobel de literatura, disse em certa ocasião que as massas mais perigosas são exatamente aquelas que têm medo de mudanças. Partindo desta propositura, as massas rondonienses encaixadas neste perfil não terão o que temer, afinal de contas, perspectivas de mudanças por aqui, talvez somente no final de 2010, quando Ivo Cassol, para alívio dos trabalhadores em educação e para a tristeza de apaniguados nos cargos de confiança, deixará o comando do Estado.
Começamos o ano letivo de 2009, tal qual vivenciamos anos anteriores. Nenhum projeto significativo à vista, desesperança de valorização dos professores e servidores de apoio, relações democráticas nas escolas praticamente exterminadas, vozes silenciadas pela arrogância entre tantos outros reveses.
Há ainda um ingrediente desastroso: certo deputado, provavelmente por falta do que fazer, aprovou um “projeto” para iniciar as aulas em março, sem nenhuma justificativa plausível. Creio que é apenas uma forma de intimidar o Sintero e jogar professores contra a sociedade, na possibilidade de comprometer o calendário escolar em caso de paralisação.
Negociar com a Sra. Marli Cahula é semelhante a enxugar gelo, até porque, sem autonomia como gestora, não ordena nem decide absolutamente nada. Seu grande mérito intelectual que a faz assumir o cargo é o fato de ser casada com o Vice-Governador. O adjunto Pascoal torna-se menos insignificante, porque faz jus aos seus robustos vencimentos abrindo cursos e encontros da Seduc no Hotel Rondon.
De qualquer forma, greve com este governo, tornou-se um instrumento enlanguescido por vários motivos. Há inúmeros professores emergenciais, sempre avisados que em caso de aderir a movimentos grevistas, suas cabeças serão inexoravelmente cortadas, soma-se o próprio desprezo do governador pela educação como instrumento de prosperidade financeira e ascensão social, visto que, como ele mesmo apregoa, a educação é desnecessária para se alcançar riqueza e poder.
Neste ínterim, nada de novo em 2009 nos espera. Apenas mais um ano que passará às margens plácidas do rio madeira, sem planejamento de vulto para médio ou longo prazo, sem melhorias estruturais nas escolas, sem gestão participativa; olhamos com dissabor, diretores sem autonomia e servidores a cada dia sem eira nem beira. Quisera eu que Fundeb por aqui significasse fundo de erradicação da burrice.
Por seu turno, o grande enigma da sociedade rondoniense será quo vadis, populli? Os desejosos por mudanças terão mais uma chance de soltar a voz pelas estradas da floresta, contra a opressão palaciana sem lhes importar quem os queira ouvir. Mas as massas com medo de mudança terão outra obrigação: eleger o blandicioso Ivo Narciso Cassol – o flagelo da educação - senador da república. Quanto a mim, vou continuar lendo Octávio Paz, mesmo que não fique rico.
O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná (digtobfilho@hotmail.com)
Autor: Prof. Diogo Tobias Filho
Fonte: destaquerondonia.com
Octávio Paz, escritor mexicano e prêmio Nobel de literatura, disse em certa ocasião que as massas mais perigosas são exatamente aquelas que têm medo de mudanças. Partindo desta propositura, as massas rondonienses encaixadas neste perfil não terão o que temer, afinal de contas, perspectivas de mudanças por aqui, talvez somente no final de 2010, quando Ivo Cassol, para alívio dos trabalhadores em educação e para a tristeza de apaniguados nos cargos de confiança, deixará o comando do Estado.
Começamos o ano letivo de 2009, tal qual vivenciamos anos anteriores. Nenhum projeto significativo à vista, desesperança de valorização dos professores e servidores de apoio, relações democráticas nas escolas praticamente exterminadas, vozes silenciadas pela arrogância entre tantos outros reveses.
Há ainda um ingrediente desastroso: certo deputado, provavelmente por falta do que fazer, aprovou um “projeto” para iniciar as aulas em março, sem nenhuma justificativa plausível. Creio que é apenas uma forma de intimidar o Sintero e jogar professores contra a sociedade, na possibilidade de comprometer o calendário escolar em caso de paralisação.
Negociar com a Sra. Marli Cahula é semelhante a enxugar gelo, até porque, sem autonomia como gestora, não ordena nem decide absolutamente nada. Seu grande mérito intelectual que a faz assumir o cargo é o fato de ser casada com o Vice-Governador. O adjunto Pascoal torna-se menos insignificante, porque faz jus aos seus robustos vencimentos abrindo cursos e encontros da Seduc no Hotel Rondon.
De qualquer forma, greve com este governo, tornou-se um instrumento enlanguescido por vários motivos. Há inúmeros professores emergenciais, sempre avisados que em caso de aderir a movimentos grevistas, suas cabeças serão inexoravelmente cortadas, soma-se o próprio desprezo do governador pela educação como instrumento de prosperidade financeira e ascensão social, visto que, como ele mesmo apregoa, a educação é desnecessária para se alcançar riqueza e poder.
Neste ínterim, nada de novo em 2009 nos espera. Apenas mais um ano que passará às margens plácidas do rio madeira, sem planejamento de vulto para médio ou longo prazo, sem melhorias estruturais nas escolas, sem gestão participativa; olhamos com dissabor, diretores sem autonomia e servidores a cada dia sem eira nem beira. Quisera eu que Fundeb por aqui significasse fundo de erradicação da burrice.
Por seu turno, o grande enigma da sociedade rondoniense será quo vadis, populli? Os desejosos por mudanças terão mais uma chance de soltar a voz pelas estradas da floresta, contra a opressão palaciana sem lhes importar quem os queira ouvir. Mas as massas com medo de mudança terão outra obrigação: eleger o blandicioso Ivo Narciso Cassol – o flagelo da educação - senador da república. Quanto a mim, vou continuar lendo Octávio Paz, mesmo que não fique rico.
O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná (digtobfilho@hotmail.com)
PUBLICADO EM VÁRIOS SITES - 25/05/2008
A desilusão de um professor!
Por: Prof. Diogo Tobias Filho*
Falando sério, estou pensando em abandonar a carreira de professor. Já não o fiz porque me faltam alternativas profissionais para a sobrevivência. Acho que o mercado me rejeita por já ter ultrapassado os 40. Cansei de ouvir ditos demagógicos tipo “professor deveria ganhar bem” ou “minha profissão é sacerdócio”, até porque nunca senti ínfima vontade de enveredar pelo caminho religioso no meio de meia dúzia de moleques baderneiros, que estando na escola, alivia o suplício dos pais.
Há outros agravantes. Não mais suporto ministrar minhas aulas em escola pública, simplesmente porque elas não evoluem sem investimentos. Giz, quadro de cimento, carteiras remendadas, água da Caerd, exclusão digital e aqueles cadernos e apostilas do governo Cassol, pura propaganda política de quem é o símbolo da mediocridade na educação dentre os últimos governadores de Rondônia. A escola atual está parada no tempo e pela estrutura arcaica, beira aí duzentos anos de existência.Admito que tenho de cortar na própria carne. Estou desiludido com tudo: o salário é ruim, as condições de trabalho deixam a desejar, o sistema de ensino é o mesmo, sempre protegendo quem consegue se imiscuir na famosa “panelinha”, cobrando excessivamente dos que realmente trabalham e nunca são valorizados.
Antigamente havia número maior de profissionais dedicados, formados na própria área de atuação, enquanto hoje, chove de cursos superiores de qualidade duvidosa, virtuais, privados, prohacap, provendo de “canudos” alguns colegas cuja capacidade deixa a desejar.Mas fazer o quê? Pagando esse provento não é de se esperar que tenhamos mestres e doutores lecionando no ensino fundamental e médio, exceto os defensores de teses nos cafundós do Paraguai. Resta-me bater papo com gente de toda espécie, advogado, contador, engenheiro, enfermeira, veterinário, etc. todos sem o menor preparo para trabalhar em sala de aula.Como minha remuneração mensal é inferior até a do vendedor de espetinho, decidi ter a gesta, a desrazão de desaprender tudo que estudei, procurar usar a língua brejeira, recheada de “pobrema”, “menas”, “punhar”, “a gente fomos”, e outros erros crassos, popularescos, como o insuportável “seje” estourando meus tímpanos.
Depois de passar a vida lendo Aristóteles, Plotino, Kafka, Machado de Assis e outros, anseio por ser realmente um zé-ninguém, aquele capadócio anônimo no ventre da arraia-miúda.Certamente, terei mais chance de ser Presidente do Brasil ou, na pior das hipóteses, Governador de Rondônia.
*O autor é Professor de Filosofia em Ji-Paraná ( digtobfilho@hotmail.com )
Por: Prof. Diogo Tobias Filho*
Falando sério, estou pensando em abandonar a carreira de professor. Já não o fiz porque me faltam alternativas profissionais para a sobrevivência. Acho que o mercado me rejeita por já ter ultrapassado os 40. Cansei de ouvir ditos demagógicos tipo “professor deveria ganhar bem” ou “minha profissão é sacerdócio”, até porque nunca senti ínfima vontade de enveredar pelo caminho religioso no meio de meia dúzia de moleques baderneiros, que estando na escola, alivia o suplício dos pais.
Há outros agravantes. Não mais suporto ministrar minhas aulas em escola pública, simplesmente porque elas não evoluem sem investimentos. Giz, quadro de cimento, carteiras remendadas, água da Caerd, exclusão digital e aqueles cadernos e apostilas do governo Cassol, pura propaganda política de quem é o símbolo da mediocridade na educação dentre os últimos governadores de Rondônia. A escola atual está parada no tempo e pela estrutura arcaica, beira aí duzentos anos de existência.Admito que tenho de cortar na própria carne. Estou desiludido com tudo: o salário é ruim, as condições de trabalho deixam a desejar, o sistema de ensino é o mesmo, sempre protegendo quem consegue se imiscuir na famosa “panelinha”, cobrando excessivamente dos que realmente trabalham e nunca são valorizados.
Antigamente havia número maior de profissionais dedicados, formados na própria área de atuação, enquanto hoje, chove de cursos superiores de qualidade duvidosa, virtuais, privados, prohacap, provendo de “canudos” alguns colegas cuja capacidade deixa a desejar.Mas fazer o quê? Pagando esse provento não é de se esperar que tenhamos mestres e doutores lecionando no ensino fundamental e médio, exceto os defensores de teses nos cafundós do Paraguai. Resta-me bater papo com gente de toda espécie, advogado, contador, engenheiro, enfermeira, veterinário, etc. todos sem o menor preparo para trabalhar em sala de aula.Como minha remuneração mensal é inferior até a do vendedor de espetinho, decidi ter a gesta, a desrazão de desaprender tudo que estudei, procurar usar a língua brejeira, recheada de “pobrema”, “menas”, “punhar”, “a gente fomos”, e outros erros crassos, popularescos, como o insuportável “seje” estourando meus tímpanos.
Depois de passar a vida lendo Aristóteles, Plotino, Kafka, Machado de Assis e outros, anseio por ser realmente um zé-ninguém, aquele capadócio anônimo no ventre da arraia-miúda.Certamente, terei mais chance de ser Presidente do Brasil ou, na pior das hipóteses, Governador de Rondônia.
*O autor é Professor de Filosofia em Ji-Paraná ( digtobfilho@hotmail.com )
PUBLICADO EM VÁRIOS SITES - 24/03/2009
Funcionários de apoio da educação: trabalho árduo, salários indignos!
Prof. Diogo Tobias Filho*
A nova nomenclatura da classe de trabalhadores de apoio é um glamour: Técnicos Administrativos Educacionais. Entretanto, de belo, só o nome porque sobreviver nesta função tem sido a cada dia um fardo pesado demais. Tudo porque o salário é vil, corroído constantemente com o aumento de preços dos gêneros indispensáveis à sobrevivência. A solução para muitos deles é o empréstimo consignado em folha, o que resulta sempre em mais problemas e diminuição do poder aquisitivo.
Paulatinamente, a remuneração está chegando ao patamar do mínimo e a sobrevivência vira canseira, haja vista que o trabalhador se sente obrigado a buscar os famosos “bicos” para tentar alguma pecúnia extra. Em breve, o Sr. Ivo Cassol vai contemplá-los com a mais completa ruína financeira. Excelente seria se o acaso da vida obrigasse Cassol a conviver durante um mísero mês com o que se paga aos servidores de apoio. Nem os vigilantes terceirizados ganham tão mal e se observe que essa terceirização é desnecessária em alguns municípios. Ademais, até a esmola resultante do enquadramento funcional, o arrogante Cassol se recusou a pagar, fazendo-o tão-somente por ordem expressa da justiça.
Certamente Ivo Cassol não se compadece das famílias destes servidores, excluídas do acesso aos bens de consumo da classe média, sem ter o direito de uma vida decente com bom vestuário, boa comida, bons recursos na educação para suas crianças, ou seja, o único caminho que trilha é o da exclusão social. Mas o pior para os que exercem esta importante função na educação é ficar alijado do processo de reconhecimento do singular trabalho que exercem. Sem eles a escola fica sem a mínima condição de funcionamento. Labutam incessantemente na limpeza das salas, na preparação da merenda, na feitura do cafezinho, nos processos burocráticos, enfim, são eles os grandes responsáveis por tornar a escola acolhedora para pais, alunos e professores.
São também os que menos reclamam da vida que levam ou do governo que os oprime sem piedade. Sabem certamente que, se implorarem melhores condições de vida, lá estarão os capitães-do-mato, sempre bem remunerados pelo Governador, para sugerir que procurem outro emprego caso não estejam satisfeitos. Honestamente, não sei como este tipo de político, de atitudes grotescas e comportamento desvairado, alcança tanta popularidade entre os eleitores. Tudo me leva a crer que em termos de consciência política, chegamos ao fundo do poço. Mais trágico ainda é saber que a politização do ser humano acontece na escola. Por isso ela é tão patrulhada pelos ideólogos da roça cassolista.
Escrevo em prol de toda educação. Não tenho medo de perseguições. Lamento que as pessoas ainda não compreendam que não basta denunciar as injustiças. É preciso dar a vida para combatê-las. Aliás, para o flagelo da educação ofereço uma assertiva sobre políticos que lhe cai bem, do dramaturgo inglês Shakespeare, de quem certamente Cassol nunca ouviu falar ou ler: “Ele não sabe coisa alguma, e pensa que sabe tudo. Isso indica claramente uma carreira política.” Infelizmente é assim, meus caros funcionários de apoio.
*O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná (digtobfilho@hotmail.com)
Prof. Diogo Tobias Filho*
A nova nomenclatura da classe de trabalhadores de apoio é um glamour: Técnicos Administrativos Educacionais. Entretanto, de belo, só o nome porque sobreviver nesta função tem sido a cada dia um fardo pesado demais. Tudo porque o salário é vil, corroído constantemente com o aumento de preços dos gêneros indispensáveis à sobrevivência. A solução para muitos deles é o empréstimo consignado em folha, o que resulta sempre em mais problemas e diminuição do poder aquisitivo.
Paulatinamente, a remuneração está chegando ao patamar do mínimo e a sobrevivência vira canseira, haja vista que o trabalhador se sente obrigado a buscar os famosos “bicos” para tentar alguma pecúnia extra. Em breve, o Sr. Ivo Cassol vai contemplá-los com a mais completa ruína financeira. Excelente seria se o acaso da vida obrigasse Cassol a conviver durante um mísero mês com o que se paga aos servidores de apoio. Nem os vigilantes terceirizados ganham tão mal e se observe que essa terceirização é desnecessária em alguns municípios. Ademais, até a esmola resultante do enquadramento funcional, o arrogante Cassol se recusou a pagar, fazendo-o tão-somente por ordem expressa da justiça.
Certamente Ivo Cassol não se compadece das famílias destes servidores, excluídas do acesso aos bens de consumo da classe média, sem ter o direito de uma vida decente com bom vestuário, boa comida, bons recursos na educação para suas crianças, ou seja, o único caminho que trilha é o da exclusão social. Mas o pior para os que exercem esta importante função na educação é ficar alijado do processo de reconhecimento do singular trabalho que exercem. Sem eles a escola fica sem a mínima condição de funcionamento. Labutam incessantemente na limpeza das salas, na preparação da merenda, na feitura do cafezinho, nos processos burocráticos, enfim, são eles os grandes responsáveis por tornar a escola acolhedora para pais, alunos e professores.
São também os que menos reclamam da vida que levam ou do governo que os oprime sem piedade. Sabem certamente que, se implorarem melhores condições de vida, lá estarão os capitães-do-mato, sempre bem remunerados pelo Governador, para sugerir que procurem outro emprego caso não estejam satisfeitos. Honestamente, não sei como este tipo de político, de atitudes grotescas e comportamento desvairado, alcança tanta popularidade entre os eleitores. Tudo me leva a crer que em termos de consciência política, chegamos ao fundo do poço. Mais trágico ainda é saber que a politização do ser humano acontece na escola. Por isso ela é tão patrulhada pelos ideólogos da roça cassolista.
Escrevo em prol de toda educação. Não tenho medo de perseguições. Lamento que as pessoas ainda não compreendam que não basta denunciar as injustiças. É preciso dar a vida para combatê-las. Aliás, para o flagelo da educação ofereço uma assertiva sobre políticos que lhe cai bem, do dramaturgo inglês Shakespeare, de quem certamente Cassol nunca ouviu falar ou ler: “Ele não sabe coisa alguma, e pensa que sabe tudo. Isso indica claramente uma carreira política.” Infelizmente é assim, meus caros funcionários de apoio.
*O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná (digtobfilho@hotmail.com)
PUBLICADO EM VÁRIOS SITES - 04/07/2009
IVO CASSOL: A treva do funcionalismo público!
Prof. Diogo Tobias Filho
É a treva - como diria aquela jovem personagem da novela “caras e bocas” da Rede Globo – achar que Cassol é amado pelo povo. Falta explicar que povo é esse. Certamente são os sete mil nababos que ocupam cargos de confiança no governo, beneficiados com aumentos exorbitantes praticamente todos os anos, sobretudo porque, formam a linhagem de soldados eleitorais prontos a dar o suor pelo chefe, vislumbrando manter seus rendimentos por mais quatro anos. Amam o governador também os revendedores alguns revendedores de carros. Ou quem sabe, os seus representantes nos rincões interioranos, bedéis de uma política ultrapassada com reminiscências de coronelismo torpe e agressivo. Defendem Cassol a chusma de beneficiários do dinheiro público como donos de hotéis que ganham rios de dinheiro alojando em suas dependências uma quantidade de cursos jamais vistos na história de Rondônia; fornecedores de livros (quem não se recorda daquelas apostilas impressas no Paraná coberta de equívocos, principalmente a de História de Rondônia?), dos marmitex de Miguel Sena e até os que se deram mal, como no caso daquela quadrilha de carros importados que fraudava o fisco estadual.
Grosso modo, o povo não tem representantes na Assembléia, posto que, quase todos os deputados pactuam com o governo, muitas vezes sequer sabem o que aprovam. Quem faz oposição de verdade é o funcionalismo público, mesmo tendo como objetivo a conquistas de algumas merrecas a mais para o salário (200, 300 reais, não sei...) e recebe em troca múltiplas humilhações do político que se acha acima do bem e do mal. É um contingente que precisa de melhores condições de vida e de trabalho, composto por policiais militares que arriscam perder a vida a qualquer instante com essa onda insana de violência, são os funcionários da saúde que se escalpelam para manter funcionando uma estrutura em estado de coma e os professores, os mais vilipendiados pela legião de capiaus de Rolim de Moura, para quem só há cobranças e cargas de trabalho estafantes. Na educação, é necessário ser probo, conhecer e analisar a situação das escolas com serenidade. Na prática, o que um pai encontra na maioria dos colégios estaduais, hoje? Carência cada vez mais alarmante de profissionais formados em suas respectivas áreas de trabalho, número insuficiente de servidores de apoio para limpeza, escolas com recursos tecnológicos limitados, não se tem uma biblioteca decente, ambiente sem energia positiva e o número de emergenciais é histórico, nunca dantes visto por aqui. Um horror! Existe ainda os que vaticinam uma possível “Revolta dos capiaus” caso a justiça casse em definitivo o mandato de Ivo Cassol. Sou contra a qualquer condenação sem provas, entretanto, parece-me que não é o caso das investigações procedidas até o momento que apontam para coação de testemunhas e sucedâneos.
O lado positivo da luta do funcionalismo é mostrar que não fomos contaminados pelo complexo do cão vira-lata, pobre animal que baixa a cabeça no primeiro grito. A resistência já dura há sete anos. Por isso, torcer pelo fim do Governo Cassol é pouco. É necessário lutar para catapultar de vez o flagelo da educação da vida pública. Senão, será a treva.
Prof. Diogo Tobias Filho
É a treva - como diria aquela jovem personagem da novela “caras e bocas” da Rede Globo – achar que Cassol é amado pelo povo. Falta explicar que povo é esse. Certamente são os sete mil nababos que ocupam cargos de confiança no governo, beneficiados com aumentos exorbitantes praticamente todos os anos, sobretudo porque, formam a linhagem de soldados eleitorais prontos a dar o suor pelo chefe, vislumbrando manter seus rendimentos por mais quatro anos. Amam o governador também os revendedores alguns revendedores de carros. Ou quem sabe, os seus representantes nos rincões interioranos, bedéis de uma política ultrapassada com reminiscências de coronelismo torpe e agressivo. Defendem Cassol a chusma de beneficiários do dinheiro público como donos de hotéis que ganham rios de dinheiro alojando em suas dependências uma quantidade de cursos jamais vistos na história de Rondônia; fornecedores de livros (quem não se recorda daquelas apostilas impressas no Paraná coberta de equívocos, principalmente a de História de Rondônia?), dos marmitex de Miguel Sena e até os que se deram mal, como no caso daquela quadrilha de carros importados que fraudava o fisco estadual.
Grosso modo, o povo não tem representantes na Assembléia, posto que, quase todos os deputados pactuam com o governo, muitas vezes sequer sabem o que aprovam. Quem faz oposição de verdade é o funcionalismo público, mesmo tendo como objetivo a conquistas de algumas merrecas a mais para o salário (200, 300 reais, não sei...) e recebe em troca múltiplas humilhações do político que se acha acima do bem e do mal. É um contingente que precisa de melhores condições de vida e de trabalho, composto por policiais militares que arriscam perder a vida a qualquer instante com essa onda insana de violência, são os funcionários da saúde que se escalpelam para manter funcionando uma estrutura em estado de coma e os professores, os mais vilipendiados pela legião de capiaus de Rolim de Moura, para quem só há cobranças e cargas de trabalho estafantes. Na educação, é necessário ser probo, conhecer e analisar a situação das escolas com serenidade. Na prática, o que um pai encontra na maioria dos colégios estaduais, hoje? Carência cada vez mais alarmante de profissionais formados em suas respectivas áreas de trabalho, número insuficiente de servidores de apoio para limpeza, escolas com recursos tecnológicos limitados, não se tem uma biblioteca decente, ambiente sem energia positiva e o número de emergenciais é histórico, nunca dantes visto por aqui. Um horror! Existe ainda os que vaticinam uma possível “Revolta dos capiaus” caso a justiça casse em definitivo o mandato de Ivo Cassol. Sou contra a qualquer condenação sem provas, entretanto, parece-me que não é o caso das investigações procedidas até o momento que apontam para coação de testemunhas e sucedâneos.
O lado positivo da luta do funcionalismo é mostrar que não fomos contaminados pelo complexo do cão vira-lata, pobre animal que baixa a cabeça no primeiro grito. A resistência já dura há sete anos. Por isso, torcer pelo fim do Governo Cassol é pouco. É necessário lutar para catapultar de vez o flagelo da educação da vida pública. Senão, será a treva.
O ÚLTIMO ARTIGO PUBLICADO NO TUDORONDONIA.COM
REPOSIÇÃO SALARIAL EMERGENCIAL: UM NOVO CONCEITO PARA “ESMOLA”!
* Prof. Diogo Tobias Filho
Seria trágica se não fosse cômica esta expressão “reposição salarial emergencial”. Todavia, o significado é banal, trata-se de uma tentativa vã de mitigar o conceito de “esmola”. O que um professor vai comprar com 4% a mais no contracheque? É melhor jogarmos a toalha de vez e admitirmos que somos uma classe sem rumo, sem identidade e sem senso crítico, excetuando-se alguns renitentes que ainda insistem em gritar palavras de ordem contra o dissimulado Ivo Cassol, o flagelo da educação! Aliás, estes panfletários são os últimos professores efetivos do estado, cercado pela turba silenciosa de emergenciais. Agora é esperar o tempo se diluir até que as esperanças para 2010 renasçam das cinzas, ao menos quando limparem o crematório da Seduc. Nomes ainda não despontaram com novas promessas de palanque, novos chavões dos pretendentes ao cargo máximo do executivo rondoniense. Eles dirão as mesmas asneiras de sempre, investimento em saúde, fórmulas milagrosas para atenuar a segurança pública e finalmente, a prioridade da educação com destaque pela “valorização” do professor. Até um político medíocre como Cassol conseguiu iludir a maioria dos educadores, apesar do famigerado discurso repleto de vícios de linguagens e erros nas concordâncias verbais capazes de fazer Houaiss se revirar no túmulo. Por isso não suporto mais participar de reuniões pedagógicas e ouvir de certos pedagogos a ousadia em dizer que precisamos formar cidadãos críticos. Passo mal cai a pressão, obrigo-me a ser deseducado porque quem precisa de exercer cidadania crítica somos nós como um todo. Ainda tem a dose cavalar que é suportar os slides de auto-ajuda e o preâmbulo das chatas leituras compartilhadas de conteúdo enternecedor. As músicas de Reginaldo Rossi são menos insuportáveis. Como se não bastasse um final do ano atolado em diários e dívidas, um cabedal de situações burocráticas para dar cabo até o prazo dado pelo capitão-do-mato que gere a escola, pais chatos tentando buscar motivos para culpar o professor pelo fracasso do filho que gazeava aula e ia jogar videogame na esquina, ainda aparece Marli Cahulla de bandeja na mão oferecendo 4% de esmola dentro de um cálice envenenado? Se tivéssemos um mínimo de coragem, recusaríamos esta humilhação. Ou no mínimo, compraríamos com essas migalhas a mais uma mortalha preta e iríamos à escola devidamente uniformizados, de manhã, de tarde e de noite! A mortalha seria nosso jaleco oficial, uma excelente demonstração de insatisfação da classe de educadores. Vestidos de preto, com trabalho e respeito - nosso lema, até o último dia do calendário escolar. Se não for assim, vou passar mal, vou ser deseducado, a pressão vai cair. E a esmola de 4% não vai suprir os remédios que terei de comprar na farmácia do meu bairro.
O autor é professor de filosofia em Jí-Paraná - (digtobfilho@hotmail.com)
* Prof. Diogo Tobias Filho
Seria trágica se não fosse cômica esta expressão “reposição salarial emergencial”. Todavia, o significado é banal, trata-se de uma tentativa vã de mitigar o conceito de “esmola”. O que um professor vai comprar com 4% a mais no contracheque? É melhor jogarmos a toalha de vez e admitirmos que somos uma classe sem rumo, sem identidade e sem senso crítico, excetuando-se alguns renitentes que ainda insistem em gritar palavras de ordem contra o dissimulado Ivo Cassol, o flagelo da educação! Aliás, estes panfletários são os últimos professores efetivos do estado, cercado pela turba silenciosa de emergenciais. Agora é esperar o tempo se diluir até que as esperanças para 2010 renasçam das cinzas, ao menos quando limparem o crematório da Seduc. Nomes ainda não despontaram com novas promessas de palanque, novos chavões dos pretendentes ao cargo máximo do executivo rondoniense. Eles dirão as mesmas asneiras de sempre, investimento em saúde, fórmulas milagrosas para atenuar a segurança pública e finalmente, a prioridade da educação com destaque pela “valorização” do professor. Até um político medíocre como Cassol conseguiu iludir a maioria dos educadores, apesar do famigerado discurso repleto de vícios de linguagens e erros nas concordâncias verbais capazes de fazer Houaiss se revirar no túmulo. Por isso não suporto mais participar de reuniões pedagógicas e ouvir de certos pedagogos a ousadia em dizer que precisamos formar cidadãos críticos. Passo mal cai a pressão, obrigo-me a ser deseducado porque quem precisa de exercer cidadania crítica somos nós como um todo. Ainda tem a dose cavalar que é suportar os slides de auto-ajuda e o preâmbulo das chatas leituras compartilhadas de conteúdo enternecedor. As músicas de Reginaldo Rossi são menos insuportáveis. Como se não bastasse um final do ano atolado em diários e dívidas, um cabedal de situações burocráticas para dar cabo até o prazo dado pelo capitão-do-mato que gere a escola, pais chatos tentando buscar motivos para culpar o professor pelo fracasso do filho que gazeava aula e ia jogar videogame na esquina, ainda aparece Marli Cahulla de bandeja na mão oferecendo 4% de esmola dentro de um cálice envenenado? Se tivéssemos um mínimo de coragem, recusaríamos esta humilhação. Ou no mínimo, compraríamos com essas migalhas a mais uma mortalha preta e iríamos à escola devidamente uniformizados, de manhã, de tarde e de noite! A mortalha seria nosso jaleco oficial, uma excelente demonstração de insatisfação da classe de educadores. Vestidos de preto, com trabalho e respeito - nosso lema, até o último dia do calendário escolar. Se não for assim, vou passar mal, vou ser deseducado, a pressão vai cair. E a esmola de 4% não vai suprir os remédios que terei de comprar na farmácia do meu bairro.
O autor é professor de filosofia em Jí-Paraná - (digtobfilho@hotmail.com)
PEDIDO AOS INTERNATAUS
Gente, se alguém tem cópia do artigo campeão de acessos no site O OBSERVADOR cujo título é IVO CASSOL E OS CAPITÃES-DO-MATO, envie-me pelo meu e-mail pois perdi o rascunho.
PUBLICADO NO SITE www.gentedeopiniao.com
GOVERNADOR JORGE TEIXEIRA UMA PAIXÃO RONDONIENSE!
Prof. Diogo Tobias Filho*
A entrevista do Governador Ivo Cassol concedida ao jornalista Léo Ladeia, julgando-se melhor do que o saudoso Teixeirão, beira as raias do absurdo. A priori, não se ousa comparar contextos históricos separados por mais de três décadas de uma gestão a outra, sobretudo porque, o antigo governador conseguia agradar gregos e troianos, quando Rondônia ainda estava se formando politicamente. O homem oriundo das estirpes militares era uma exceção a regra no regime que até então, penalizava a democracia no Brasil. Mas, ele tinha uma empatia ímpar com o povo que o adotou como líder político. Era gente simples, migrantes das mais diversas partes do país em busca de desbravar terras ignotas, trabalhar por um pedacinho de chão, agregar à mesa seu justo pão de cada dia. Acabaram por dar continuidade a concretização da nação rondoniense, contribuindo com a miscigenação de raças, costumes e cultura, corolário de uma diversidade étnica singular na história do país. Ninguém esquece Teixeirão. Ele é unanimidade. E não é pelo fato de conseguir dinheiro “a rodo” como afirmou Cassol, e sim porque, o Estado distribuía de forma mais equitativa seus recursos, reconhecia o esforço dos seus funcionários e colaboradores que o acolhiam andando à pé, sem caravanas de ostentação ou sucedâneos, dos cafundós de Costa Marques a Vilhena, de Porto Velho a qualquer lugar que se predispunha a visitar. Ivo Cassol, por mais popularidade que tenha entre empresários, agricultores e ocupantes de cargos comissionados, cujo ofício também inclui o status de cabo eleitoral, não atinge a unanimidade no Estado. Governar não é só asfaltar estradas. Sua gestão na saúde não melhorou em nada o atendimento aos mais pobres, os índices de criminalidades não foram reduzidos, o funcionalismo público vive dias de amargura, salários aviltados, encarando continuamente a arrogância do entourage cassolista. A educação tem resultados pífios com a docência funcionando na forma do improviso, via emergenciais de áreas completamente alheias às disciplinas, professores humilhados e obrigados a encarar jornadas de trabalhos estafantes em escolas completamente desestruturadas, sem recursos didáticos disponíveis para a prática do ensino mais qualificado. Isto sem falar nas camadas mais baixas do funcionalismo que vivem às turras com os baixos salários que recebem no fim do mês. Estão à beira da abissal necessidade, sem recursos para honrar compromissos essenciais à uma vida digna. Portanto, mesmo que Cassol esteja convencido que é o bambambam da política estadual, distante está do Coronel Jorge Teixeira, a quem devia demonstrar reverência. Mas, uma parte da entrevista de Ivo Cassol eu concordo: quando ele se arrepende de ter entrado na política por causa da enxurrada de processos e se diz preparado para voltar à Rolim de Moura, caso seja esta a vontade popular. Se depender de nós, professores, agentes e auxiliares administrativos, pessoas dos escalões menos favorecidos da saúde e de outras esferas do funcionalismo público, o fim da sua carreira política estará garantido. E não nos incomodaremos em acompanhar sua despedida, seja à pé ou pedalando nas nossas milhares de bicicletas, na frente das quais rugirão raivosamente centenas de luxuosas Hilux pilotadas pelos marajás da República cassolista.
*O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná (E-mail: digtobfilho@hotmail.com)
Prof. Diogo Tobias Filho*
A entrevista do Governador Ivo Cassol concedida ao jornalista Léo Ladeia, julgando-se melhor do que o saudoso Teixeirão, beira as raias do absurdo. A priori, não se ousa comparar contextos históricos separados por mais de três décadas de uma gestão a outra, sobretudo porque, o antigo governador conseguia agradar gregos e troianos, quando Rondônia ainda estava se formando politicamente. O homem oriundo das estirpes militares era uma exceção a regra no regime que até então, penalizava a democracia no Brasil. Mas, ele tinha uma empatia ímpar com o povo que o adotou como líder político. Era gente simples, migrantes das mais diversas partes do país em busca de desbravar terras ignotas, trabalhar por um pedacinho de chão, agregar à mesa seu justo pão de cada dia. Acabaram por dar continuidade a concretização da nação rondoniense, contribuindo com a miscigenação de raças, costumes e cultura, corolário de uma diversidade étnica singular na história do país. Ninguém esquece Teixeirão. Ele é unanimidade. E não é pelo fato de conseguir dinheiro “a rodo” como afirmou Cassol, e sim porque, o Estado distribuía de forma mais equitativa seus recursos, reconhecia o esforço dos seus funcionários e colaboradores que o acolhiam andando à pé, sem caravanas de ostentação ou sucedâneos, dos cafundós de Costa Marques a Vilhena, de Porto Velho a qualquer lugar que se predispunha a visitar. Ivo Cassol, por mais popularidade que tenha entre empresários, agricultores e ocupantes de cargos comissionados, cujo ofício também inclui o status de cabo eleitoral, não atinge a unanimidade no Estado. Governar não é só asfaltar estradas. Sua gestão na saúde não melhorou em nada o atendimento aos mais pobres, os índices de criminalidades não foram reduzidos, o funcionalismo público vive dias de amargura, salários aviltados, encarando continuamente a arrogância do entourage cassolista. A educação tem resultados pífios com a docência funcionando na forma do improviso, via emergenciais de áreas completamente alheias às disciplinas, professores humilhados e obrigados a encarar jornadas de trabalhos estafantes em escolas completamente desestruturadas, sem recursos didáticos disponíveis para a prática do ensino mais qualificado. Isto sem falar nas camadas mais baixas do funcionalismo que vivem às turras com os baixos salários que recebem no fim do mês. Estão à beira da abissal necessidade, sem recursos para honrar compromissos essenciais à uma vida digna. Portanto, mesmo que Cassol esteja convencido que é o bambambam da política estadual, distante está do Coronel Jorge Teixeira, a quem devia demonstrar reverência. Mas, uma parte da entrevista de Ivo Cassol eu concordo: quando ele se arrepende de ter entrado na política por causa da enxurrada de processos e se diz preparado para voltar à Rolim de Moura, caso seja esta a vontade popular. Se depender de nós, professores, agentes e auxiliares administrativos, pessoas dos escalões menos favorecidos da saúde e de outras esferas do funcionalismo público, o fim da sua carreira política estará garantido. E não nos incomodaremos em acompanhar sua despedida, seja à pé ou pedalando nas nossas milhares de bicicletas, na frente das quais rugirão raivosamente centenas de luxuosas Hilux pilotadas pelos marajás da República cassolista.
*O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná (E-mail: digtobfilho@hotmail.com)
UM DOS ÚLTIMOS - OUTUBRO DE 2009 EM HOMENAGEM AOS COLEGAS DE PROFISSÃO.
SONHANDO COM O DIA DO PROFESSOR
Prof. Diogo Tobias Filho*
Homenageamos por tradição no dia 15 de outubro o professor, único trabalhador que se dedica à formação das mais variadas profissões. Lamento serem poucos os iluminados pela benfazeja gratidão que ainda se lembram da primeira professorinha. Eu visitei a minha recentemente e a encontrei abandonada num asilo, pobre de doer, sobrevivendo das doações dos seus ex-alunos de boa cepa, entre médicos, engenheiros, odontólogos, advogados e eu, professor, o mais pobre da antiga turma. Felizmente, em 2008 está sendo diferente. Com o fabuloso aumento de 4% (parcelado), gentilmente dado pelo Sr. Ivo Cassol, já vivo sonhando com meu 15 de outubro todos os dias; na véspera, após a aula, reunirei a família e me hospedarei na suíte de um hotel 5 estrelas, de modo que, ao acordar, após o lauto café-da-manhã, começarei minha maratona de comemoração. Inicialmente minha família irá até uma concessionária de veículos importados para realizar um sonho antigo: comprar aquele carrão americano, aproveitando o desconto generoso oferecido pelo Governo Cassol no ICMS. O incontestável poder aquisitivo do meu salário me possibilita fugir dessas biroscas motorizadas que os mais simples chamam de carro popular. Sonhei no almoço pedindo cardápio especial, incluso aí, bacalhau de primeira, champagne francês, filé com nozes americanas, e de sobremesa, deliciosas ameixas européias e maçãs argentinas. Meus filhos certamente não se lembrarão daquela merenda escolar, cujo cardápio se constitui eternamente de sopa, feijão e arroz tipo 2, carne de 2ª, macarrão melequento enfeitado com um galhinho de coentro para enganar a galera. No jantar - à luz de vela - degustaremos caviar com vinho do Porto.À tarde, o sonho virá com o compromisso principal: a compra de notebooks, câmaras e filmadoras digitais, CDs culturais e livros atualizados, investimento que faço pensando em levar para sala de aula a mais alta tecnologia que o governo alega não ter dinheiro para oferecê-la aos alunos da rede pública. Pretendo ainda me especializar, de modo que, o décimo–terceiro salário reservarei para o mestrado no exterior, provavelmente em Harvard nos Estados Unidos, assim aprimoro meu inglês, matando dois coelhos com uma cajadada só. Tudo realizado da forma discreta para evitar a ostentação, aquela doce tentação em mostrar sinais exteriores de riqueza.Então, a atrevida realidade resolveu me aparecer. O sonho estava maravilhoso até que, num átimo de infelicidade, minha filha me deu um doloroso beliscão, simplesmente para me acordar e lembrar que no dia seguinte, ela iria à escola na periferia de Ji-Paraná e eu teria jornada de trabalho em três colégios para ganhar um pouquinho melhor e tentar viver com mais dignidade. A pequenina alertou-me: as rodas do nosso único meio de transporte estavam precisando de conserto. Graças a esse aumento de 4% que Ivo Cassol me concedeu, saí em disparada, comprei dois pneus novinhos em folha para colocar na minha inseparável bicicleta vermelha, modelo antigo, ano 79, velha e cansada da guerra... Que pena, o sonho acabou! *O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná (E-mail: digtobfilho@hotmail.com)
Prof. Diogo Tobias Filho*
Homenageamos por tradição no dia 15 de outubro o professor, único trabalhador que se dedica à formação das mais variadas profissões. Lamento serem poucos os iluminados pela benfazeja gratidão que ainda se lembram da primeira professorinha. Eu visitei a minha recentemente e a encontrei abandonada num asilo, pobre de doer, sobrevivendo das doações dos seus ex-alunos de boa cepa, entre médicos, engenheiros, odontólogos, advogados e eu, professor, o mais pobre da antiga turma. Felizmente, em 2008 está sendo diferente. Com o fabuloso aumento de 4% (parcelado), gentilmente dado pelo Sr. Ivo Cassol, já vivo sonhando com meu 15 de outubro todos os dias; na véspera, após a aula, reunirei a família e me hospedarei na suíte de um hotel 5 estrelas, de modo que, ao acordar, após o lauto café-da-manhã, começarei minha maratona de comemoração. Inicialmente minha família irá até uma concessionária de veículos importados para realizar um sonho antigo: comprar aquele carrão americano, aproveitando o desconto generoso oferecido pelo Governo Cassol no ICMS. O incontestável poder aquisitivo do meu salário me possibilita fugir dessas biroscas motorizadas que os mais simples chamam de carro popular. Sonhei no almoço pedindo cardápio especial, incluso aí, bacalhau de primeira, champagne francês, filé com nozes americanas, e de sobremesa, deliciosas ameixas européias e maçãs argentinas. Meus filhos certamente não se lembrarão daquela merenda escolar, cujo cardápio se constitui eternamente de sopa, feijão e arroz tipo 2, carne de 2ª, macarrão melequento enfeitado com um galhinho de coentro para enganar a galera. No jantar - à luz de vela - degustaremos caviar com vinho do Porto.À tarde, o sonho virá com o compromisso principal: a compra de notebooks, câmaras e filmadoras digitais, CDs culturais e livros atualizados, investimento que faço pensando em levar para sala de aula a mais alta tecnologia que o governo alega não ter dinheiro para oferecê-la aos alunos da rede pública. Pretendo ainda me especializar, de modo que, o décimo–terceiro salário reservarei para o mestrado no exterior, provavelmente em Harvard nos Estados Unidos, assim aprimoro meu inglês, matando dois coelhos com uma cajadada só. Tudo realizado da forma discreta para evitar a ostentação, aquela doce tentação em mostrar sinais exteriores de riqueza.Então, a atrevida realidade resolveu me aparecer. O sonho estava maravilhoso até que, num átimo de infelicidade, minha filha me deu um doloroso beliscão, simplesmente para me acordar e lembrar que no dia seguinte, ela iria à escola na periferia de Ji-Paraná e eu teria jornada de trabalho em três colégios para ganhar um pouquinho melhor e tentar viver com mais dignidade. A pequenina alertou-me: as rodas do nosso único meio de transporte estavam precisando de conserto. Graças a esse aumento de 4% que Ivo Cassol me concedeu, saí em disparada, comprei dois pneus novinhos em folha para colocar na minha inseparável bicicleta vermelha, modelo antigo, ano 79, velha e cansada da guerra... Que pena, o sonho acabou! *O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná (E-mail: digtobfilho@hotmail.com)
PUBLICADO EM 14/04/2008 - PERMANECE ATUAL! O CARA É MESMO O FLAGELO DA EDUCAÇÃO.
ARTIGO - Ivo Cassol: O Flagelo da Educação
Prof. Diogo Tobias Filho
Conta a história que Átila, rei do hunos, personificou a violência e arrogância de tal maneira demasiadas que sob a pata do seu cavalo jamais germinava qualquer grão. Perseguidor implacável dos justos e dos que considerava inimigos, acabou se eternizando na história pelo epíteto “Flagelo de Deus”.
O Sr. Ivo Cassol almeja o mesmo título de Átila para se entronizar na História Regional cuja transmissão é em parte, responsabilidade dos educadores. Por incrível que pareça, está conseguindo tal gesta a passos largos. No início do seu primeiro mandato prometeu eleição direta para gestores escolares, causando euforia n’alguns, mas, comedimento em outros, principalmente nos professores de Rolim de Moura, acostumados aos salários de fome e arroubos de arrogância do então prefeito Cassol.
As eleições prometidas para as escolas do Estado tornaram-se retumbantes fiascos e logo em seguida, o decreto foi revogado para a alegria dos cabos eleitorais do governador, que voltaram a indicar seus protegidos como bons paus-mandado. Alguém conhece se algum governante no mundo civilizado já instituiu gestão democrática na escola por decreto? O Sr. Ivo Cassol tem essa primazia.
Na mídia escrita e televisa lê-se constantemente sobre invasões de colégios por supostos elementos ligados ao seu staff, censura prévia aos professores que usam o instrumento da crítica em sala de aula, ameaça de demissão aos renitentes, aos grevistas, aos que não suportam ouvir seus erros crassos de português e por aí vai.
O Sintero passou a ser alvo predileto haja vista, durante o processo eletivo para presidência do sindicato, Cassol não conseguiu emplacar sua candidata. O poderoso político sente-se deveras incomodado pelas ações que o Sintero move na justiça, única esperança de se conseguir algum benefício para a classe. O abismo entre a concessão de aumentos para funcionários (4% parcelado) e para os cargos de confiança (até 116% aos diretores de escolas) é avassalador.
A retirada da gratificação do magistério pela simples falta no trabalho é um ato terrorista contra todos professores e me leva a inferir o seguinte: o Sr. Ivo Cassol porta algum trauma da época em que raríssimas vezes freqüentou a escola. Se tivesse consideradas lembranças sobre sua primeira professora, celebraria o ato de educar como a mais nobre virtude, via única para a cidadania, para a ascensão social digna e pela universalização da cultura entre as pessoas.
Outros fatos desastrosos para educação podem ser enumerados, não obstante apenas citarmos alguns: o fim do Proafí, que afetará o bom funcionamento das escolas do interior, mormente nas cidades distantes da capital; a escolha de um policial civil para chefiar a Secretaria da Educação; o insosso plano de cargos e salários (?); o escândalo de desvio de dinheiros do Joer; terceirização desnecessária nas escolas das pequenas cidades; desprezo pelo pessoal de apoio que em breve, deverá receber apenas um salário-mínimo.
A suposta transparência alegada há muito foi maculada pelos marmitex de Miguel Sena ou pelas prisões de figurões ligados ao governo nas incursões da Polícia Federal por aqui.
Caso ocorra um encontro casual na eternidade entre Átila e Ivo Cassol, deverá ser muitíssimo interessante o diálogo entre os dois: o rei dos hunos se vangloriará da destruição de cidadelas inteiras com perseguição violenta aos povos, inimigos ou não. Cassol, o rei de Rondônia, contar-lhe-á como destruiu a educação do Estado e, sobretudo, de que modo levou seus professores e funcionários de apoio a mais humilhante ruína financeira. O lugar do encontro entre o flagelo de Deus e o flagelo da educação será provavelmente no purgatório.
*O autor é professor de filosofia em Jí-Paraná.
E-mail – digtobfilho@hotmail.com
Prof. Diogo Tobias Filho
Conta a história que Átila, rei do hunos, personificou a violência e arrogância de tal maneira demasiadas que sob a pata do seu cavalo jamais germinava qualquer grão. Perseguidor implacável dos justos e dos que considerava inimigos, acabou se eternizando na história pelo epíteto “Flagelo de Deus”.
O Sr. Ivo Cassol almeja o mesmo título de Átila para se entronizar na História Regional cuja transmissão é em parte, responsabilidade dos educadores. Por incrível que pareça, está conseguindo tal gesta a passos largos. No início do seu primeiro mandato prometeu eleição direta para gestores escolares, causando euforia n’alguns, mas, comedimento em outros, principalmente nos professores de Rolim de Moura, acostumados aos salários de fome e arroubos de arrogância do então prefeito Cassol.
As eleições prometidas para as escolas do Estado tornaram-se retumbantes fiascos e logo em seguida, o decreto foi revogado para a alegria dos cabos eleitorais do governador, que voltaram a indicar seus protegidos como bons paus-mandado. Alguém conhece se algum governante no mundo civilizado já instituiu gestão democrática na escola por decreto? O Sr. Ivo Cassol tem essa primazia.
Na mídia escrita e televisa lê-se constantemente sobre invasões de colégios por supostos elementos ligados ao seu staff, censura prévia aos professores que usam o instrumento da crítica em sala de aula, ameaça de demissão aos renitentes, aos grevistas, aos que não suportam ouvir seus erros crassos de português e por aí vai.
O Sintero passou a ser alvo predileto haja vista, durante o processo eletivo para presidência do sindicato, Cassol não conseguiu emplacar sua candidata. O poderoso político sente-se deveras incomodado pelas ações que o Sintero move na justiça, única esperança de se conseguir algum benefício para a classe. O abismo entre a concessão de aumentos para funcionários (4% parcelado) e para os cargos de confiança (até 116% aos diretores de escolas) é avassalador.
A retirada da gratificação do magistério pela simples falta no trabalho é um ato terrorista contra todos professores e me leva a inferir o seguinte: o Sr. Ivo Cassol porta algum trauma da época em que raríssimas vezes freqüentou a escola. Se tivesse consideradas lembranças sobre sua primeira professora, celebraria o ato de educar como a mais nobre virtude, via única para a cidadania, para a ascensão social digna e pela universalização da cultura entre as pessoas.
Outros fatos desastrosos para educação podem ser enumerados, não obstante apenas citarmos alguns: o fim do Proafí, que afetará o bom funcionamento das escolas do interior, mormente nas cidades distantes da capital; a escolha de um policial civil para chefiar a Secretaria da Educação; o insosso plano de cargos e salários (?); o escândalo de desvio de dinheiros do Joer; terceirização desnecessária nas escolas das pequenas cidades; desprezo pelo pessoal de apoio que em breve, deverá receber apenas um salário-mínimo.
A suposta transparência alegada há muito foi maculada pelos marmitex de Miguel Sena ou pelas prisões de figurões ligados ao governo nas incursões da Polícia Federal por aqui.
Caso ocorra um encontro casual na eternidade entre Átila e Ivo Cassol, deverá ser muitíssimo interessante o diálogo entre os dois: o rei dos hunos se vangloriará da destruição de cidadelas inteiras com perseguição violenta aos povos, inimigos ou não. Cassol, o rei de Rondônia, contar-lhe-á como destruiu a educação do Estado e, sobretudo, de que modo levou seus professores e funcionários de apoio a mais humilhante ruína financeira. O lugar do encontro entre o flagelo de Deus e o flagelo da educação será provavelmente no purgatório.
*O autor é professor de filosofia em Jí-Paraná.
E-mail – digtobfilho@hotmail.com
PUBLICADO EM 21/01/2009 NO SITE DO SINTERO(ESTÁ LÁ ATÉ HOJE)
Artigo: A LENTA AGONIA DOS EDUCADORES ESTADUAIS
Prof. Diogo Tobias Filho
Os professores da rede estadual estão enfrentando a pior situação econômica já vivida pela classe desde os idos do Coronel Jorge Teixeira. Este competente administrador deixou o poder e muitas saudades daqueles tempos áureos. O trabalho do mestre era motivo de alegria no final do mês, quando se recebia aquela satisfatória remuneração.A partir do adeus à Teixeirão, começou a decadência da educação. Jerônimo Santana iniciou a predação dos salários, além de atrasá-los meses a fio. Nunca mais se elegeu nem para inspetor de quarteirão. Oswaldo Piana administrou em tempos de inflação alta que corroia salários e não eram corrigidos satisfatoriamente. Hoje, vive no ostracismo político. Não consegue sequer, uma cadeira de vereador. Valdir Raupp melhorou a remuneração do professor, entretanto deixou uma conta salgada para o seu sucessor, de algumas folhas atrasadas do funcionalismo. Ainda sobrevive politicamente, pois os seus antecessores foram piores, exceto Teixeirão, e até porque seu sucessor - José Bianco - não disse a que veio. Demitiu funcionários em massa e só melhorou o salário da classe no último ano de seu governo, pois pensava em ganhar mais um mandato. Foi punido pelo povo. Decerto, encerrará sua carreira política como prefeito de Ji-Paraná. Ivo Cassol só era novidade para quem nunca conversou com docentes de Rolim de Moura. Ele os esmagou financeiramente. No seu governo, até hoje, jamais houve por parte do funcionalismo público - excluindo-se os privilegiados que ocupam seus inúmeros cargos de confiança - ganho real nos salários. O último reajuste em 2008 sequer acompanhou a inflação de 2007. Foi anunciado pomposamente como “aumento” quando na verdade nos repassaram uma esmola cínica que a classe deveria ter recusado. Resta saber se vamos persistir nesse imobilismo, nessa eterna desunião, deduzindo que apenas o Sintero poderá fazer alguma coisa quando, a bem da verdade, o sindicato somos nós. Como vamos formar cidadãos autônomos e corajosos, se ao soar ameaças das trombetas do Governador, rendemo-nos da forma mais omissa possível? De que temos receio se ele não é o dono dos recursos da educação de Rondônia? Que exemplo de formação crítica estaremos repassando aos nossos alunos se nos falta coragem de lutar pra viver com mais dignidade? Ivo Cassol, politicamente, não sobreviverá, são os meus votos. Mas é conhecedor que a classe docente o detesta como político, daí talvez, sua renitência em tratar educadores da maneira mais vil, entretanto o faz porque conhece a coragem dos adversários, sabe que o exército de formados portando diplomas empunhados com sacrifício não se sustenta integralmente no campo de batalha porque não se mira nos exemplos dos seus antigos colegas que lutavam, apanhavam e até eram assassinados nos porões da ditadura, isso não por dinheiro, mas simplesmente pelo sagrado direito da liberdade de expressão, de organizar uma sociedade de forma democrática e menos injusta. Os professores estão endividados. O salário não paga mais as contas do final do mês. Mas a maior dívida da classe docente é consigo mesma pelo fato de não decidir ir unida ao campo de batalha para viver ou morrer, deixando o exemplo aos seus alunos, de como se ganha uma guerra contra a opressão.
O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná*(e-mail: digtobfilho@hotmail.com)
Prof. Diogo Tobias Filho
Os professores da rede estadual estão enfrentando a pior situação econômica já vivida pela classe desde os idos do Coronel Jorge Teixeira. Este competente administrador deixou o poder e muitas saudades daqueles tempos áureos. O trabalho do mestre era motivo de alegria no final do mês, quando se recebia aquela satisfatória remuneração.A partir do adeus à Teixeirão, começou a decadência da educação. Jerônimo Santana iniciou a predação dos salários, além de atrasá-los meses a fio. Nunca mais se elegeu nem para inspetor de quarteirão. Oswaldo Piana administrou em tempos de inflação alta que corroia salários e não eram corrigidos satisfatoriamente. Hoje, vive no ostracismo político. Não consegue sequer, uma cadeira de vereador. Valdir Raupp melhorou a remuneração do professor, entretanto deixou uma conta salgada para o seu sucessor, de algumas folhas atrasadas do funcionalismo. Ainda sobrevive politicamente, pois os seus antecessores foram piores, exceto Teixeirão, e até porque seu sucessor - José Bianco - não disse a que veio. Demitiu funcionários em massa e só melhorou o salário da classe no último ano de seu governo, pois pensava em ganhar mais um mandato. Foi punido pelo povo. Decerto, encerrará sua carreira política como prefeito de Ji-Paraná. Ivo Cassol só era novidade para quem nunca conversou com docentes de Rolim de Moura. Ele os esmagou financeiramente. No seu governo, até hoje, jamais houve por parte do funcionalismo público - excluindo-se os privilegiados que ocupam seus inúmeros cargos de confiança - ganho real nos salários. O último reajuste em 2008 sequer acompanhou a inflação de 2007. Foi anunciado pomposamente como “aumento” quando na verdade nos repassaram uma esmola cínica que a classe deveria ter recusado. Resta saber se vamos persistir nesse imobilismo, nessa eterna desunião, deduzindo que apenas o Sintero poderá fazer alguma coisa quando, a bem da verdade, o sindicato somos nós. Como vamos formar cidadãos autônomos e corajosos, se ao soar ameaças das trombetas do Governador, rendemo-nos da forma mais omissa possível? De que temos receio se ele não é o dono dos recursos da educação de Rondônia? Que exemplo de formação crítica estaremos repassando aos nossos alunos se nos falta coragem de lutar pra viver com mais dignidade? Ivo Cassol, politicamente, não sobreviverá, são os meus votos. Mas é conhecedor que a classe docente o detesta como político, daí talvez, sua renitência em tratar educadores da maneira mais vil, entretanto o faz porque conhece a coragem dos adversários, sabe que o exército de formados portando diplomas empunhados com sacrifício não se sustenta integralmente no campo de batalha porque não se mira nos exemplos dos seus antigos colegas que lutavam, apanhavam e até eram assassinados nos porões da ditadura, isso não por dinheiro, mas simplesmente pelo sagrado direito da liberdade de expressão, de organizar uma sociedade de forma democrática e menos injusta. Os professores estão endividados. O salário não paga mais as contas do final do mês. Mas a maior dívida da classe docente é consigo mesma pelo fato de não decidir ir unida ao campo de batalha para viver ou morrer, deixando o exemplo aos seus alunos, de como se ganha uma guerra contra a opressão.
O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná*(e-mail: digtobfilho@hotmail.com)
MEU BLOG
Depois do sucesso dos meus artigos publicados no sites de jornalismo de Rondônia e até republicado em sites de outros estados, decidi criar meu blog, principalmente para arquivar os artigos já publicados e escrever de vez em quando algo para os que gostam da polêmica, do fato analisado com postura crítica, etc e tal. Arquivar os artigos publicado num blog seria bem melhor que guardar chusmas de papéis impressos. Este será um cantinho especial, sem censura, onde a escrita e a comunicação com o público de internautas é meu objetivo maior.
Prof. Diogo Tobias Filho
Dezembro de 2009.
Prof. Diogo Tobias Filho
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