ARTIGO - Ivo Cassol: O Flagelo da Educação
Prof. Diogo Tobias Filho
Conta a história que Átila, rei do hunos, personificou a violência e arrogância de tal maneira demasiadas que sob a pata do seu cavalo jamais germinava qualquer grão. Perseguidor implacável dos justos e dos que considerava inimigos, acabou se eternizando na história pelo epíteto “Flagelo de Deus”.
O Sr. Ivo Cassol almeja o mesmo título de Átila para se entronizar na História Regional cuja transmissão é em parte, responsabilidade dos educadores. Por incrível que pareça, está conseguindo tal gesta a passos largos. No início do seu primeiro mandato prometeu eleição direta para gestores escolares, causando euforia n’alguns, mas, comedimento em outros, principalmente nos professores de Rolim de Moura, acostumados aos salários de fome e arroubos de arrogância do então prefeito Cassol.
As eleições prometidas para as escolas do Estado tornaram-se retumbantes fiascos e logo em seguida, o decreto foi revogado para a alegria dos cabos eleitorais do governador, que voltaram a indicar seus protegidos como bons paus-mandado. Alguém conhece se algum governante no mundo civilizado já instituiu gestão democrática na escola por decreto? O Sr. Ivo Cassol tem essa primazia.
Na mídia escrita e televisa lê-se constantemente sobre invasões de colégios por supostos elementos ligados ao seu staff, censura prévia aos professores que usam o instrumento da crítica em sala de aula, ameaça de demissão aos renitentes, aos grevistas, aos que não suportam ouvir seus erros crassos de português e por aí vai.
O Sintero passou a ser alvo predileto haja vista, durante o processo eletivo para presidência do sindicato, Cassol não conseguiu emplacar sua candidata. O poderoso político sente-se deveras incomodado pelas ações que o Sintero move na justiça, única esperança de se conseguir algum benefício para a classe. O abismo entre a concessão de aumentos para funcionários (4% parcelado) e para os cargos de confiança (até 116% aos diretores de escolas) é avassalador.
A retirada da gratificação do magistério pela simples falta no trabalho é um ato terrorista contra todos professores e me leva a inferir o seguinte: o Sr. Ivo Cassol porta algum trauma da época em que raríssimas vezes freqüentou a escola. Se tivesse consideradas lembranças sobre sua primeira professora, celebraria o ato de educar como a mais nobre virtude, via única para a cidadania, para a ascensão social digna e pela universalização da cultura entre as pessoas.
Outros fatos desastrosos para educação podem ser enumerados, não obstante apenas citarmos alguns: o fim do Proafí, que afetará o bom funcionamento das escolas do interior, mormente nas cidades distantes da capital; a escolha de um policial civil para chefiar a Secretaria da Educação; o insosso plano de cargos e salários (?); o escândalo de desvio de dinheiros do Joer; terceirização desnecessária nas escolas das pequenas cidades; desprezo pelo pessoal de apoio que em breve, deverá receber apenas um salário-mínimo.
A suposta transparência alegada há muito foi maculada pelos marmitex de Miguel Sena ou pelas prisões de figurões ligados ao governo nas incursões da Polícia Federal por aqui.
Caso ocorra um encontro casual na eternidade entre Átila e Ivo Cassol, deverá ser muitíssimo interessante o diálogo entre os dois: o rei dos hunos se vangloriará da destruição de cidadelas inteiras com perseguição violenta aos povos, inimigos ou não. Cassol, o rei de Rondônia, contar-lhe-á como destruiu a educação do Estado e, sobretudo, de que modo levou seus professores e funcionários de apoio a mais humilhante ruína financeira. O lugar do encontro entre o flagelo de Deus e o flagelo da educação será provavelmente no purgatório.
*O autor é professor de filosofia em Jí-Paraná.
E-mail – digtobfilho@hotmail.com
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