quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

PUBLICADO NO TUDORONDONIA EM 08/12/2009

PROFESSOR QUALIFICADO: ESPÉCIE AMEAÇADA DE EXTINÇÃO

Prof. Diogo Tobias Filho*

“Existe esperança, esperança infinita – mas não para nós! (Franz Kafka – Escritor Tcheco)

É cada vez mais visível a escassez de bons professores no mercado de trabalho. Em parte dos Estados e Municípios as escolas só funcionam no improviso, via contratos emergenciais, onde se pega a laço qualquer profissional, de zootecnista à advogado, de bioquímico a médico veterinário e quando não tem, contrata-se até pessoas de nível médio, cuja função primordial é “tapar buraco” nas salas de aula. O aprendizado é apenas mero detalhe, afinal de contas, eles estão fazendo “bico” sem compromisso. O salário ruim serve para complementar a renda, pagar algumas taxas de água, luz, telefone e sucedâneos. Professor diplomado para atuar na área correspondente a sua formação está na listas de espécies em extinção. Seus principais predadores são os dirigentes políticos do país que insistem em pagar-lhes esmolas, tratá-los da maneira vil, impor-lhes cargas horárias estafantes, obrigando-os a lecionar em duas, três ou até quatro escolas diferentes para elevar o nível de renda e dar mais dignidade aos seus familiares. Quem tem o hábito de acompanhar na mídia escrita ou televisiva o que vem ocorrendo no Brasil, depara-se frequentemente com escândalos e situações grotescas no setor educacional a ponto do Governo Federal ter que obrigar na forma da lei a pagar no mínimo 950 reais de piso salarial para os professores, sob pena da estrutura da educação brasileira, que já é periférica no setor público, ruir de vez. Ao invés de investir um pouco mais na mão-de-obra docente, alguns políticos brasileiros preferem inaugurar ou reformar escolas, pagar cursos inócuos de dois ou três dias em hotéis de luxo, terceirizar serviços de transporte escolar ou fazer negociatas com postos de combustíveis para desviar recursos e fazer caixa dois para fins escusos. Não creio que todo político é assim, entretanto tenho a singular convicção que se prendesse todos que praticam esses atos delituosos, lotaria presídios. Sem solução para esse problema secular que é o salário do professor, e isso toda a sociedade reconhece, um naco dos cursos de licenciatura está fechando suas portas ou funcionando de forma deficitária, até porque, há poucos interessados, além da concorrência dos cursos virtuais que são ruins e formam profissionais de péssima qualidade. Em Rondônia não é diferente. A “professorada” do quadro efetivo - como se refere desdenhosamente os “intelectuais” da roça cassolista – não supre mais as necessidades das instituições. Ninguém mais entre os jovens sonha em ser professor. E haja concurso, e haja teste seletivo, mas salário atraente, nada, exceto para cargos comissionados, criados e aumentados indiscriminadamente todos os anos. O número de contratos emergenciais no atual governo é alarmante. E o pior é que o “Doutor honoris causa” que dirige o Estado não está nem aí para o funcionalismo, muito menos para a escola pública. Nas cidades, funcionários públicos ganham somente o suficiente para se alimentar. Como educador, considero Ivo Cassol o pior da história para os trabalhadores da educação na pós-redemocratização política do Estado. É o mais cínico, capaz de dar publicidade a mera obrigação de pagar em dia a folha salarial defasada contrastada à arrecadação crescente. Despreocupado, este flagelo da educação espera a desacreditada cassação, enquanto urde sua candidatura ao Senado. Deveria ser o inverso. Faria um bem enorme ao povo se abandonasse a vida pública haja vista que a única coisa que o seu governo faz é construir prédio do IDARON, distribuir sementes de feijão e asfaltar estradas onde lhe rende votos. Por isso, quando se divulgar a próxima lista de bichos em risco de desaparecer, entre araras, tartarugas, onças e outros, as ONGs ambientalistas não podem se esquecer do mais ilustre dentre os animais racionais, aquele que praticamente fabrica todos os outros profissionais, desde a singela secretária ao mais arrogante juiz, do gari ao médico: sua excelência o professor, em plena extinção predatória, vítima das atrocidades políticas no Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário