REPOSIÇÃO SALARIAL EMERGENCIAL: UM NOVO CONCEITO PARA “ESMOLA”!
* Prof. Diogo Tobias Filho
Seria trágica se não fosse cômica esta expressão “reposição salarial emergencial”. Todavia, o significado é banal, trata-se de uma tentativa vã de mitigar o conceito de “esmola”. O que um professor vai comprar com 4% a mais no contracheque? É melhor jogarmos a toalha de vez e admitirmos que somos uma classe sem rumo, sem identidade e sem senso crítico, excetuando-se alguns renitentes que ainda insistem em gritar palavras de ordem contra o dissimulado Ivo Cassol, o flagelo da educação! Aliás, estes panfletários são os últimos professores efetivos do estado, cercado pela turba silenciosa de emergenciais. Agora é esperar o tempo se diluir até que as esperanças para 2010 renasçam das cinzas, ao menos quando limparem o crematório da Seduc. Nomes ainda não despontaram com novas promessas de palanque, novos chavões dos pretendentes ao cargo máximo do executivo rondoniense. Eles dirão as mesmas asneiras de sempre, investimento em saúde, fórmulas milagrosas para atenuar a segurança pública e finalmente, a prioridade da educação com destaque pela “valorização” do professor. Até um político medíocre como Cassol conseguiu iludir a maioria dos educadores, apesar do famigerado discurso repleto de vícios de linguagens e erros nas concordâncias verbais capazes de fazer Houaiss se revirar no túmulo. Por isso não suporto mais participar de reuniões pedagógicas e ouvir de certos pedagogos a ousadia em dizer que precisamos formar cidadãos críticos. Passo mal cai a pressão, obrigo-me a ser deseducado porque quem precisa de exercer cidadania crítica somos nós como um todo. Ainda tem a dose cavalar que é suportar os slides de auto-ajuda e o preâmbulo das chatas leituras compartilhadas de conteúdo enternecedor. As músicas de Reginaldo Rossi são menos insuportáveis. Como se não bastasse um final do ano atolado em diários e dívidas, um cabedal de situações burocráticas para dar cabo até o prazo dado pelo capitão-do-mato que gere a escola, pais chatos tentando buscar motivos para culpar o professor pelo fracasso do filho que gazeava aula e ia jogar videogame na esquina, ainda aparece Marli Cahulla de bandeja na mão oferecendo 4% de esmola dentro de um cálice envenenado? Se tivéssemos um mínimo de coragem, recusaríamos esta humilhação. Ou no mínimo, compraríamos com essas migalhas a mais uma mortalha preta e iríamos à escola devidamente uniformizados, de manhã, de tarde e de noite! A mortalha seria nosso jaleco oficial, uma excelente demonstração de insatisfação da classe de educadores. Vestidos de preto, com trabalho e respeito - nosso lema, até o último dia do calendário escolar. Se não for assim, vou passar mal, vou ser deseducado, a pressão vai cair. E a esmola de 4% não vai suprir os remédios que terei de comprar na farmácia do meu bairro.
O autor é professor de filosofia em Jí-Paraná - (digtobfilho@hotmail.com)
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