A EDUCAÇÃO E O SANTO DE CASA QUE NÃO FAZ MILAGRE!
Se existe algo difícil de entender é como as secretarias de educação pretendem elevar o nível de conhecimento nas escolas públicas diante da situação precária das bibliotecas. Elas deveriam ser um centro de pesquisa integrada à internet como nos países desenvolvidos, não obstante, estão relegadas à condição de valhacouto de insetos. Pobres livros! Mereciam um destino melhor. Logo num país que se lê tão pouco. Observa-se acervos desatualizados, espaço exalando odores de mofo, amontoado de prateleiras improvisadas em saletas desconfortáveis.
Em Rondônia, o desrespeito maior dos gestores da educação é com nossos escritores que, mediante dificuldades financeiras para pesquisa e publicação das suas obras, não desistem de produzi-las, vencendo obstáculos para divulgá-las. Os livros existentes nas escolas de autores regionais são minguados, isso quando se tem alguma unidade. O Governo do Estado que deveria dar o exemplo aos municípios, é descompromissado na aquisição destas obras, a ponto do ensino médio só não estar em frangalhos por causa dos materiais didáticos enviados pelo Governo Federal.
E veja que nós temos excelentes escritores. Não tenho espaço para citar todos, mas honra-me enunciar alguns que deveriam ser leitura obrigatória para os estudantes de ensino fundamental e médio e presença constante nas improvisadas bibliotecas das escolas. Cito de início, o excelente escritor Matias Mendes, homem simples do Vale do Guaporé, dotado de inteligência acima da média que escreve de forma prazerosa. Seus livros exaltam a rica cultura da região, sua poesia é encantadora e denota um vasto conhecimento da nossa história.
O Prof. Dante Ribeiro da Fonseca publica trabalhos acadêmicos mais extensivos ao ensino médio além do já conhecido “História Regional”, em parceria com o Prof. Marco Antônio Teixeira, obra que é referência para concursos públicos; Francisco Matias escreve com profundo conhecimento da nossa historiografia; o livro do imortal Emanuel Pontes Pinto é essencial para uma visão histórica mais detalhada da formação de Rondônia; Yêda Borzacov é - por excelência - a dama da intelectualidade rondoniense; o saudoso mestre Paulo Saldanha Sobrinho conta histórias fantásticas do início da colonização do Estado.
Poderíamos citar ainda Manuel Rodrigues Ferreira e a saga da EFMM, Abnael Machado, Esron Menezes (in memorian), Ovídio Amélio, Antônio Cândido, um craque na nossa literatura, Flávio Lima e Odenildo Veloso, como expoentes da nossa produção geográfica entre outros. Eles merecem um vau de reconhecimento maior, mas, suas obras deviam ser adquiridas e expostas nas bibliotecas das escolas públicas. O Estado desperdiça dinheiro com tantas publicações duvidosas (quem não se lembra daquelas apostilas chinfrins do governo anterior?) por que não comprar os livros dos nossos autores?
As produções dos professores também não têm deixado a desejar. Por iniciativas individuais, estiveram vencendo prêmios importantes como o da Editora Abril. Algumas cidades têm projetos desenvolvidos por seus docentes cujo talento não encontra palco para divulgação, relegando-os ao anonimato. De imediato me lembrei das dificuldades dos “tios e tias” das séries iniciais em conseguir material didático para elaborar aulas de história regional para a criançada.
Esta desvalorização com a cultura, com os escritores e com os próprios alunos da escola pública ocorre diariamente em vários municípios. Nas escolas do Estado, seria até redundância falar do legado de má-qualidade de ensino do governo anterior e as poucas e nada alvissareiras mudanças do governo atual. Talvez, o baixo intelecto dos que gerem os recursos da educação de Rondônia o façam pensar que educação de qualidade se constrói apenas com reformas de prédios e não incluem uma biblioteca decente.
Livros então, quando adquiriem, geralmente privilegiam autores de fora. Como sentencia aquele velho provérbio, nossos bons escritores são santos de casa que não fazem milagres.