A PERGUNTA DOS DEMITIDOS DE 2000: E AGORA JOSÉ?
José Batista já é um velho conhecido do funcionalismo público
rondoniense. Em janeiro de 2000 era o comandante-chefe da Secretaria de
Administração do nefasto governo Bianco. Do seu banco de dados saiu a
lista negra com os nomes de professores, técnicos, policiais,
profissionais da área administrativa, médicos, enfim, quase dez mil
pessoas demitidas indiscriminadamente, catapultados para rua da
amargura. Uma atitude politicamente incorreta que deveria no mínimo ter
proscrito José Bianco e sua comitiva de assessores da vida pública.
Se o problema era o excesso de funcionários que impedia o governo de
deslanchar, a teoria não confirmou a prática porque José Bianc foi
apenas mais um do reino da mediocridade, sem nada de extraordinário nas
áreas estratégicas como saúde, educação e segurança pública, assim como
medíocres também eram seus antecessores, Pianna e Raupp e o seu
sucessor, Ivo Cassol, que aliás preferiu até cuidar melhor de boi do que
do povo.
Mas o eleitor tem mesmo memória curta e graças a esta lamentável
característica, José Bianco voltou. Isso aconteceu porque a maioria da
população de Ji-Paraná resolveu resgatá-lo politicamente, dando-lhe dois
mandatos de prefeito. Com ele, ressurgiu a controversa figura do José
Batista, logo empregado às custas do contribuinte municipal em cargo e
primeiro escalão. Com a vitória de Confúcio Moura, José migrou
recentemente da secretaria de saúde municipal para ser o adjunto da
saúde.
De repente, grata surpresa, o carrasco dos demitidos de 2000, um dos
homens que provocou a depressão, o desespero, a ignomínia, e em certos
casos até a morte de ex-funcionários, apareceu recentemente envolvido
num dos maiores desvios de verbas públicas, juntamente com uma quadrilha
chefiada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Valter Araújo.
Depois da operação Termópilas, José, quem diria, está mais do que
demitido, está preso, acusado de corrupção e pelas evidências
apresentadas pela mídia, já se pode considerá-lo mesmo um corrupto. Entretanto, como a roubalheira era imensa, será difícil dizer se José
Batista está deprimido como os demitidos de 2000 ou se conseguiu
amealhar seu pé-de-meia sugando nas tetas do propinoduto estadual, o que
lhe daria folga após a tormenta.
E os demitidos? O que acharam do triste fim do seu algoz? Isso no
mínimo merecia a reorganização daquela épica passeata de 2000, quando ao
respingar de lágrimas e cassetetes, os ex-funcionários expuseram sua
indignação mediante a exclusão em massa decidida por alguns funcionários
temporários, todos bem empregados com bons salários, entre eles, os
dois Josés, Bianco e Batista. Desta vez, a passeata pediria punição aos culpados.
Não acredito que Termópilas será apenas mais um caso entre tantos outros
estarrecedores que não tiveram finais satisfatórios. Parece-me que,
além das leis dos homens, existe realmente a lei do retorno, ou seja,
tudo de mal que você faz ao seu semelhante voltará em dobro. Por esta
ótica, talvez o castigo de Batista ainda não seja justo. Seria
necessário que, além de todo dinheiro amealhado ilicitamente fosse
devolvido aos cofres público, José Batista saísse sem lenço e sem
documento pra sentir na pele o que é sobreviver sem trabalho, sem
dinheiro para pagar as contas no final do mês, sem poder comprar uma
mísera cesta básica, um pão para alimentar os filhos no café-da-manhã e
sucedâneos. Esta seria uma expiação justa.
O povo rondoniano tem também outra marca registrada. A tudo perdoa,
seguindo os bons costumes cristãos. Mesmo que tenha que entrar em longas
filas de hospital, deitar seus enfermos em macas improvisadas pelo chão
dos hospitais, não ter acesso aos medicamentos a não ser que tenha
dinheiro no bolso e outras agruras mais. Todavia não é pecado perguntar a
quem provocou tanto sofrimento e desemprego no funcionalismo,
atualmente, enjaulado e demitido: e agora José?
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